Sindicato dos rodoviários rejeitou proposta de reajuste baseada no IPCA e marcou nova assembleia para avaliar negociações com as empresas do setor
Os trabalhadores do transporte coletivo por ônibus da região do ABC Paulista aprovaram estado de greve durante assembleia realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do ABC (Sintetra). A decisão foi tomada após a rejeição da proposta apresentada pelas empresas do setor nas negociações da campanha salarial da categoria.
Com a medida, uma paralisação do transporte coletivo passa a ser considerada nas próximas semanas, embora as negociações entre trabalhadores e empregadores continuem em andamento. Uma nova assembleia está prevista para a próxima terça-feira, 2 de junho, quando os rodoviários deverão avaliar eventuais avanços nas tratativas e decidir os próximos passos do movimento.
O estado de greve não representa a interrupção imediata dos serviços, mas funciona como uma sinalização formal de que a categoria poderá deflagrar uma paralisação caso não haja acordo nas negociações salariais. Até o momento, os ônibus seguem operando normalmente nos municípios atendidos pelos sistemas municipais e intermunicipais da região.

A decisão envolve trabalhadores responsáveis pela operação de linhas municipais e também dos serviços metropolitanos administrados pela Next Mobilidade. Caso uma greve seja confirmada futuramente, o impacto poderá atingir passageiros de cidades como Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. O movimento também poderá afetar as linhas intermunicipais e o Corredor Metropolitano ABD, sistema que integra ônibus e trólebus operados na região metropolitana de São Paulo.
Segundo informações divulgadas após a assembleia, as empresas apresentaram proposta de reajuste salarial e atualização dos benefícios com base na reposição da inflação acumulada nos últimos 12 meses, medida calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A proposta, porém, não foi aceita pelos trabalhadores.
De acordo com o sindicato, a categoria reivindica ganho real nos salários, além de outras demandas relacionadas às condições de trabalho e aos benefícios concedidos aos profissionais do setor. As negociações permanecem abertas e novas propostas poderão ser discutidas antes da próxima assembleia.
Transporte coletivo do ABC pode ser afetado em diferentes cidades
A eventual paralisação poderá atingir sistemas de transporte coletivo administrados por diferentes empresas que operam nos municípios do ABC Paulista. Em Santo André, os serviços municipais são realizados pelo Consórcio União Santo André, formado pelas empresas Viação Guaianazes, Viação Curuçá, ETURSA, Viação Vaz e Suzantur, responsável pelo Sistema Tronco-Alimentado de Vila Luzita.
Em São Bernardo do Campo, a operação municipal é realizada pela BR-7 Mobilidade. Já em São Caetano do Sul, o transporte coletivo urbano é operado pela VIP – Viação Padre Eustáquio. Nos municípios de Diadema, Mauá e Ribeirão Pires, os serviços são administrados pela Suzantur. Em Rio Grande da Serra, a responsável pela operação é a Viação Talismã.
Além dos sistemas municipais, a decisão também envolve trabalhadores vinculados à Next Mobilidade, concessionária responsável pelas linhas intermunicipais comuns e seletivas que conectam cidades da região. A empresa também opera o Corredor Metropolitano ABD, que liga municípios do ABC à capital paulista por meio de ônibus e trólebus.
O corredor é utilizado diariamente por passageiros que realizam deslocamentos entre cidades da região metropolitana, concentrando parte significativa da demanda do transporte público local. Por isso, uma eventual paralisação poderá atingir usuários de diferentes municípios atendidos pela rede metropolitana.
Nova assembleia deve avaliar proposta das empresas
O Sintetra informou que uma nova assembleia será realizada no dia 2 de junho para apresentar aos trabalhadores possíveis avanços nas negociações com as empresas. A reunião deverá definir se haverá aceitação de uma nova proposta patronal ou se a categoria avançará para etapas posteriores do movimento grevista.
As empresas que participam das negociações afirmaram que permanecem abertas ao diálogo com os representantes dos trabalhadores. O processo segue em andamento e novas reuniões podem ocorrer antes da próxima deliberação da categoria.
O estado de greve foi aprovado em meio às discussões da campanha salarial dos profissionais do transporte coletivo da região. Entre os pontos debatidos estão reajustes salariais, atualização de benefícios e demais itens que compõem a remuneração dos trabalhadores do setor. A definição sobre eventual paralisação dependerá do resultado das negociações e das decisões que serão tomadas pelos rodoviários nas próximas assembleias.
Foto: Governo do Estado de São Paulo
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