Por Thiago Martins – [email protected]
Mobilidade em Pauta

Problemas de funilaria, avarias na carroceria e sinais visíveis de desgaste em veículos do sistema opcional reacendem debate sobre fiscalização e qualidade do serviço no Rio Grande do Norte
O transporte opcional intermunicipal do Rio Grande do Norte voltou a ser alvo de questionamentos após o registro de veículos circulando com evidentes problemas estruturais e de conservação. Imagens obtidas pela reportagem mostram pelo menos dois micro-ônibus que operam linhas sob autorização do Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte (DER/RN) apresentando avarias na carroceria, danos na funilaria e sinais de desgaste.


As situações registradas envolvem veículos utilizados em linhas que ligam Natal aos municípios de Canguaretama e Nova Cruz. No caso do veículo que opera a linha para Nova Cruz, o micro-ônibus apresenta danos significativos na lateral da carroceria, com partes da pintura comprometidas e sinais aparentes de colisão ou raspagem sem reparo adequado. No outro veículo, que liga Natal a Canguaretama, os danos são ainda mais visíveis na parte frontal, onde peças da carroceria aparentam estar quebradas ou ausentes.


Embora os problemas observados não permitam concluir, por si só, a existência de falhas mecânicas ou comprometimento da segurança operacional, o estado visual dos veículos levanta dúvidas sobre os padrões de conservação adotados pelas permissionárias e sobre a efetividade da fiscalização realizada pelo poder público.
Qualidade do serviço volta ao centro do debate
O transporte opcional intermunicipal foi criado como alternativa complementar ao sistema convencional de ônibus e atualmente atende dezenas de municípios potiguares, especialmente em regiões onde a oferta de linhas regulares é limitada.
No entanto, usuários frequentemente relatam problemas relacionados ao conforto, superlotação, acessibilidade e estado de conservação da frota. As imagens agora registradas reforçam um debate recorrente sobre a necessidade de renovação dos veículos e de maior rigor no acompanhamento das condições de operação.
A legislação que rege o sistema estabelece critérios mínimos para circulação, incluindo condições de segurança, manutenção e vistoria periódica. Cabe ao DER/RN realizar o acompanhamento das permissões e fiscalizar o cumprimento das exigências previstas para operação dos serviços.
Fiscalização é alvo de questionamentos
O aparecimento de veículos com danos visíveis em operação levanta questionamentos sobre os procedimentos de vistoria adotados pelo órgão gestor.
Nos últimos meses, o próprio DER/RN intensificou ações voltadas à fiscalização do transporte intermunicipal, incluindo notificações a permissionários por problemas relacionados à idade da frota e à documentação dos veículos. Também houve apreensões de veículos que realizavam transporte sem autorização ou em desacordo com as normas vigentes.
Segurança e imagem do transporte público
Além das questões relacionadas à segurança, a circulação de veículos com aparência deteriorada afeta diretamente a percepção dos usuários sobre a qualidade do transporte coletivo.
Em um momento em que os sistemas de transporte enfrentam perda de passageiros para aplicativos de mobilidade, transporte clandestino e veículos particulares, a manutenção de uma frota em boas condições é apontada como um dos fatores fundamentais para garantir a atratividade do serviço.
A situação também ganha relevância em um contexto no qual o próprio Estado discute a modernização do transporte intermunicipal e a necessidade de melhorias na mobilidade regional.
Até o momento, não houve posicionamento oficial do DER/RN sobre os veículos registrados nas imagens.
Fotos: Cedidas
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