Porto Alegre já opera 90,5% dos ônibus sem cobradores

Porto Alegre já opera 90,5% dos ônibus sem cobradores

Mudança alcança 90,5% da operação em agosto de 2026; algumas linhas ainda mantêm cobradores por características da operação e por regras trabalhistas

A operação do transporte público por ônibus de Porto Alegre já é realizada sem cobradores em 90,5% dos serviços. O percentual corresponde ao cenário registrado em agosto de 2026, segundo dados da Secretaria de Mobilidade Urbana da capital gaúcha.

A retirada gradual da função foi estabelecida por lei em 2021. A legislação previa que o processo fosse concluído até 1º de janeiro de 2026.

Algumas linhas, porém, continuam operando com cobradores. Entre os motivos estão características específicas do embarque, manutenção da função em determinados horários e situações de estabilidade previstas na legislação.

Algumas linhas ainda utilizam cobradores

Entre os serviços que continuam com cobradores estão linhas que circulam pelo corredor de ônibus da Avenida Sertório.

Nesse grupo estão as linhas R62, 721, 727, 731, 756, 761 e 762.

Nesses serviços, o embarque ocorre pelo lado esquerdo dos veículos, em plataformas elevadas, característica que impede a operação sem cobrador em determinadas condições.

Também existem linhas com maior volume de passageiros nas quais as empresas responsáveis solicitaram a manutenção dos cobradores durante os horários de maior movimento.

Além dessas situações, permanecem na função trabalhadores que possuem estabilidade prevista em lei, incluindo representantes dos funcionários e integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (Cipa).

Cerca de 100 cobradores permanecem na atividade

Segundo informações do Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre, entre 100 e 120 cobradores ainda permanecem em atividade.

O número representa uma redução em relação aos anos anteriores à implantação da lei. Naquele período, a categoria chegou a reunir aproximadamente 2,5 mil profissionais.

Parte dos trabalhadores deixou a função por aposentadoria. Outros foram reaproveitados em diferentes atividades dentro das empresas e dos consórcios responsáveis pelo transporte.

Entre as funções assumidas estão motorista, almoxarifado, portaria, lavagem e manutenção de veículos.

Parte dos cobradores foi reaproveitada

A retirada da função não significou a saída de todos os profissionais do sistema de transporte.

Segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana, trabalhadores foram capacitados para exercer novas atividades. O processo permitiu o aproveitamento de parte da mão de obra existente nos consórcios operadores.

Um dos caminhos adotados foi a formação de profissionais para a função de motorista.

A mudança também ocorre em um cenário de redução da utilização do dinheiro como meio de pagamento das passagens.

Apenas 12% dos passageiros pagam em dinheiro

Segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana, cerca de 12% dos usuários ainda utilizam dinheiro para pagar a tarifa dentro dos ônibus.

O percentual corresponde a aproximadamente 72,6 mil passageiros em um universo de 605 mil passageiros transportados em um dia útil.

A redução do uso de dinheiro é um dos fatores considerados pelo município no processo de retirada dos cobradores.

O transporte também passou a oferecer alternativas de pagamento e aquisição antecipada de passagens por meio de recursos eletrônicos.

Tarifa técnica é de R$ 7,35

A retirada dos cobradores também está inserida em um conjunto de medidas adotadas desde 2021 para reduzir custos do sistema de transporte.

Segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana, sem essas medidas, a tarifa técnica poderia chegar a R$ 8,50.

Atualmente, a tarifa técnica é de R$ 7,35.

A operação sem cobrador faz parte das mudanças adotadas na estrutura de custos do transporte coletivo de Porto Alegre.

Motoristas acumulam outras atividades

Com a redução da presença dos cobradores, os motoristas passaram a desempenhar outras tarefas durante a operação dos ônibus.

Além da condução do veículo, o profissional pode precisar lidar com o embarque e o desembarque de passageiros, inclusive pessoas com deficiência, prestar informações aos usuários e realizar operações relacionadas ao pagamento quando necessário.

A mudança ocorre de forma diferente conforme a linha e o modelo operacional adotado.

Em determinados serviços, a ausência do cobrador já é regra. Em outros, a função continua sendo mantida por características específicas da operação.

Prefeitura não definiu prazo para retirada total

Apesar de a legislação de 2021 estabelecer prazo para a extinção da função, a Secretaria de Mobilidade Urbana informou que ainda existem situações que impedem a retirada completa.

A Prefeitura pretende ampliar ao longo de 2026 a quantidade de viagens realizadas sem cobrador e trabalha para reduzir a utilização de dinheiro diretamente nos ônibus.

Não há, neste momento, uma data definida para que toda a operação municipal passe a funcionar sem cobradores.

Passageiros podem utilizar cartão e QR Code

Para reduzir a necessidade de pagamento em dinheiro dentro dos ônibus, a Prefeitura orienta os passageiros a utilizar o cartão TRI de Passagem Antecipada.

O cartão pode ser emitido gratuitamente e receber recargas por meio do TRI App.

O aplicativo também permite adquirir passagens avulsas por QR Code. As compras podem ser feitas individualmente ou em pacotes de até 10 unidades, com pagamento por Pix.

Depois da aquisição, o QR Code fica disponível no aplicativo e pode ser apresentado para validação na roleta do ônibus.

Com a ampliação dessas formas de pagamento, o município mantém o processo de redução da operação com cobradores, enquanto algumas linhas continuam utilizando esses profissionais por características operacionais e situações previstas na legislação.

Foto: Alex Rocha/PMPA/Ilustração

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