Prefeitura de São Paulo decreta intervenção na Transunião após operação contra esquema investigado pelo MP

Prefeitura de São Paulo decreta intervenção na Transunião após operação contra esquema investigado pelo MP

Empresa que opera 50 linhas de ônibus na zona Leste será administrada pela SPTrans por seis meses após decisão judicial; Prefeitura afirma que o atendimento aos passageiros continuará normalmente

A Prefeitura de São Paulo publicou, na tarde desta quinta-feira (25), o decreto que oficializa a intervenção da SPTrans na empresa Transunião Transportes. A medida atende a uma determinação da Justiça, expedida após pedido do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil no âmbito da Operação Última Parada, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro, fraudes em contratos e licitações e suspeitas de ligação da empresa com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

O decreto estabelece que a intervenção terá duração inicial de seis meses. Para conduzir o processo, foi nomeado como interventor Ângelo Fêde, servidor da Prefeitura há mais de quatro décadas, integrante da diretoria operacional da SPTrans e com atuação desde a antiga Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC).

Além do interventor, será criado um comitê composto por representantes da Controladoria Geral do Município, da Secretaria Municipal da Fazenda e da Procuradoria Geral do Município. O decreto também autoriza a SPTrans a solicitar apoio da Guarda Civil Metropolitana caso seja necessário o acesso às instalações da empresa durante o período de intervenção.

A Transunião opera dois lotes do sistema municipal de transporte na zona Leste da capital paulista. Atualmente, a empresa é responsável por 50 linhas de ônibus e atende aproximadamente 262 mil passageiros por dia. Segundo a Prefeitura, a operação seguirá normalmente durante a intervenção, sem interrupção dos serviços prestados à população.

Em entrevista coletiva, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que a decisão segue o mesmo procedimento adotado anteriormente nos casos das empresas UPBus e Transwolff, que também passaram por intervenção após operações conduzidas pelo Ministério Público.

Segundo o prefeito, a prioridade da administração municipal é assegurar a continuidade do transporte coletivo e impedir qualquer vínculo entre concessionárias do sistema e organizações criminosas. Nunes também declarou que todos os pagamentos de salários, fornecedores e credores da empresa serão mantidos pela administração pública durante a intervenção, garantindo a continuidade das operações.

O prefeito ressaltou que, após a confirmação da intervenção, a Prefeitura avaliará as alternativas previstas nos contratos, que incluem eventual readequação operacional, transferência da operação para outra empresa ou até mesmo a declaração de caducidade da concessão, caso seja necessário.

Operação investiga lavagem de dinheiro e fraudes

A Operação Última Parada foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio da concessionária de transporte coletivo.

Durante a operação, foram presos diretores da Transunião e o vereador Senival Moura (PT), presidente da Comissão de Transportes da Câmara Municipal de São Paulo. Também foi preso Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, apontado pelos investigadores como um dos diretores ocultos da empresa.

Segundo o Ministério Público, as investigações apontam que o vereador teria utilizado sua influência política para favorecer a transferência de recursos públicos destinados à empresa.

O promotor Lincoln Gakiya afirmou que as investigações demonstram preocupação com a infiltração do crime organizado no setor de transporte coletivo urbano e destacou que a condição de Senival Moura como presidente da Comissão de Transportes representa um fator considerado relevante dentro da apuração.

Justiça determina bloqueio de bens e afastamento da diretoria

Além da intervenção administrativa e operacional da SPTrans, a Justiça determinou o afastamento dos diretores da Transunião e o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados e à empresa.

Também foram decretados o sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações, como parte das medidas judiciais relacionadas à investigação.

A decisão ainda estabelece que a Prefeitura assuma não apenas a operação das linhas de ônibus, mas também a gestão administrativa e financeira da concessionária, garantindo a continuidade dos serviços enquanto prosseguem as investigações.

De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, as investigações começaram após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da empresa, em 2020. Desde então, foram reunidos elementos que, segundo os investigadores, indicam a existência de um núcleo paralelo responsável por decisões estratégicas da concessionária, incluindo movimentações financeiras destinadas a integrantes da organização criminosa investigada.

Os órgãos também apontam suspeitas sobre alterações na estrutura societária da empresa e na origem dos recursos utilizados para o aumento do capital social da concessionária.

Serviço continuará normalmente

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que todas as linhas operadas pela Transunião continuam funcionando normalmente e que a frota permanece em circulação sem prejuízo ao atendimento dos passageiros.

A administração municipal informou ainda que adotará todas as providências previstas na decisão judicial e reforçou que a prioridade é manter a prestação do serviço durante todo o período da intervenção.

O caso representa a terceira intervenção promovida pela Prefeitura em empresas do sistema municipal de transporte coletivo após operações conduzidas pelo Ministério Público. Anteriormente, a UPBus deixou de operar no sistema após a transferência de suas linhas para outra concessionária, enquanto as linhas da Transwolff deverão passar por novo processo de licitação após a reorganização operacional anunciada pelo município.

Foto: Ciete Silvério/Prefeitura de São Paulo/Ilustração

Siga o Portal UNIBUS nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.