Funcionários cobram pagamento de salários, vale-alimentação e férias; sindicato afirma que empresa descumpriu acordo firmado na Justiça do Trabalho
A paralisação dos trabalhadores da empresa de ônibus Monte Cristo, em Belém (PA), continua nesta terça-feira (21) e segue por tempo indeterminado. O movimento foi iniciado na manhã de segunda-feira (20) em protesto contra atrasos no pagamento de direitos trabalhistas, situação que afeta aproximadamente 100 funcionários da empresa.
Os trabalhadores reivindicam o pagamento de salários referentes aos meses de abril, maio e junho, além de dois meses de vale-alimentação em atraso. Também há cobranças relacionadas ao pagamento de férias, que, segundo a categoria, não estariam sendo quitadas dentro dos prazos previstos.
A mobilização conta com o acompanhamento do Sindicato dos Rodoviários de Belém (Sintrebel), que afirma buscar uma solução para regularizar os pagamentos e garantir os direitos dos trabalhadores.
Trabalhadores apontam atrasos em salários e benefícios
Segundo informações apresentadas pelos trabalhadores, os atrasos envolvem diferentes obrigações trabalhistas e atingem profissionais de diversos setores da empresa.
Entre os funcionários afetados estão motoristas, cobradores, mecânicos, lavadores e colaboradores da área administrativa.
Além dos salários pendentes, a categoria informa que há atraso no pagamento de dois meses de vale-alimentação e problemas relacionados às férias. De acordo com os trabalhadores, a empresa mantém, há anos, a prática de permitir que empregados iniciem e concluam o período de descanso antes do pagamento dos valores correspondentes.
A paralisação foi iniciada pelos próprios funcionários, que decidiram suspender as atividades diante da permanência das pendências financeiras.
Sindicato afirma que empresa descumpriu acordo
O Sindicato dos Rodoviários de Belém informou que acompanha o movimento e cobra da empresa a regularização imediata dos pagamentos.
Segundo a entidade, esta é mais uma paralisação registrada em um curto intervalo de tempo. O sindicato informou que, na mobilização anterior, houve mediação da Justiça do Trabalho, quando foi firmado um acordo prevendo o pagamento parcelado dos salários em atraso.

De acordo com a entidade sindical, esse compromisso não teria sido cumprido pela empresa, motivando a nova suspensão das atividades.
O sindicato também informou que, ao longo de 2026, já foram registrados diversos movimentos de paralisação relacionados aos atrasos salariais.
Frota reduzida também é apontada pelo sindicato
Outro aspecto destacado pelo sindicato é a redução da frota em operação.
Segundo a entidade, atualmente a empresa possui menos de 20 ônibus em circulação, número inferior ao registrado anteriormente, quando a operadora mantinha mais de 70 veículos em atividade.
O sindicato reconhece os impactos da paralisação para os passageiros, mas sustenta que a interrupção das atividades decorre da falta de pagamento aos trabalhadores.
Paralisação afeta linhas do transporte coletivo
A mobilização provocou alterações na operação de parte das linhas atendidas pela empresa Monte Cristo.
De acordo com informações divulgadas pelo sindicato durante o primeiro dia de paralisação, algumas linhas permaneceram sem operação, enquanto outras continuaram circulando parcialmente.
Entre as linhas afetadas estavam Sacramenta–Humaitá, Sacramenta–Bernardo Couto e Alcindo Cacela–Domingos Marreiros.
Já as linhas CDP/Providência, Pedreira–Nazaré, Sacramenta–São Brás, Alcindo Cacela — operada anteriormente pela empresa Canadá — e Pedreira–Lomas A (micro) permaneceram em funcionamento.
A situação operacional poderá ser alterada conforme o andamento das negociações entre trabalhadores, empresa e entidades envolvidas.
Setransbel atribui dificuldades à situação financeira do sistema
Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém (Setransbel) informou que a situação enfrentada pela empresa está relacionada às dificuldades financeiras da operadora, decorrentes do desequilíbrio econômico do sistema de transporte coletivo.
Segundo a entidade, o setor enfrenta, há anos, uma diferença entre a tarifa pública e o custo da operação, ao mesmo tempo em que registra aumento das despesas com combustível, manutenção, peças, salários e encargos.
O Setransbel também cita a redução do número de passageiros pagantes e a limitação das fontes de financiamento do sistema como fatores que impactam a sustentabilidade financeira das empresas.
Ainda de acordo com a entidade, a empresa mantém diálogo com os trabalhadores e com o sindicato da categoria na tentativa de regularizar as pendências e preservar a continuidade da operação.
Segbel acompanha os impactos na mobilidade
A Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade (Segbel) informou que acompanha a paralisação desde a manhã de segunda-feira.
Segundo o órgão, equipes monitoram a situação para reduzir os impactos na mobilidade urbana e orientar o trânsito nas áreas afetadas.
A secretaria também informou que continuará acompanhando o caso e adotará as medidas cabíveis dentro de suas atribuições.
Até a publicação desta matéria, a empresa Monte Cristo não havia se manifestado sobre a paralisação.
Fotos: Reprodução / Agência Belém
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