Motoristas de ônibus treinam para desviar trechos alagados e esburacados na capital potiguar

Os motoristas de ônibus de Natal poderiam muito bem ser chamados de pilotos, pois são capazes de competir em qualquer rally. Os profissionais do volante que trafegam pelas ruas da capital têm treinamento diário em terrenos tortuosos e cheios de armadilhas, tudo isso correndo contra o tempo.
Comparações à parte, o estado das rotas percorridas pelos transportes coletivos é notoriamente precário, em termos de estrutura. Um dos pouquíssimos trechos da cidade que possui faixa exclusiva para os ônibus fica localizado na avenida Bernardo Vieira, que faz a ligação entre o bairro das Quintas, na zona Oeste, e Morro Branco, na zona Sul. O problema é que, a despeito de a via ter sido dividida para permitir a livre circulação dos coletivos, diminuindo o tempo das viagens e colaborando com a fluidez no trânsito, as falhas estruturais não só impedem que os objetivos primordiais da iniciativa sejam cumpridos como termina por agravar ainda mais uma situação que já é naturalmente caótica.
A divisão da pista não levou em consideração o fato de que só circulariam veículos pesados na via exclusiva. Como não foi feito nenhum tipo de adaptação na cobertura asfáltica, o tráfego intenso, aliado a um período de chuvas fortes, comprometeu severamente a integridade do trecho, transformando o trabalho dos motoristas em verdadeiro desafio.
O policial militar Antônio Neto, que aguardava o transporte em uma das paradas rodeadas de buracos, lamentava a atual situação da avenida Bernardo Vieira. “O estado do asfalto aqui é inacreditável. Para aguentar esse peso todo, deveriam ter instalado placas de concreto armado, da mesma maneira que estão sendo reformadas as BRs. Em Recife ocorreu a mesma coisa, o corredor da avenida Caxangá apresentou o mesmo problema e a solução encontrada foi a colocação desse material reforçado”, conta o policial.
A reportagem do Jornal de Hoje acompanhou parte da rota de um ônibus da empresa Reunidas que passa pelo local, linha 10-29, para analisar a real situação de motoristas e passageiros. O motorista Rogério de Souza contou que a ideia de se implementar o corredor exclusivo é excelente na teoria, mas precisa ser bem executada para não surtir o efeito contrário. “O objetivo dessa via era desafogar o trânsito e agilizar as viagens, mas não é o que tem acontecido. Temos que andar muito devagar, o tempo todo prestando atenção. Os buracos são tão fundos que corremos o risco de amassar a lataria dos veículos, se passarmos de qualquer jeito. Para completar, caso isso aconteça, quem paga o prejuízo é o motorista. Fica complicado trabalhar dessa maneira”, reclamou Souza.
A passageira Raiana Almeida fez coro às reclamações do motorista, denunciando os constantes atrasos. “Assim que o serviço começou era ótimo, mas com a atual situação da pista todo dia tem atraso. O ônibus tem que ficar desviando de toda essa buraqueira e a gente fica sacolejando de um lado para o outro. Tem trecho que é preciso invadir a faixa dos carros, porque é inviável seguir por dentro das crateras. Já vi muito acidente por conta disso”, relata.

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