Pesquisa aponta desaceleração da tarifa zero no Brasil após anos de expansão

Pesquisa aponta desaceleração da tarifa zero no Brasil após anos de expansão

Levantamento mostra redução no número de novas adesões ao modelo de gratuidade no transporte coletivo em municípios brasileiros

A política de tarifa zero no transporte público brasileiro continua presente em um número crescente de municípios, mas o ritmo de expansão registrado nos últimos anos apresentou desaceleração. É o que aponta um levantamento divulgado pelo Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), em parceria com a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) e entidades ligadas ao setor de mobilidade.

De acordo com os dados apresentados pela pesquisa, o número de cidades que passaram a adotar a gratuidade universal no transporte coletivo continuou aumentando, porém em uma velocidade inferior à observada em anos anteriores. O estudo mostra que, após um período de forte crescimento entre 2021 e 2024, o volume de novas adesões registradas recentemente foi menor.

O levantamento indica que a tarifa zero permanece como uma política adotada principalmente por municípios de pequeno e médio porte. Segundo os pesquisadores, as dificuldades relacionadas ao financiamento do sistema e à sustentabilidade econômica da medida estão entre os fatores que influenciam o ritmo de expansão observado atualmente.

Os dados mostram que a gratuidade integral no transporte coletivo continua concentrada em cidades com menor população e redes operacionais menos complexas. Em municípios maiores, a adoção do modelo ainda enfrenta desafios relacionados ao custeio das operações, à necessidade de subsídios permanentes e à busca por fontes de financiamento capazes de garantir a manutenção dos serviços.

Crescimento continua, mas em ritmo menor

O estudo destaca que a tarifa zero segue avançando no território nacional, mas em uma escala inferior à registrada durante o período de maior expansão. Nos últimos anos, diversas administrações municipais passaram a implementar a gratuidade total das passagens como alternativa para ampliar o acesso ao transporte coletivo e estimular o uso do sistema.

Segundo os pesquisadores, a desaceleração não representa uma interrupção da política, mas uma mudança no ritmo de crescimento. O levantamento aponta que o número de novas cidades aderindo ao modelo diminuiu em comparação aos anos anteriores, quando a expansão ocorreu de forma mais acelerada.

A pesquisa também observa que muitas cidades que já implantaram a tarifa zero continuam mantendo o programa em funcionamento. Dessa forma, o número total de municípios que oferecem gratuidade integral permanece em crescimento, ainda que a quantidade de novas adesões tenha sido reduzida.

Financiamento segue entre os principais desafios

De acordo com o levantamento, a discussão sobre as formas de financiamento continua sendo um dos principais pontos relacionados à expansão da tarifa zero no Brasil. O estudo destaca que a adoção do modelo exige mecanismos capazes de substituir a arrecadação obtida por meio das tarifas pagas pelos passageiros.

Dados de entidades do setor apontam que mais de 170 municípios brasileiros já contam com algum modelo de gratuidade total ou parcial no transporte público coletivo. A maior parte dessas experiências está localizada em cidades de pequeno e médio porte, onde os custos operacionais tendem a ser menores quando comparados aos grandes centros urbanos.

O levantamento também registra que o debate sobre novas fontes de financiamento ganhou espaço nos últimos anos. Entre as alternativas discutidas por especialistas e gestores públicos estão fundos específicos para mobilidade urbana, subsídios governamentais e modelos de financiamento compartilhado entre diferentes esferas da administração pública.

Cenário mantém discussão sobre transporte público

A pesquisa ressalta que a tarifa zero continua sendo tema presente nas discussões sobre mobilidade urbana em todo o país. O assunto tem sido objeto de estudos acadêmicos, análises de impacto econômico e debates sobre o financiamento do transporte coletivo.

Pesquisas recentes desenvolvidas por universidades brasileiras apontam diferentes cenários relacionados à implementação da gratuidade. Um dos estudos divulgados neste ano estimou que a adoção da tarifa zero nas capitais brasileiras poderia representar uma redistribuição de recursos superior a R$ 60 bilhões anuais, dependendo do modelo de financiamento utilizado.

Ao mesmo tempo, levantamentos do setor de transporte destacam que a ampliação da política em cidades de maior porte depende da criação de fontes permanentes de custeio e de mecanismos capazes de garantir o equilíbrio financeiro das operações.

O estudo divulgado agora aponta que, embora a tarifa zero continue presente na agenda da mobilidade urbana brasileira, o número de novas adesões registradas recentemente ficou abaixo dos patamares observados durante os anos de maior expansão da política, indicando uma desaceleração no ritmo de crescimento da gratuidade no transporte coletivo.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil / Ciete Silvério

Siga o Portal UNIBUS nas redes sociais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.