Relatório indica que ônibus elétricos já representam cerca de 50% do mercado global e coloca o Brasil entre os países com potencial de crescimento da eletrificação
Os ônibus elétricos deverão consolidar sua posição como principal modalidade de transporte coletivo sobre pneus nas próximas décadas. A projeção consta no relatório Perspectivas para Veículos Elétricos em 2026, divulgado pela BloombergNEF (BNEF), divisão de pesquisa estratégica da Bloomberg especializada em mercados globais de commodities e tecnologias ligadas à transição para uma economia de baixo carbono.
Segundo o levantamento, os ônibus elétricos já respondem por aproximadamente 50% do mercado mundial de emplacamentos do segmento. A projeção da BloombergNEF indica que os veículos eletrificados deverão alcançar participação de 74% nas vendas globais até 2035, com o Brasil figurando entre os mercados considerados relevantes para essa expansão.
O estudo aponta que a adoção de veículos elétricos ocorre de forma diferente entre os diversos segmentos do transporte e entre os mercados globais. De acordo com a análise, ônibus e veículos de duas e três rodas lideram esse processo de transição, aproximando-se da marca de metade das vendas globais.
Enquanto isso, vans, caminhões e automóveis de passeio movidos à eletricidade continuam em processo de crescimento e podem ultrapassar 50% das vendas mundiais até 2035.
De acordo com a BloombergNEF, as vendas globais de veículos elétricos de passageiros deverão atingir 23,3 milhões de unidades em 2026. O volume representa crescimento de 11% em relação ao ano anterior e é impulsionado principalmente pelo mercado chinês, além da expansão observada na Europa, Sudeste Asiático, Índia, México e Brasil.
Brasil aparece entre os mercados em expansão
O relatório destaca o Brasil entre os mercados que apresentam crescimento da eletrificação do transporte. No caso dos ônibus urbanos, a cidade de São Paulo tem papel central nesse processo.
Atualmente, a capital paulista concentra mais de 80% da frota nacional de ônibus elétricos. Desde 17 de outubro de 2022, a legislação municipal passou a impedir a aquisição de novos ônibus movidos exclusivamente a diesel para o sistema de transporte coletivo gerenciado pela SPTrans.

A BloombergNEF ampliou sua cobertura de mercados na edição de 2026 do estudo, incluindo países como México e Espanha. A análise contempla ainda Estados Unidos, China, Japão, Índia, Canadá, Coreia do Sul, Austrália, Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Brasil, países nórdicos e nações do Sudeste Asiático.
Além das projeções de vendas, o relatório incorpora novos modelos de avaliação para veículos híbridos plug-in, preços regionais de baterias, custos totais de propriedade e atualizações sobre tecnologias ligadas à cadeia produtiva de baterias.
Demanda por baterias continua liderada pelo transporte
A pesquisa indica que o transporte rodoviário permanece como principal fonte de demanda por baterias de íon-lítio em todo o mundo.
Apesar disso, o crescimento projetado para o setor é menor do que o previsto em levantamentos anteriores. Segundo a BloombergNEF, essa mudança decorre da desaceleração das vendas de veículos totalmente elétricos em alguns mercados e do aumento da participação de híbridos plug-in e modelos com extensor de autonomia, que utilizam baterias menores.
Ao mesmo tempo, a demanda por sistemas de armazenamento estacionário de energia vem ampliando a necessidade de novas capacidades produtivas.
O relatório aponta que fabricantes como General Motors, Ford e Volkswagen ampliam seus investimentos em negócios relacionados a baterias, incluindo aplicações voltadas ao armazenamento de energia em larga escala.
Infraestrutura de recarga segue em expansão
Outro aspecto analisado pela BloombergNEF é o crescimento da infraestrutura pública de carregamento.
Segundo os dados apresentados, as redes públicas de recarga para veículos elétricos cresceram 28% em 2025 na comparação com o ano anterior, alcançando 6,7 milhões de conectores instalados em todo o mundo.

Para 2026, a previsão é de continuidade da expansão, embora em ritmo menor, com crescimento estimado de 19% nas novas instalações.
A China continua liderando a instalação de carregadores, mas outros mercados também registram crescimento. O estudo aponta que o número de conectores ultrarrápidos instalados na Europa e nos Estados Unidos aumentou quase 50% em 2025 em comparação com o ano anterior.
São Paulo amplia frota de ônibus elétricos
No Brasil, a cidade de São Paulo segue ampliando a presença dos veículos elétricos no sistema municipal de transporte.
Neste domingo, 21 de junho de 2026, serão apresentados mais 500 ônibus elétricos destinados à operação do sistema administrado pela SPTrans.
Com a incorporação dos novos veículos, a frota elétrica da capital paulista passará de 1.259 para 1.759 unidades. Entre os novos veículos estão 104 ônibus articulados.
Mesmo com a ampliação, os ônibus elétricos representam 13,07% da frota total da cidade, composta por 13.460 veículos. O volume permanece abaixo da meta de 2,6 mil unidades que deveria ter sido alcançada até dezembro de 2024.
Durante reunião da Câmara Temática do Transporte Público do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT), realizada em 17 de junho, a SPTrans informou que a idade média da frota municipal chegou a 6 anos e 11 meses.
Dos 500 ônibus elétricos recentemente comercializados para as operadoras da capital paulista, 142 unidades foram produzidas pela Eletra, fabricante sediada em São Bernardo do Campo.
A apresentação da nova frota havia sido anunciada anteriormente pelo secretário municipal de Mobilidade e Transportes, Celso Jorge Caldeira, durante conferência Brasil–China realizada em São Paulo.
Foto: Ciete Silvério / Léu Britto – Monomito Filmes/WRI Brasil
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