Emplacamentos de ônibus caem no acumulado do ano, mas junho registra recuperação
O mercado brasileiro de ônibus encerrou o primeiro semestre de 2026 com redução de 7,97% nos emplacamentos em comparação com o mesmo período do ano passado. Entre janeiro e junho foram licenciadas 12.990 unidades, contra 14.115 registradas no primeiro semestre de 2025.
Apesar da retração no acumulado, os dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram recuperação no desempenho mensal. Entre maio e junho deste ano, os emplacamentos passaram de 2.074 para 2.580 unidades, crescimento de 24,4%. Na comparação com junho de 2025, quando foram registrados 2.359 veículos, a alta foi de 9,37%.
O primeiro semestre também foi marcado por temas que influenciaram o setor, entre eles a ampliação das frotas de ônibus elétricos, os efeitos do aumento do preço do diesel, o programa Move Brasil para renovação de frota e o andamento das licitações do programa Caminho da Escola.
Mercedes-Benz mantém liderança do mercado brasileiro
No acumulado do primeiro semestre, a Mercedes-Benz permaneceu na liderança do mercado brasileiro de ônibus.
Entre janeiro e junho foram emplacadas 6.201 unidades da fabricante, participação equivalente a 47,74% do mercado nacional.
A Volkswagen ficou na segunda posição, com 2.796 veículos licenciados e participação de 21,52%.

Na sequência aparece a Iveco, com 1.574 unidades emplacadas, respondendo por 12,12% do mercado.
Os números consideram o mercado nacional de ônibus urbanos, rodoviários, micro-ônibus e demais segmentos de transporte coletivo.
Mercado de ônibus elétricos cresce quase 90% no semestre
Enquanto o mercado geral apresentou retração, o segmento de ônibus elétricos registrou crescimento.
Entre janeiro e junho de 2026 foram emplacadas 589 unidades, frente às 311 registradas no mesmo período do ano anterior. O resultado representa crescimento de 89,39%.
O desempenho também foi impulsionado pelo resultado de junho. O número de veículos licenciados passou de 132 unidades em maio para 278 em junho, crescimento de 110,61%.

Na comparação com junho de 2025, quando foram registrados 34 ônibus elétricos, o aumento chegou a 717,65%.
Segundo os dados do setor, esse desempenho está diretamente relacionado às entregas realizadas para operadores de transporte público, principalmente na cidade de São Paulo, que concentra aproximadamente 80% da frota nacional de ônibus elétricos.
Durante o mês de junho também ocorreu a entrega de cerca de 500 ônibus elétricos destinados a diferentes operadores do transporte público.
Eletra mantém liderança entre fabricantes de ônibus elétricos
No acumulado do primeiro semestre, a parceria entre a Eletra Industrial e a Induscar-Caio permaneceu na liderança do mercado brasileiro de ônibus elétricos.
As empresas registraram 224 unidades emplacadas entre janeiro e junho, alcançando participação de 38,03% do segmento.
A Eletra lidera o mercado nacional de ônibus elétricos desde o início das medições realizadas em 2019.
O desempenho de junho apresentou alterações no ranking mensal das fabricantes.
A chinesa CRRC liderou o mês com 90 unidades licenciadas. Segundo o setor, esse resultado decorre de uma operação específica destinada ao Grupo Comporte para utilização no sistema de transporte público do Distrito Federal.
Na sequência apareceram Eletra-Caio, Mercedes-Benz, Volkswagen, Higer, BYD e Volvo.
A Mercedes-Benz ultrapassou a BYD no acumulado do mês utilizando apenas o modelo eO-500 U, enquanto a fabricante chinesa, que havia liderado maio, passou para a sexta posição em junho.
Segundo representantes do mercado, oscilações desse tipo são comuns devido ao perfil das entregas de ônibus elétricos, normalmente concentradas em grandes contratos públicos.
Recursos do Move Brasil para empresas já foram utilizados
Durante a apresentação dos números do mercado, a Fenabrave informou que os recursos destinados às empresas dentro do programa Move Brasil já foram comprometidos.
O programa reservou R$ 2 bilhões para aquisição de ônibus e micro-ônibus, dentro de uma linha total de R$ 21,2 bilhões destinada à renovação da frota nacional de veículos pesados.

Segundo o diretor executivo da Fenabrave, Marcelo Franciulli, os efeitos do programa ainda deverão aparecer nos próximos meses, uma vez que parte dos veículos financiados ainda será emplacada.
De acordo com a entidade, os recursos continuam disponíveis para transportadores autônomos.
A Fenabrave informou que, entre os fatores que explicam a menor utilização da linha pelos autônomos, estão as dificuldades de acesso ao crédito, a necessidade de aprovação cadastral e o tempo necessário para negociação junto às instituições financeiras.
BNDES informou que recursos para ônibus avançaram mais rapidamente
Em balanço divulgado anteriormente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que, até 16 de junho, havia aprovado R$ 10 bilhões dos R$ 21,2 bilhões previstos para o programa Move Brasil, equivalente a 47,1% do total disponível.
No segmento de ônibus, a execução ocorreu em ritmo mais acelerado.
Dos R$ 2 bilhões reservados para aquisição de ônibus e micro-ônibus, aproximadamente R$ 1,6 bilhão já havia sido aprovado, correspondendo a cerca de 80% dos recursos destinados ao setor.
O banco também lançou uma cartilha com orientações sobre o funcionamento da linha de financiamento destinada à renovação de frota.
Programa oferece financiamento para empresas e transportadores autônomos
Coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Move Brasil prevê recursos para aquisição de ônibus, micro-ônibus, caminhões e outros veículos pesados fabricados no país.
As operações são realizadas por instituições financeiras credenciadas ao BNDES, responsáveis pela análise de crédito e encaminhamento das propostas.
Para empresas do transporte de passageiros, o prazo de financiamento pode chegar a 120 meses, com até seis meses de carência. Para empresas do transporte de cargas, o prazo pode alcançar 60 meses.
No caso dos transportadores autônomos, o financiamento pode chegar a 120 meses, com até 12 meses de carência.
Segundo o BNDES, as taxas de juros podem chegar a 12,36% ao ano, podendo ser reduzidas para 11,26% ao ano quando houver entrega de veículo usado destinado à desmontagem.
O programa permanecerá recebendo propostas até 28 de agosto de 2026, com prazo para comunicação das contratações ao BNDES até 28 de setembro de 2026, podendo ser encerrado antes caso a dotação orçamentária seja integralmente utilizada.
Foto: Renato Alves/GDF/Ilustração / Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília / Ciete Silvério – Prefeitura de São Paulo – Ilustração
Siga o Portal UNIBUS nas redes sociais





