Interbairros de Parnamirim seguem operando com vans e veículos com mais de 20 anos

Interbairros de Parnamirim seguem operando com vans e veículos com mais de 20 anos

Sistema que transporta cerca de 20 mil passageiros por dia opera com vans e micro-ônibus antigos, sem acessibilidade, enquanto aguardada fiscalização da Prefeitura ainda não foi realizada

O transporte municipal de Parnamirim – terceiro maior município do Rio Grande do Norte – denominado de ‘Interbairros’, continua operando com vans e micro-ônibus antigos, parte deles com mais de duas décadas de fabricação, sem que tenha sido realizada uma operação ampla de recadastramento e vistoria por parte do poder público municipal. O cenário, apontado por sucessivas denúncias de passageiros e levantamentos publicados nos últimos meses, expõe problemas relacionados à idade da frota, à ausência de acessibilidade, às condições dos veículos e à fiscalização do serviço, utilizado diariamente por aproximadamente 20 mil pessoas.

Atualmente, o sistema é composto por seis linhas que fazem a ligação entre bairros e o Centro de Parnamirim. Nas linhas 1, 2, 3, 4 e 5, a tarifa é de R$ 4,00. Já na linha 6, que atende o trecho entre o Centro e Pirangi do Norte, o valor da passagem é de R$ 5,00. Os preços estão em vigor desde setembro de 2023, após reajuste autorizado por decreto municipal.

Apesar do aumento tarifário ter sido justificado, à época, pelos custos de manutenção da frota, passageiros continuam relatando problemas relacionados à qualidade dos veículos utilizados no sistema.

Frota envelhecida permanece em circulação

Levantamentos realizados com base em registros oficiais de veículos identificaram que parte da frota do sistema Interbairros possui mais de 20 anos de fabricação.

Entre os casos registrados estão vans fabricadas em 2001 que permanecem em operação regular nas linhas municipais. Também foram identificados veículos produzidos em 2006, igualmente utilizados no transporte diário de passageiros.

O tempo de utilização desses veículos supera o limite normalmente adotado em diversos sistemas de transporte coletivo urbano do país, onde há políticas de renovação periódica da frota.

Além da idade avançada, passageiros relatam problemas recorrentes envolvendo estado de conservação, falhas mecânicas, quebras durante a operação e desconforto nas viagens.

Vans não oferecem acessibilidade

Outro problema apontado pelos usuários diz respeito à falta de acessibilidade.

Grande parte dos veículos em operação não possui plataforma elevatória, rampas de acesso ou espaços destinados ao transporte de cadeirantes, contrariando exigências previstas na legislação federal sobre acessibilidade no transporte coletivo.

Também são frequentes as reclamações sobre degraus elevados, corredores estreitos e dificuldades de embarque para idosos, gestantes e pessoas com mobilidade reduzida.

Além da inexistência de adaptações, o espaço interno reduzido das vans dificulta a circulação dos passageiros durante as viagens.

Configuração das vans gera questionamentos

Outro ponto observado está relacionado ao tipo de veículo empregado na operação.

As vans utilizadas no sistema municipal possuem rodagem simples no eixo traseiro, configuração destinada a veículos de menor capacidade de carga.

Especialistas em transporte apontam que essa configuração não foi concebida para operações intensivas de transporte coletivo urbano, principalmente em serviços com elevada demanda de passageiros ao longo do dia.

Entre os fatores apontados estão menor capacidade de carga, maior desgaste dos pneus, aumento das exigências de manutenção e menor estabilidade em comparação aos micro-ônibus e ônibus equipados com rodagem dupla.

Enquanto diversas cidades passaram a substituir vans por veículos específicos para transporte coletivo, o modelo permanece predominante no sistema Interbairros de Parnamirim.

Veículos com irregularidades também foram identificados

As denúncias recebidas ao longo dos últimos meses também identificaram situações envolvendo o emplacamento de veículos utilizados no transporte remunerado de passageiros.

Em um dos casos, uma van utilizada na operação da linha 5 foi identificada utilizando placa cinza, destinada a veículos particulares.

Pelas normas previstas no Código de Trânsito Brasileiro e nas regulamentações do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), veículos destinados ao transporte remunerado de passageiros devem possuir emplacamento específico para essa finalidade.

A utilização de veículo particular em serviço remunerado pode configurar infração prevista no artigo 231 do Código de Trânsito Brasileiro, sujeita às penalidades previstas na legislação.

Fiscalização anunciada ainda não foi implantada

Em setembro de 2025, representantes da Secretaria Municipal de Segurança, Defesa Social e Mobilidade Urbana (Sesdem) de Parnamirim participaram de uma reunião técnica na Secretaria de Mobilidade Urbana de Natal (STTU).

Na ocasião, foram apresentados projetos relacionados à fiscalização do transporte opcional da capital, incluindo a operação Rodar Legal, responsável pelo recadastramento e vistoria da frota.

Segundo informações divulgadas na época, a Prefeitura de Parnamirim estudava implantar uma ação semelhante para o sistema Interbairros, com foco na realização de inspeções, atualização cadastral dos permissionários e fiscalização dos veículos em circulação.

Entretanto, até o momento, não foi anunciada a realização dessa operação nem divulgados resultados de eventuais vistorias gerais na frota do sistema.

Sistema atende cerca de 20 mil passageiros diariamente

O transporte Interbairros é responsável pela ligação entre diversos bairros do município e o Centro de Parnamirim, atendendo aproximadamente 20 mil passageiros por dia.

Além da ausência de integração tarifária, usuários também relatam alterações de itinerários, superlotação, demora entre viagens e interrupções ocasionadas por problemas mecânicos.

As reclamações também envolvem o estado de conservação dos veículos, a inexistência de climatização, a limitação do espaço interno e a falta de condições adequadas para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Modernização permanece sem previsão

Enquanto outras cidades promovem processos de renovação de frota, implantação de sistemas eletrônicos de fiscalização e exigências relacionadas à acessibilidade dos veículos, o sistema Interbairros continua operando com características semelhantes às observadas há décadas.

Até o momento, não foi anunciada pela Prefeitura de Parnamirim uma licitação para modernização do serviço nem um cronograma oficial para substituição da frota atualmente utilizada nas linhas municipais.

Também não foram divulgadas informações sobre limites máximos de idade dos veículos em operação, inspeções periódicas obrigatórias ou medidas destinadas à adaptação da frota às normas federais de acessibilidade.

Fotos: Arquivo/PORTAL UNIBUS/Ilustração

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