Rodoviários rejeitam proposta do Rio Ônibus e mantêm estado de greve no Rio de Janeiro

Rodoviários rejeitam proposta do Rio Ônibus e mantêm estado de greve no Rio de Janeiro

Categoria recusou oferta de 5% de reajuste salarial e 6% na cesta básica e decidiu negociar diretamente com cada empresa de ônibus

Os rodoviários do município do Rio de Janeiro decidiram manter o estado de greve após rejeitarem, por unanimidade, a proposta apresentada pelo sindicato patronal Rio Ônibus durante a última audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ). A decisão foi tomada em assembleia realizada na tarde de quinta-feira (23), na sede do Sindicato dos Rodoviários, em Rocha Miranda.

Além de rejeitar a proposta salarial, a categoria aprovou uma mudança na estratégia de negociação. A partir de agora, as tratativas serão realizadas diretamente entre o sindicato dos trabalhadores e cada empresa de ônibus, o que poderá resultar em paralisações pontuais, sem a necessidade de uma greve geral em todo o sistema de transporte coletivo da capital fluminense.

A assembleia reuniu cerca de 250 trabalhadores e ocorreu após mais uma rodada de negociações mediada pelo TRT-RJ, que terminou sem consenso entre representantes dos empregados e das empresas.

Categoria rejeita proposta de reajuste apresentada pelo Rio Ônibus

A proposta apresentada pelo Rio Ônibus previa reajuste salarial de 5% e aumento de 6% no valor da cesta básica.

Os trabalhadores decidiram rejeitar a oferta por unanimidade, entendendo que os índices apresentados não atendem às reivindicações da categoria.

Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, a negociação passará a ocorrer de forma individual com cada empresa, permitindo que eventuais paralisações sejam restritas às empresas onde não houver acordo.

De acordo com o dirigente sindical, a medida também busca reduzir os impactos para a população caso ocorram interrupções no serviço.

Negociações serão realizadas empresa por empresa

A principal mudança aprovada durante a assembleia foi a substituição da negociação coletiva com o sindicato patronal por tratativas diretas entre o sindicato dos trabalhadores e cada empresa operadora.

Com essa estratégia, poderão ser firmados acordos coletivos específicos nas empresas que apresentarem avanços nas negociações.

Nas empresas onde não houver consenso, a categoria poderá convocar paralisações localizadas, mantendo o estado de greve aprovado pela assembleia.

O estado de greve não representa paralisação imediata das atividades, mas permite que movimentos paredistas sejam convocados caso as negociações não avancem.

Sindicato também recorrerá à Justiça do Trabalho

Durante a assembleia, os trabalhadores aprovaram ainda o ingresso de ações na Justiça do Trabalho para cobrar das empresas o pagamento ou o cumprimento do intervalo diário de 30 minutos.

Segundo o sindicato, esse período estaria sendo utilizado pelas empresas como “tempo de placa”, intervalo em que motoristas permanecem à disposição das operadoras nos pontos finais realizando o embarque de passageiros.

A entidade pretende discutir judicialmente o cumprimento desse intervalo previsto para a jornada dos trabalhadores.

Quinta rodada de negociação terminou sem acordo

A audiência realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região marcou a quinta rodada de negociação entre representantes da categoria e das empresas de ônibus.

Durante as tratativas, o Rio Ônibus manteve a proposta de reajuste salarial de 5%, enquanto os rodoviários reduziram a reivindicação inicial de 17% para 12%.

Apesar da redução da pauta salarial apresentada pelo sindicato, não houve consenso entre as partes.

Após o encerramento da audiência, foi concedido prazo de dez dias para que trabalhadores e empresas apresentem recursos ao tribunal.

Rio Ônibus afirma que negociações continuam

Em nota, o Rio Ônibus informou que permanece negociando com o Sindicato dos Rodoviários e aguarda os desdobramentos da assembleia para dar continuidade às tratativas.

A categoria havia suspendido uma paralisação prevista para o dia 2 de julho com o objetivo de permitir o avanço das negociações mediadas pelo TRT-RJ.

Sem acordo após as rodadas de negociação, os trabalhadores decidiram manter o estado de greve e iniciar uma nova fase de negociações diretamente com cada empresa de ônibus que opera o transporte coletivo no município do Rio de Janeiro.

Foto: Reprodução Busão Carioca @busao_carioca

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