Operação do Gaeco mira suposto financiamento do PCC e investiga empresa ligada ao transporte em São Paulo

Operação do Gaeco mira suposto financiamento do PCC e investiga empresa ligada ao transporte em São Paulo

Ministério Público cumpre mandados de prisão e busca e apreensão para investigar suposto esquema de lavagem de dinheiro, financiamento do PCC e ligação de investigados com empresa de transporte coletivo em São Paulo

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado de São Paulo, deflagrou nesta terça-feira (21) uma operação para investigar uma suposta estrutura de financiamento do Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações também apuram um suposto esquema conhecido como “Tribunal do Crime”, utilizado, segundo os promotores, para decidir sobre punições ou absolvições de integrantes da organização criminosa.

Ao todo, estão sendo cumpridos 18 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão. Além das medidas cautelares, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores pertencentes aos investigados.

Segundo o Ministério Público, as investigações buscam identificar a estrutura financeira utilizada para movimentar recursos provenientes de atividades ilícitas, além de apurar o destino dos valores e os responsáveis pela administração do esquema.

Investigação aponta atuação de empresas de fachada

De acordo com o Gaeco, o dinheiro investigado teria origem em recursos obtidos por meio de atividades criminosas e seria encaminhado para contas bancárias de empresas de fachada.

As apurações indicam que uma das estratégias utilizadas para ocultar a origem dos recursos consistia no pagamento de comissões a operadores financeiros conhecidos como doleiros, responsáveis por realizar a lavagem do dinheiro sem justificativa comercial compatível com as operações registradas.

O Ministério Público investiga o fluxo financeiro dessas operações, bem como a participação de pessoas físicas e jurídicas na movimentação dos recursos.

Investigado é apontado como sócio de empresa de ônibus

Entre os alvos da operação está Alexandre Salles Brito, conhecido como “Buiu”. Segundo o Gaeco, ele seria um dos responsáveis por movimentações financeiras relacionadas às chamadas “fintechs” do crime, expressão utilizada pelos promotores para se referir às estruturas financeiras investigadas.

Buiu é apontado como sócio da empresa de ônibus UPBus, que operava linhas do transporte coletivo na zona Leste da capital paulista.

A empresa foi alvo, em abril de 2026, da Operação Fim da Linha, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo para apurar uma suposta ligação entre empresas que atuavam no sistema de transporte coletivo administrado pela São Paulo Transporte (SPTrans) e integrantes do crime organizado.

Após o avanço das investigações, a Prefeitura de São Paulo descredenciou a UPBus do sistema municipal. As linhas anteriormente operadas pela empresa passaram a ser atendidas pela Alfa Rodobus.

Alexandre Salles Brito e o ex-sócio da empresa, Ubiratan Antônio da Cunha, também foram presos novamente em maio deste ano, no decorrer das investigações relacionadas ao caso.

Operação amplia apurações sobre estrutura financeira

Segundo o Ministério Público, a investigação busca esclarecer como os recursos eram movimentados entre empresas e operadores financeiros, além de identificar possíveis mecanismos utilizados para ocultar a origem dos valores.

Os promotores também apuram a eventual utilização de empresas para movimentação de recursos financeiros ligados ao grupo criminoso, bem como a participação de pessoas apontadas como responsáveis pela administração desses ativos.

As medidas judiciais autorizadas nesta terça-feira incluem apreensão de documentos, equipamentos eletrônicos e demais materiais que possam contribuir para o avanço das investigações.

Foto: Kauan Vieira / Carlos Alberto Matias / Renan B. Deodato / Paulo Gustavo/Ônibus em Foco / Gustavo Sodré

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