Sancetur e Jabour vencem lotes na segunda etapa do Sistema Rio

Sancetur e Jabour vencem lotes na segunda etapa do Sistema Rio

Licitação do Sistema Rio define novos contratos para Santa Cruz, Guaratiba, Campo Grande e Bangu, com aumento da frota de 654 para 1.006 ônibus

A segunda etapa da licitação do Sistema Rio definiu, nesta sexta-feira (28), as empresas que apresentaram as melhores propostas para três contratos de operação do transporte municipal por ônibus. A Sancetur venceu os lotes A1-B6, de Santa Cruz e Guaratiba, e C1-C2, de Bangu. A Auto Viação Jabour apresentou a melhor proposta para o lote B1-B8, que reúne Campo Grande e Guaratiba. Dois outros lotes, H1-I3 e H2, não receberam propostas.

O processo faz parte da implantação do novo modelo de concessão do transporte coletivo do Rio de Janeiro, que prevê uma divisão da rede em diferentes áreas territoriais e contratos. Nesta etapa, os três lotes que receberam propostas vencedoras deverão ampliar a quantidade de ônibus em circulação de 654 para 1.006 veículos, aumento de aproximadamente 54%.

A proposta da Sancetur para o lote A1-B6 foi de R$ 10,40 por quilômetro rodado. Para o C1-C2, a empresa apresentou proposta de R$ 11,78 por quilômetro. Já a Auto Viação Jabour apresentou R$ 10,64 por quilômetro para o B1-B8.

O critério utilizado na concorrência foi o menor valor por quilômetro rodado. Após a abertura das propostas, a sessão foi suspensa para a análise da documentação de habilitação jurídica e técnica. Dessa forma, o resultado anunciado ainda precisa cumprir as etapas seguintes do procedimento administrativo.

Frota aumenta para 1.006 ônibus

A segunda etapa da licitação prevê alterações na quantidade de linhas e veículos disponíveis nas áreas contempladas. No lote A1-B6, que reúne Santa Cruz e Guaratiba, a previsão é passar de 17 para 19 linhas e de 207 para 311 ônibus.

No B1-B8, de Campo Grande e Guaratiba, serão 23 linhas, ante as 21 previstas anteriormente. A frota deverá aumentar de 174 para 291 veículos.

Já o lote C1-C2, de Bangu, terá 29 linhas, contra 28 no modelo anterior, e a quantidade de ônibus deverá subir de 273 para 404.

Somados, os três contratos passam de 66 para 71 linhas e de 654 para 1.006 ônibus.

A previsão da Prefeitura é que os novos veículos relacionados a essa etapa comecem a operar no primeiro trimestre de 2027.

Sancetur amplia participação no Sistema Rio

A Sancetur já atua no sistema municipal do Rio de Janeiro por meio da marca SOU Rio de Janeiro e integra o Consórcio Santa Cruz. No modelo atualmente vigente, a empresa está identificada pelo prefixo operacional D33000.

A estrutura utilizada na nova licitação, porém, não reproduz diretamente a divisão dos antigos consórcios. Na primeira configuração do Sistema Rio, a principal área relacionada à Sancetur estava no lote estrutural B1, de Campo Grande.

Esse lote não recebeu propostas na primeira etapa da licitação, realizada em fevereiro de 2026. Com isso, a Sancetur continuou atendendo a região de forma provisória.

Na segunda etapa, o antigo B1 foi incorporado ao contrato B1-B8, que reúne Campo Grande e Guaratiba. A proposta vencedora para esse lote foi apresentada pela Auto Viação Jabour.

A Sancetur, por outro lado, apresentou as melhores propostas para A1-B6 e C1-C2. A empresa havia ampliado sua participação no sistema em 2025, quando assumiu linhas anteriormente operadas pela Transportes Barra. No início de 2026, a operação sob o prefixo D33000 havia alcançado aproximadamente 30 linhas.

Jabour fica com lote de Campo Grande e Guaratiba

A Auto Viação Jabour apresentou a proposta vencedora para o B1-B8, contrato que reúne as áreas de Campo Grande e Guaratiba e prevê uma frota de 291 ônibus.

A empresa possui operação concentrada em áreas como Campo Grande, Rio da Prata, Pedra de Guaratiba, Magarça, Ilha de Guaratiba e Barra de Guaratiba.

Ao mesmo tempo, parte das linhas atualmente relacionadas à operação da Jabour aparece no lote C1-C2, que foi vencido pela Sancetur. Entre os serviços incluídos na rede colocada em licitação estão as linhas 802, entre Campo Grande e Bangu; 864, entre Campo Grande e Terminal Sulacap; e 918, entre Bangu e Bonsucesso.

O novo desenho, portanto, modifica a distribuição das linhas entre os operadores em relação à estrutura existente.

Campo Grande também terá mudança na operação

A reorganização de Campo Grande inclui ainda o lote B2, de caráter local, que já foi concedido ao Grupo Comporte.

A implantação começou com sete linhas: 808, 821, 822, 833, 841, 869 e 893. Essas linhas não correspondem ao núcleo principal da operação atualmente associada à Jabour, que permanece distribuído por diferentes áreas no novo planejamento.

Na primeira etapa da licitação do Sistema Rio, realizada em fevereiro, o Grupo Comporte foi o único interessado e apresentou propostas para os lotes A2, em Santa Cruz, e B2, em Campo Grande. O lote B1, que naquele momento correspondia à área estrutural de Campo Grande, não recebeu propostas.

Os contratos da primeira etapa foram assinados em março de 2026. A implantação prevê a ampliação conjunta da frota de Campo Grande e Santa Cruz de 104 para 316 ônibus.

Novo modelo prevê frota zero quilômetro

Os contratos do Sistema Rio estabelecem novos requisitos para os veículos que serão utilizados na operação. A nova frota deverá ser composta por ônibus zero quilômetro e acessíveis.

Entre os equipamentos previstos estão ar-condicionado, sensores de temperatura, carregadores USB e USB-C, GPS integrado ao Centro de Controle Operacional, botão de emergência para o motorista, painéis eletrônicos de informação aos passageiros e câmeras internas de segurança.

Os veículos deverão seguir o padrão ambiental Euro VI. A modelagem também prevê a possibilidade de utilização de tecnologias de energia limpa, incluindo gás natural, biometano e ônibus elétricos.

Os Sistemas Inteligentes de Transporte, conhecidos como ITS, permitirão o acompanhamento da frota em tempo real. A estrutura será utilizada para monitoramento da operação, fiscalização e acompanhamento dos indicadores de desempenho previstos nos contratos.

A remuneração dos operadores será vinculada principalmente à quilometragem realizada, à programação cumprida e aos indicadores de qualidade. A tarifa continuará sendo arrecadada pelo sistema público de bilhetagem e poderá ser complementada pelo Município por meio de subsídio quando a receita tarifária não for suficiente para cobrir a remuneração contratual.

Dois lotes ficam sem propostas

Além dos três contratos que tiveram propostas vencedoras, a segunda etapa da licitação do Sistema Rio incluiu os lotes H1-I3 e H2, que não receberam propostas.

O H1-I3 reúne áreas como Ilha do Governador e Vila Isabel, enquanto o H2 corresponde a outra área da Ilha do Governador.

Os dois contratos representam aproximadamente R$ 417,39 milhões em valores estimados. Já os três lotes que receberam propostas vencedoras somam cerca de R$ 982,55 milhões.

A segunda etapa foi precedida por consulta pública realizada entre abril e maio de 2026, que recebeu mais de 905 contribuições. O edital definitivo foi publicado em julho e reuniu cinco contratos: A1-B6, B1-B8, C1-C2, H1-I3 e H2.

Sistema Rio prevê substituição gradual dos contratos atuais

O novo modelo foi estruturado para substituir progressivamente a organização criada pela licitação de 2010, quando o transporte municipal foi dividido entre quatro grandes consórcios: Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz.

A implantação do Sistema Rio ocorre de forma gradual. O planejamento municipal prevê 34 recortes territoriais, sendo 22 estruturais e 12 locais. Esses recortes podem ser agrupados em contratos diferentes, como ocorreu nesta segunda etapa.

A modelagem também prevê concessões sem exclusividade permanente e permite que uma mesma empresa conquiste mais de um contrato. A Prefeitura mantém mecanismos para redefinir linhas, redistribuir serviços entre lotes e acompanhar a operação por meio de instrumentos de controle.

Após a assinatura dos contratos, a previsão é de emissão da Ordem de Início em até 30 dias. O período de transição poderá chegar a quatro meses, seguido pela Operação Assistida. A Rede Plena deverá ser implantada em até nove meses após a Ordem de Início.

A previsão para a chamada Rede Plena Expandida é 25 de agosto de 2028, quando deverá ser concluída a substituição da estrutura contratual estabelecida em 2010.

Até essa data, os contratos atualmente vigentes continuarão coexistindo com os novos contratos do Sistema Rio, conforme o cronograma de implantação das diferentes etapas.

Fotos: Alexandre de Carvalho/Ilustração / Alex Bernardes/Ônibus Mania/Ilustração

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