Categoria mantém paralisação após reunião sem acordo; audiência de conciliação foi adiada para 6 de julho e sistema segue operando abaixo do percentual determinado pela Justiça
A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro continuará após nova rodada de negociações realizada na tarde desta terça-feira (30). Em assembleia, a categoria decidiu manter a paralisação iniciada na segunda-feira (29), prolongando os impactos sobre o transporte público na capital fluminense.
Durante a reunião de conciliação, os empresários solicitaram o encerramento da greve e informaram que não fariam descontos referentes aos dias parados. Apesar da proposta, os trabalhadores decidiram manter o movimento.
Com isso, a audiência de conciliação foi adiada para a próxima segunda-feira (6), às 11h, quando representantes das empresas e do sindicato dos trabalhadores voltarão a discutir as reivindicações da categoria.
Segundo o sindicato que representa os rodoviários, permanece válida a proposta de dissídio coletivo aprovada em assembleia e encaminhada ao Rio Ônibus.
Entre as principais reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão novos reajustes salariais, contratação pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para profissionais que atuam no sistema BRT, vale-alimentação de R$ 1 mil, adoção da escala de trabalho 5×2, além da implantação de plano de saúde e plano odontológico.
Frota permanece abaixo do percentual mínimo definido pela Justiça
Enquanto as negociações seguem sem acordo, a operação do sistema de ônibus continua abaixo do percentual mínimo determinado pela Justiça do Trabalho.
Em entrevistas concedidas à Rádio CBN e à Record TV Rio, o porta-voz do Rio Ônibus, Paulo Valente, afirmou que aproximadamente 860 ônibus estavam em circulação durante a manhã desta terça-feira. O número é inferior aos cerca de 1.800 veículos que deveriam estar operando para atender à decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), que determinou a manutenção de 50% da frota durante a paralisação.
Em dias úteis sem greve, o sistema opera com aproximadamente 3 mil ônibus programados, sendo que cerca de 2.600 veículos costumam estar em circulação no mesmo período.
Segundo Paulo Valente, a redução da frota ocorreu em razão da baixa adesão de motoristas ao trabalho e de episódios de vandalismo registrados durante a madrugada.
Empresas relatam atos de vandalismo
O sindicato patronal informou que mais de 30 ônibus foram alvo de atos de vandalismo, principalmente em bairros da Zona Oeste, entre eles Jacarepaguá, Campo Grande, Santa Cruz e Sepetiba.



De acordo com Paulo Valente, além dos danos aos veículos, motoristas relataram receio de deixar as garagens diante das ameaças e dos episódios de depredação, situação que também contribuiu para reduzir a quantidade de ônibus em circulação.
Mais cedo, informações divulgadas apontavam que ao menos 50 ônibus que atendem à capital haviam sido vandalizados durante a paralisação.
O representante do Rio Ônibus afirmou ainda que as empresas mantiveram as garagens abertas e realizaram um apelo para que os profissionais comparecessem ao trabalho, com o objetivo de ampliar a oferta de viagens e cumprir a determinação judicial.
Empresas apontam limitações financeiras nas negociações
Durante as entrevistas, Paulo Valente afirmou que a proposta apresentada pelas empresas contempla a reposição da inflação. Segundo ele, a situação financeira enfrentada por parte das empresas limita a possibilidade de conceder reajustes superiores aos atualmente ofertados.
O porta-voz informou que diversas empresas do setor enfrentam dificuldades econômicas e processos de recuperação judicial, cenário que, segundo o sindicato patronal, reduz a capacidade financeira para atender às reivindicações salariais apresentadas pela categoria.
Ele também destacou que o atual modelo de remuneração do transporte público, baseado no pagamento por quilômetro rodado, integra discussões entre as empresas e a Prefeitura do Rio de Janeiro, mas ressaltou que a negociação salarial ocorre exclusivamente entre os sindicatos patronal e laboral.
Passageiros enfrentam impactos na mobilidade
Com a continuidade da greve, passageiros seguem enfrentando dificuldades para utilizar o transporte coletivo em diferentes regiões da cidade.
Ao longo do movimento, pontos de ônibus registraram filas e aumento do intervalo entre as viagens em diversas áreas da capital.
Para reduzir os impactos provocados pela diminuição da circulação dos ônibus municipais, os sistemas MetrôRio, SuperVia, Barcas Rio e Mobi-Rio reforçaram suas operações, ampliando a oferta de viagens para atender parte da demanda.
A expectativa das partes envolvidas é que a audiência de conciliação marcada para 6 de julho permita o avanço das negociações entre empresas e trabalhadores e defina os próximos encaminhamentos da campanha salarial da categoria.
Fotos: Jonathan Santos / Daniel F Ferreira / Guilherme Leonardo Viana / Grupo Busologia Carioca
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