Curitiba ainda tem 680 ônibus fora da vida útil, segundo empresas

Curitiba ainda tem 680 ônibus fora da vida útil, segundo empresas

Número caiu desde janeiro, mas ônibus fora da vida útil ainda representam 47,06% das 1.445 unidades consideradas no levantamento

As empresas responsáveis pela operação do transporte coletivo de Curitiba informaram que 680 dos 1.445 ônibus considerados no levantamento estão fora da vida útil prevista. O número representa 47,06% da frota utilizada como base no balanço divulgado em setembro de 2026.

Em janeiro, eram 749 veículos nessa condição. Houve, portanto, uma redução de 69 ônibus no período. Apesar da queda no número total, o levantamento mostra aumento entre os ônibus comuns.

A quantidade de ônibus comuns considerados fora da vida útil passou de 265, em janeiro, para 271 em setembro. O número corresponde a 56,22% das 482 unidades dessa categoria.

Entre os veículos biarticulados, a quantidade praticamente não se alterou. Eram 101 de um total de 165 em janeiro e passaram a ser 100 de 164 no levantamento atual, o equivalente a 60,98%.

Ônibus comuns têm aumento no número de veículos fora da vida útil

Os dados divulgados pelas empresas mostram comportamentos diferentes entre as categorias de veículos.

Entre os 482 ônibus comuns considerados no balanço de setembro, 271 estão acima da idade prevista como vida útil. O percentual é de 56,22%.

Em janeiro, eram 265 veículos nessa situação entre 481 ônibus comuns. Na comparação entre os dois períodos, houve aumento de seis unidades consideradas fora da vida útil.

Nos biarticulados, a quantidade passou de 101 para 100 veículos. A categoria atualmente possui 164 unidades consideradas no levantamento, das quais 100 estão fora da vida útil, segundo as empresas.

Já entre os ônibus Padron, são 146 veículos nessa condição em uma frota de 318 unidades. O percentual é de 45,91%.

O documento não detalha individualmente as demais categorias que compõem o total de 1.445 veículos utilizados como referência no levantamento.

Empresas afirmam ter enviado mais de 30 ofícios à Urbs

As operadoras afirmam que encaminharam mais de 30 ofícios à Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs) desde 2018 tratando da substituição e da renovação dos ônibus.

Segundo as empresas, a incorporação de novos veículos às linhas depende de autorização da Urbs. As operadoras afirmam que algumas autorizações para renovação foram concedidas, mas que o volume de veículos autorizado não teria atendido à quantidade solicitada ao longo dos anos.

O levantamento divulgado em setembro utiliza 2018 como referência para o histórico de mais de 30 ofícios encaminhados à Urbs.

As empresas também sustentam que o processo de envelhecimento da frota não estaria relacionado à falta de interesse em realizar investimentos e defendem que a substituição dos veículos seja considerada independentemente da futura licitação do transporte coletivo.

Licitação prevê cinco novas concessões

O debate sobre a idade da frota ocorre paralelamente ao processo de licitação que deverá substituir os atuais contratos do transporte coletivo de Curitiba.

O edital definitivo da nova concessão foi publicado em 19 de agosto de 2026. A entrega das propostas, garantias e demais documentos está prevista para 17 de novembro, na B3, em São Paulo. O leilão está marcado para 26 de novembro.

A futura concessão foi dividida em cinco lotes: dois destinados ao BRT e três regionais.

O lote BRT1 terá 20 linhas, enquanto o BRT2 contará com 17. Os lotes regionais foram divididos entre as regiões Norte, com 100 linhas; Sul, com 92; e Oeste, com 84.

Os contratos previstos no edital terão duração de 15 anos.

O critério econômico estabelecido para a disputa será o maior percentual de desconto sobre a remuneração mensal de referência de cada lote. Empresas brasileiras e estrangeiras poderão participar individualmente ou em consórcio, e um mesmo interessado poderá disputar mais de um lote.

Prefeitura prevê R$ 3,9 bilhões em investimentos

A Prefeitura de Curitiba estima investimentos de aproximadamente R$ 3,9 bilhões ao longo dos 15 anos dos futuros contratos de concessão.

Segundo o planejamento divulgado pelo município, a maior parte dos recursos deverá ser destinada à frota. Também estão previstos investimentos em eletropostos e novas estações-tubo.

O plano prevê a entrada de 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031. Desse total, seriam 141 biarticulados, 98 articulados, sete veículos Padron e quatro ônibus comuns.

Para a futura concessão, a Urbs estabelece idade média máxima de sete anos para a frota. O limite de idade previsto é de 12 anos para ônibus movidos a combustão e de 15 anos para veículos elétricos.

Empresas e Prefeitura apresentam posições diferentes

As empresas relacionam a situação atual da frota às autorizações necessárias para a incorporação de novos veículos e afirmam que o histórico de pedidos de renovação é anterior ao atual processo de licitação.

A Prefeitura, por outro lado, apresenta a nova concessão como o mecanismo para promover a modernização do transporte coletivo. O projeto municipal inclui renovação da frota, ônibus elétricos, veículos Euro 6, ar-condicionado, mudanças operacionais, integração temporal e novos indicadores de qualidade.

As duas posições fazem parte da discussão sobre a renovação dos contratos e a situação atual dos ônibus que circulam na capital paranaense.

Disputa judicial acompanha licitação do transporte

O processo de licitação também ocorre em meio a disputas judiciais envolvendo as atuais concessionárias e o poder público.

As empresas defendem a conclusão de estudos destinados a avaliar, entre outros pontos, a vantajosidade econômica das alternativas para o futuro do sistema.

A Prefeitura e a Urbs sustentam que esses estudos não impedem a realização da licitação e afirmam que não houve compromisso de prorrogação dos contratos atuais.

Em julho, o Superior Tribunal de Justiça retirou uma restrição que impedia a publicação do edital durante 180 dias, mas manteve a obrigação de retomada e conclusão dos estudos. Posteriormente, o Tribunal de Justiça do Paraná considerou possível a continuidade simultânea dos estudos e da licitação.

Uma nova ação judicial passou a questionar a realização da concorrência antes da conclusão dos estudos. Entre os argumentos apresentados está a possibilidade de empresas interessadas assumirem custos com garantias, consultorias, preparação de propostas e formação de consórcios sem conhecer o resultado final das análises.

Até o momento, a licitação permanece em andamento.

Foto: Gabriel Brook/Ilustração / José Fernando Ogura/SECOM

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