TML de Lisboa visitou o Centro de Controle Operacional de Goiânia para conhecer a tecnologia que prioriza ônibus nos cruzamentos do BRT
Representantes da Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) visitaram Goiânia nesta quinta-feira (27) para conhecer o sistema de controle operacional e de prioridade semafórica utilizado nos corredores de BRT da capital de Goiás. A delegação esteve no Centro de Controle Operacional (CCO), onde são acompanhados os ônibus, os cruzamentos e as informações utilizadas para ajustar o funcionamento dos semáforos.
A tecnologia permite que os ônibus sejam identificados durante a aproximação dos cruzamentos e recebam prioridade na programação semafórica. O sistema utiliza sensores instalados nos veículos e ao longo dos corredores, comunicação com a central de controle e recursos de monitoramento da operação.
A visita ocorreu poucos dias depois da conclusão da metronização do BRT Leste-Oeste, que passou a contar com os cinco quilômetros finais da tecnologia em 21 de agosto. Segundo dados divulgados pela Prefeitura de Goiânia, a velocidade média dos ônibus no eixo passou de 16 km/h para mais de 21 km/h.
TML avalia semaforização inteligente
A TML é responsável pelas funções de autoridade de transportes na Área Metropolitana de Lisboa e avalia soluções relacionadas à semaforização inteligente, tecnologia e informação em tempo real.
O interesse da delegação portuguesa incluiu o funcionamento do sistema implantado em Goiânia e a forma como os recursos tecnológicos são integrados ao controle da operação dos ônibus.

A visita também dá continuidade a um intercâmbio iniciado anteriormente, quando representantes de Goiânia estiveram em Lisboa para conhecer o sistema de transporte da região.
O sistema apresentado no CCO utiliza informações sobre a localização dos ônibus para ajustar a programação dos semáforos. A prioridade busca reduzir o tempo de espera dos coletivos nos cruzamentos e diminuir as interrupções ao longo dos corredores.
BRT Leste-Oeste passou a ter 18 quilômetros com a tecnologia
A conclusão dos cinco quilômetros finais da metronização do BRT Leste-Oeste fez com que, segundo a Prefeitura, o eixo passasse a contar com 18 quilômetros atendidos pela tecnologia.
Antes da implantação, os ônibus paravam em 52% dos cruzamentos. Após a instalação do sistema, a Prefeitura informa que os veículos encontram sinal verde em aproximadamente 90% dos cruzamentos.
Também houve redução na quantidade de paradas diante dos semáforos. O número, que era superior a 30 ao longo do percurso, passou para uma média de sete.
A administração municipal informa ainda que o tempo de viagem entre os terminais Novo Mundo e Padre Pelágio foi reduzido em 15 a 20 minutos.
A velocidade média dos ônibus passou de 16 km/h para mais de 21 km/h. Considerando 21 km/h como referência mínima do resultado divulgado, o aumento corresponde a 31,25%. Como a Prefeitura informa que a velocidade superou 21 km/h, o percentual efetivo de crescimento é superior a esse valor.
A administração municipal anunciou também a expansão da tecnologia de prioridade semafórica para todo o BRT Norte-Sul.
Como funciona a prioridade semafórica
A tecnologia utilizada no BRT de Goiânia reúne equipamentos instalados nos ônibus e na infraestrutura dos corredores.
Os sensores permitem identificar a aproximação dos veículos aos cruzamentos. Essas informações são transmitidas ao Centro de Controle Operacional, que acompanha a operação e utiliza os dados para ajustar os semáforos.
Com a programação específica, o sistema pode priorizar a passagem dos ônibus nos cruzamentos. A medida reduz a necessidade de paradas diante dos sinais e interfere diretamente no tempo de percurso dos veículos.
Além da prioridade semafórica, o sistema de controle reúne informações operacionais em tempo real. Esses dados permitem acompanhar a circulação dos ônibus e os cruzamentos que fazem parte dos corredores.
TML não é o metrô de Lisboa
A Transportes Metropolitanos de Lisboa não é a empresa responsável pela operação do metrô ferroviário da capital portuguesa.
A TML exerce a função de autoridade de transportes da Área Metropolitana de Lisboa. Entre suas atribuições estão o planejamento, a organização, o financiamento, a definição tarifária, a fiscalização e a articulação dos serviços de transporte de passageiros.
A entidade também está relacionada à organização da Carris Metropolitana, rede de ônibus que atende os municípios da área metropolitana.
A operação rodoviária da Carris Metropolitana é realizada por empresas privadas contratadas em quatro áreas geográficas. A rede reúne mais de 700 linhas e cerca de 12 mil pontos. A Carris Metropolitana atende integralmente os serviços intermunicipais da região e também realiza a operação municipal em 15 dos 18 municípios da área metropolitana.
Lisboa, Cascais e Barreiro mantêm suas próprias operações municipais.
BRT Lisboa-Oeiras ainda não está em operação
Outro ponto de diferenciação envolve o projeto de BRT previsto para Lisboa e Oeiras.
O chamado Metrobus Lisboa-Oeiras, também apresentado como BRT Lisboa-Oeiras ou Transporte Rápido Lisboa-Oeiras, ainda não está em operação. O projeto integra o planejamento de mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa para o período de 2026 a 2030.
A proposta prevê uma ligação por ônibus entre Lisboa e Oeiras, com 21 quilômetros de canal dedicado, 29 paradas e utilização de ônibus 100% elétricos.
O projeto está estruturado em dois eixos principais: Alcântara-Algés e Benfica-Algés. O atendimento previsto inclui também regiões como Ajuda, Restelo, Miraflores, Linda-a-Velha, Alfragide e Colégio Militar.
A proposta prevê integração com metrô, trens, ônibus, elétricos e modos de mobilidade ativa.
A configuração planejada considera 16 ônibus elétricos e aproximadamente 22 mil passageiros por dia, com atendimento direto a uma área onde vivem mais de 90 mil pessoas. O investimento estimado é de aproximadamente € 93,5 milhões, e a entrada em funcionamento foi projetada para 2028.
Em abril de 2026, a Câmara de Lisboa informou que o projeto estava na etapa relacionada ao estudo de impacto ambiental.
Goiânia já opera BRT, enquanto Lisboa prepara novo corredor
Os sistemas de Goiânia e Lisboa partem de uma característica comum: a utilização de prioridade física e operacional para os ônibus com o objetivo de reduzir interferências do tráfego geral.
A diferença está no estágio de implantação.
Em Goiânia, os corredores BRT já estão em funcionamento e passam por modernização com a instalação da prioridade semafórica. Em Lisboa e Oeiras, o projeto de BRT ainda está em fase de implantação e planejamento.

O Metrobus Lisboa-Oeiras foi projetado para funcionar em canal dedicado e utilizar exclusivamente ônibus elétricos. Em Goiânia, os principais eixos contam com infraestrutura segregada em parte relevante dos trajetos, além de estações e terminais. As linhas, entretanto, também podem deixar as vias exclusivas e seguir por trechos compartilhados com os demais veículos.
Os sistemas tecnológicos de controle também aparecem nos dois planejamentos.
Em Goiânia, a prioridade semafórica já está em funcionamento e foi o principal elemento apresentado à delegação portuguesa. Lisboa prevê ampliar o uso de inteligência artificial no controle da operação da Carris e inclui a modernização dos sistemas semafóricos entre as ações de mobilidade previstas para 2026.
Goiânia também testa novas tecnologias de propulsão
A transição energética é outro ponto presente nos sistemas de transporte das duas regiões.
O projeto do Metrobus Lisboa-Oeiras prevê exclusivamente ônibus elétricos. Goiânia possui uma frota que ainda utiliza predominantemente motores a combustão, mas já incorporou ônibus elétricos e veículos movidos a biometano ao processo de renovação da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos.
A visita da TML ocorreu em um período em que Goiânia também passou a ser analisada em um levantamento nacional sobre os sistemas de BRT.
O estudo divulgado pela NTU considera dois sistemas na capital goiana: Leste-Oeste/Anhanguera e Norte-Sul. Juntos, eles possuem 30,5 quilômetros classificados especificamente como infraestrutura BRT e outros 70,7 quilômetros de operação em tráfego compartilhado.
A extensão da rede operacional associada aos dois sistemas chega a 101,2 quilômetros.
Diferentes critérios explicam os números de extensão
Os números referentes à extensão dos corredores podem variar conforme o critério utilizado.
Os 18 quilômetros divulgados pela Prefeitura correspondem à extensão do BRT Leste-Oeste atendida pela metronização.
Já o levantamento nacional separa os trechos classificados como infraestrutura BRT daqueles percorridos pelos ônibus em vias compartilhadas com o trânsito geral.
No caso do BRT Leste-Oeste, o estudo considera 13 quilômetros de via BRT e 50,9 quilômetros de trechos compartilhados associados às linhas.
O levantamento nacional identificou 17 sistemas de BRT em 15 cidades brasileiras, distribuídos por 35 corredores. Ao todo, são 556 quilômetros de vias dedicadas ao transporte coletivo por ônibus.
Goiânia aparece na pesquisa com os sistemas Leste-Oeste/Anhanguera e Norte-Sul. O Eixo Anhanguera foi implantado em 1976, enquanto o BRT Norte-Sul entrou em operação posteriormente.
Financiamento também esteve entre os temas
Durante a visita, a delegação portuguesa também analisou a forma de financiamento do transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia.
Na RMTC, o valor pago pelos passageiros não corresponde sozinho ao custo da operação. Estado e municípios participam do financiamento do sistema por meio do arranjo estabelecido para o transporte metropolitano.
A TML possui, em Portugal, entre suas atribuições legais, funções relacionadas ao financiamento do serviço público, das infraestruturas e das compensações vinculadas às tarifas sociais.
Na Área Metropolitana de Lisboa, a integração tarifária ocorre por meio do sistema Navegante, que permite a utilização de diferentes operadores nos 18 municípios da região.
As estruturas de transporte das duas regiões possuem diferenças. Goiânia organiza sua rede metropolitana principalmente em torno dos ônibus e dos corredores estruturais, enquanto Lisboa possui uma rede que combina metrô, trens suburbanos, ônibus municipais e metropolitanos, transporte fluvial, elétricos e outros serviços.
A visita da TML a Goiânia teve como principal foco o funcionamento da prioridade semafórica, recurso que integra o controle operacional do BRT e que permitiu reduzir as paradas dos ônibus nos cruzamentos do eixo Leste-Oeste.
Fotos: Alex Malheiros/Divulgação/SET
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