Passe Livre de Natal evoluiu, mas ainda há ajustes simples que a Prefeitura insiste em ignorar

Passe Livre de Natal evoluiu, mas ainda há ajustes simples que a Prefeitura insiste em ignorar

Por Thiago Martins – [email protected]
Mobilidade em Pauta

A implantação do Passe Livre aos domingos no transporte público de Natal foi, sem dúvida, uma das decisões mais importantes para a mobilidade urbana da capital nos últimos anos. A iniciativa aproximou novos usuários do sistema, ampliou o acesso ao lazer e abriu uma oportunidade rara: testar mudanças operacionais sem o peso da tarifa para o passageiro.

Mas toda fase de testes exige algo fundamental: capacidade de ouvir, corrigir e aperfeiçoar.

É justamente nesse ponto que a operação ainda deixa a desejar.

Passadas as primeiras semanas de funcionamento, já é possível identificar ajustes relativamente simples que poderiam melhorar significativamente o atendimento à população, otimizar a frota disponível e tornar o sistema mais eficiente.

A N-80 nasceu com uma boa ideia, mas seu trajeto pela Praia do Meio foi mal executado

Talvez nenhum exemplo seja tão evidente quanto a operação da linha N-80 na região da Praia do Meio.

A proposta de criar uma ligação mais forte entre a Zona Norte e a orla foi acertada. O problema foi a forma como ela foi implantada.

Hoje, parte do itinerário percorre ruas com baixa demanda, pouca atratividade e, em alguns trechos, praticamente sem infraestrutura adequada para embarque e desembarque de passageiros.

Na prática, a linha deixa de cumprir justamente aquilo que deveria ser sua principal missão: atender de forma eficiente a orla urbana.

Uma alternativa seria reorganizar o percurso passando pelas seguintes vias:

  • Rua Miramar;
  • Rua Pedro Afonso;
  • Rua Rodrigues Dias;
  • Rua Túlio Fernandes;
  • Avenida Presidente Café Filho;
  • Rua Professor José Melquíades;
  • Rua São João de Deus;
  • Avenida Duque de Caxias.

A partir daí, o itinerário seguiria normalmente.

O novo traçado ampliaria o atendimento à faixa litorânea, aproximaria o ônibus dos principais pontos de interesse da Praia do Meio e eliminaria um percurso que hoje pouco contribui para a mobilidade dos usuários.

A ideia da linha foi boa.

Sua execução, porém, claramente precisa ser revista.

Unificar as linhas 582 e 583 pode melhorar o serviço e reduzir custos

Outro ajuste que merece ser analisado envolve as linhas 582 e 583.

Atualmente, ambas operam com dois veículos cada, totalizando quatro ônibus para atender áreas muito próximas entre Candelária e Nova Descoberta. As duas linhas têm demandas baixíssimas, quase nulas.

Uma reorganização dos itinerários, formando uma única linha com percurso mais abrangente, permitiria atender os dois bairros utilizando apenas dois veículos.

O resultado seria uma operação mais racional, menor custo operacional e possibilidade de realocar os ônibus excedentes para linhas com maior necessidade de reforço.

Em tempos de busca por eficiência, faz sentido discutir soluções que entreguem mais serviço utilizando melhor os recursos já existentes.

Linha 584 continua pedindo uma correção simples

Outro ponto já defendido anteriormente por esta coluna continua atual.

A linha 584 poderia passar a atender a Avenida das Alagoas, seguindo trecho semelhante ao realizado pela linha L-51.

A alteração ampliaria significativamente o atendimento em uma importante área residencial que hoje possui oferta reduzida aos domingos, sem exigir mudanças estruturais complexas na operação.

São justamente esses pequenos ajustes que fazem diferença para quem depende diariamente do transporte coletivo.

Afinal, por que a TransNacional continua operando a S-37 como L-37?

Há, porém, uma situação que chama ainda mais atenção.

Mesmo após diversas observações feitas por usuários e especialistas em mobilidade, a empresa TransNacional continua operando a linha S-37 utilizando o código L-37 na identificação dos veículos.

Pode parecer apenas uma letra.

Mas não é.

Os códigos das linhas existem justamente para informar ao passageiro o tipo de operação realizada.

Quando uma linha dominical opera com características diferentes da convencional, sua identificação deveria refletir essa mudança.

Manter um código incompatível com a operação apenas aumenta a confusão para quem utiliza o sistema.

Mais do que isso, surge um questionamento inevitável.

Se a Prefeitura é o poder concedente e fiscalizador do transporte público, por que essa situação continua sendo tolerada?

Se existe um padrão operacional definido, ele precisa ser cumprido por todas as empresas.

Caso contrário, a fiscalização perde credibilidade e transmite ao usuário a impressão de que cada operador pode adotar seus próprios critérios.

Não se trata apenas de uma questão estética.

É organização do sistema.

É informação ao passageiro.

É respeito à identidade operacional das linhas.

O momento ideal para corrigir é agora

O Passe Livre mostrou que Natal pode avançar no transporte coletivo.

Mas também deixou claro que ainda existe espaço para aperfeiçoamentos.

Rever itinerários, racionalizar linhas, corrigir falhas de identificação operacional e aproveitar melhor a frota disponível são medidas que exigem muito mais planejamento do que investimento.

E justamente por estarmos diante de uma operação em fase de consolidação, este talvez seja o melhor momento para promover essas correções.

Porque políticas públicas bem-sucedidas não são aquelas que permanecem imutáveis.

São aquelas que evoluem ouvindo quem utiliza o serviço todos os dias

Fotos: Arquivo

Siga o Portal UNIBUS nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.