Durante a LatBus 2026, Volkswagen Caminhões e Ônibus apontou diferenças de custos e carga tributária na disputa com fabricantes chineses e defendeu medidas para equilibrar o mercado
A Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) apontou diferenças de custos produtivos, carga tributária e o chamado Custo Brasil como fatores que tornam desigual a concorrência entre fabricantes nacionais e marcas chinesas no mercado de veículos elétricos no país.
A avaliação foi apresentada durante a LatBus 2026, feira do setor de transporte de passageiros realizada em São Paulo, em meio à discussão sobre a presença de fabricantes chineses no mercado brasileiro. Entre as marcas que já atuam no país estão BYD, Higer e Ankai.
A empresa defendeu a adoção de medidas públicas para aproximar as condições de competição entre os veículos produzidos no Brasil e os modelos importados. Também apontou a necessidade de incentivos voltados às exportações produzidas pela indústria nacional.
O posicionamento ocorre em um momento de expansão da oferta de ônibus elétricos no mercado brasileiro e de ampliação da presença de fabricantes estrangeiros no segmento.
VWCO aponta concorrência desigual com marcas chinesas
A disputa com fabricantes chineses esteve entre os temas abordados pela VWCO durante a LatBus 2026.
A empresa considera que os veículos produzidos no Brasil enfrentam condições diferentes das encontradas pelos modelos importados da China. Entre os fatores apontados estão os custos de produção, a carga tributária e o Custo Brasil.

A avaliação da montadora é que esses elementos interferem diretamente na capacidade de competição da indústria instalada no país.
Nesse cenário, a VWCO defende investimentos públicos direcionados ao setor para reduzir as diferenças entre fabricantes nacionais e estrangeiros.
A empresa também considera necessário criar condições para estimular o mercado de exportação de veículos produzidos no Brasil.
Imposto de importação chegou a 35%
A discussão sobre a concorrência ocorre após a recomposição das alíquotas de importação para veículos elétricos e híbridos.
Em 1º de julho de 2026, o imposto de importação para esses veículos chegou ao teto de 35%.
Mesmo com a recomposição tarifária, a VWCO avalia que a competição com os fabricantes chineses permanece condicionada por outros fatores relacionados aos custos de produção e à estrutura tributária brasileira.
A questão envolve, portanto, não apenas o percentual aplicado à importação, mas também as diferenças entre produzir localmente e importar veículos de outros mercados.
Para a empresa, medidas de apoio à indústria nacional e estímulos às exportações podem contribuir para reduzir essas diferenças.
Presença chinesa amplia disputa no setor
O mercado brasileiro de veículos comerciais elétricos passou a contar com a presença de fabricantes chineses, entre eles BYD, Higer e Ankai.
A entrada dessas empresas ocorre paralelamente ao desenvolvimento de produtos nacionais destinados à eletrificação do transporte coletivo.
A VWCO, que mantém produção no Brasil, colocou a discussão sobre as condições de competição no centro de sua participação na LatBus 2026.
A empresa defende que a indústria nacional tenha condições de disputar o mercado em condições semelhantes às dos veículos importados.
O debate envolve os custos de fabricação, a tributação, os investimentos necessários para desenvolver novas tecnologias e as condições para comercialização dos veículos no mercado brasileiro e no exterior.
VWCO amplia linha de chassis elétricos
Durante a LatBus 2026, a VWCO também apresentou dois novos chassis elétricos para ampliar a família e-Volksbus.
O e-Volksbus 22H foi desenvolvido para operações urbanas em corredores e vias que exigem piso elevado. O modelo foi desenvolvido no Brasil e possui baterias integradas à plataforma, solução destinada ao aproveitamento do espaço disponível no veículo.
O segundo lançamento é o e-Volksbus 18H, desenvolvido para o segmento de fretamento. O modelo representa a estreia de um chassi elétrico nacional direcionado especificamente a essa aplicação.
Os dois veículos utilizam o motor elétrico VW SD 460, com 380 cv de potência e 2.450 Nm de torque.
O conjunto de baterias utiliza a tecnologia LFP, de Lítio-Ferro-Fosfato, com capacidade de 385 kWh.
Segundo as informações apresentadas pela empresa, a recarga completa pode ser realizada em aproximadamente 1 hora e 30 minutos em estações de alta potência.
Volksbus chega a 200 mil chassis produzidos
A apresentação dos novos modelos ocorreu no mesmo ano em que a Volkswagen Caminhões e Ônibus completa 45 anos de atuação no Brasil.
A linha Volksbus, criada em 1993, também alcançou a marca de 200 mil chassis produzidos.
A produção da linha foi iniciada com modelos montados na unidade de Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), e posteriormente passou a ser realizada também na fábrica de Resende (RJ).
Ao longo de 33 anos, a linha passou de um único modelo, o VW 16.180 CO, para mais de 50 opções destinadas aos segmentos urbano, rodoviário e de turismo.
Atualmente, os chassis Volksbus são produzidos em Resende para atender ao mercado brasileiro e às exportações.
Novos chassis ampliam oferta elétrica da marca
O e-Volksbus 22H e o e-Volksbus 18H passam a integrar a estratégia da VWCO de ampliação da oferta de veículos elétricos.
O primeiro está voltado ao transporte urbano, com aplicação em corredores e operações que exigem piso elevado.

Já o e-Volksbus 18H foi projetado para o segmento de fretamento, ampliando a oferta de chassis elétricos para uma aplicação diferente do transporte urbano convencional.
Os dois modelos compartilham o conjunto elétrico composto pelo motor VW SD 460 e pelas baterias LFP de 385 kWh.
A capacidade de recarga informada pela empresa é de 1 hora e 30 minutos para uma carga completa em estações de alta potência.
Indústria nacional busca espaço no mercado de veículos elétricos
A discussão apresentada pela VWCO ocorre junto à ampliação da oferta de ônibus elétricos no Brasil.
A fabricante mantém a produção nacional de chassis e, ao mesmo tempo, amplia sua linha de veículos elétricos desenvolvidos para diferentes aplicações.
A empresa defende que a expansão da eletrificação precisa ocorrer com condições de competição que considerem os custos da produção nacional e a presença de modelos importados.
Entre as medidas apontadas estão investimentos públicos no setor e incentivos para ampliar as exportações de veículos produzidos no Brasil.
A discussão sobre a concorrência com fabricantes chineses acompanha, assim, a expansão da oferta de ônibus elétricos e a entrada de novos modelos destinados ao transporte urbano e ao fretamento.
Fotos: Divulgação/VWCO
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