Ministério Público recomenda suspensão da licitação de ônibus de Curitiba até audiência judicial

Ministério Público recomenda suspensão da licitação de ônibus de Curitiba até audiência judicial

Parecer do Ministério Público do Paraná aponta conflito de versões entre concessionárias e Prefeitura sobre estudos de vantajosidade e passivo regulatório

A licitação de ônibus de Curitiba ganhou um novo desdobramento após manifestação do Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR). Em parecer assinado pela promotora Valéria Féres Borges, o órgão recomendou que a concorrência para a concessão do transporte coletivo da capital paranaense seja retomada apenas após a realização de uma audiência judicial entre as empresas que atualmente operam o sistema e a Prefeitura de Curitiba.

O posicionamento do Ministério Público ocorre em meio à discussão sobre a continuidade dos estudos de vantajosidade previstos nos contratos atuais e sobre a decisão do município de avançar com a nova licitação do transporte coletivo.

Segundo o parecer, existe uma “severa colisão de narrativas” entre os argumentos apresentados pelas concessionárias e pela administração municipal. O principal ponto de divergência envolve a definição sobre qual alternativa seria mais vantajosa para o interesse público: a renovação dos contratos vigentes, conforme previsão contratual, ou a realização de uma nova licitação, como vem sendo defendido pela gestão municipal.

As atuais concessões foram prorrogadas por meio de aditivo contratual até 31 de dezembro de 2026, enquanto a Prefeitura trabalha na estruturação do novo modelo de operação do sistema de transporte coletivo.

De acordo com o Ministério Público, as concessionárias alegam que a Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs) passou a criar obstáculos ao prosseguimento dos estudos conduzidos pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), contratada para avaliar aspectos regulatórios e econômicos relacionados ao sistema.

As empresas sustentam que, após a apresentação do Produto 01 dos estudos, que teria identificado um passivo regulatório potencial superior a R$ 584 milhões, o município teria direcionado esforços para a abertura da licitação antes da conclusão das demais etapas previstas.

Por outro lado, a Urbs argumenta que a interrupção dos trabalhos decorreu da falta de informações que deveriam ter sido apresentadas pelas próprias concessionárias. Segundo a autarquia, as empresas não teriam entregue planos de negócios e diretrizes de investimentos necessários para a continuidade das análises previstas nos Produtos 02 e 03 dos estudos.

Diante das versões divergentes apresentadas pelas partes, a promotora considerou recomendável a realização de audiência judicial para esclarecimento dos fatos antes do prosseguimento da concorrência.

O parecer foi emitido no âmbito da ação judicial movida pelas empresas operadoras do sistema de transporte coletivo. No processo, as concessionárias solicitam que a Justiça determine a retomada imediata dos estudos técnicos iniciados pela Fipecafi e a conclusão da análise de vantajosidade prevista em aditivo contratual firmado entre as partes.

As empresas defendem que a continuidade dos estudos é necessária para subsidiar a decisão sobre eventual renovação contratual ou realização de uma nova licitação. Segundo a ação, a interrupção das análises teria ocorrido antes da conclusão das etapas consideradas essenciais para a tomada de decisão.

O Ministério Público não decidiu sobre o mérito da disputa, mas destacou a necessidade de aprofundamento das discussões diante das informações apresentadas por ambas as partes. A decisão final sobre os pedidos formulados pelas concessionárias caberá ao Poder Judiciário.

Licitação prevê investimentos de R$ 3,9 bilhões

Enquanto a discussão judicial segue em andamento, a Prefeitura de Curitiba mantém a proposta de realização da nova licitação para o sistema de transporte coletivo da capital.

O modelo elaborado prevê contratos com duração de 15 anos e investimentos estimados em R$ 3,9 bilhões ao longo do período de concessão.

Entre as mudanças previstas estão a implantação da integração temporal em todo o sistema por meio do Bilhete Único, a divisão operacional em cinco lotes, a ampliação da frota de 1.189 para 1.234 ônibus e a incorporação de 250 veículos elétricos.

O projeto também prevê a construção de dois eletropostos públicos, a criação de cinco novas linhas, alterações em 30 itinerários e intervenções em estações-tubo do sistema.

Segundo os estudos divulgados pela Prefeitura, os investimentos incluem aquisição de veículos, infraestrutura de recarga, equipamentos operacionais e melhorias voltadas ao funcionamento da rede de transporte coletivo.

O cronograma municipal prevê a publicação do edital e a realização do leilão para escolha dos futuros operadores do sistema. No entanto, a ação judicial movida pelas concessionárias e a manifestação do Ministério Público adicionam um novo elemento ao processo de discussão da licitação.

Atualmente, a Justiça ainda analisa os pedidos apresentados pelas empresas e deverá decidir sobre a continuidade dos estudos de vantajosidade e os demais pontos questionados na ação.

Foto: Divulgação/URBS / Isabella Mayer/SECOM (arquivo)

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