PI: Cobrador de ônibus dribla colesterol e vira maratonista

Ele até poderia ser chamado de “Forrest Gump”, o famoso personagem interpretado pelo ator Tom Hanks, que saiu em disparada numa corrida histórica, atravessando todo os Estados Unidos. Só que o cobrador de ônibus Themilton Rodrigues, ao contrário do personagem, não iniciou sua carreira no atletismo como um passe de mágica. Sedentário, até mesmo devido à profissão que não exige tanta mobilidade, Seu Themilton, como é conhecido, precisou de um verdadeiro susto para chegar às pistas, ou melhor, às ruas.
A vida acomodada, sedentária, com alimentação desregrada foram indicativos cruciais para comprometer a saúde. Muito acima do peso, já sentindo fortes dores de cabeça e formigamento nas pernas, ele resolveu tomar uma atitude e procurar um médico. A consulta foi o marco para a mudança radicalnos seus hábitos, que logo mais o levaria a ser um dos melhores corredores de idade intermediária do estado.
“Eu estava com meu nível de colesterol altíssimo. Estava passando mal, sem boas expectativas e não tinha estímulo para fazer nada. Estava bem acima do peso, quase um obeso, e decidi buscar ajuda. Os meus primeiros exames denunciaram o meu estado crítico. Eu tinha duas escolhas: ou mudava de vida radicalmente ou então permaneceria no sedentarismo para ser vítima de várias doenças que poderiam me acometer. Preferi cuidar da minha saúde”, diz Themilton Rodrigues.
E mudou mesmo. Por coincidência ou destino, o plano de saúde de Seu Themilton oferecia um programa para pessoas que apresentavam o mesmo quadro clínico dele. Convidado a participar, aderiu ao modelo de treinos que modificou sua rotina. Aliada uma dieta rigorosa, as caminhadas passaram a ser seu passatempo favorito, quase que diariamente. Daí até se transformar em atleta, foi só um pulo.
As leves caminhadas foram ganhando um ritmo mais forte e logo se transformaram em 5km, 10km, 21km e 42km de corrida. Isso mesmo. Seu Themilton virou maratonista e, atualmente, participa de várias competições no Piauí e em outros lugares do país. A prova mais recente foi a Meia Maratona de Fortalezano início do mês de abril, quando chegou em primeiro lugar na sua categoria, com um tempo de 1h32min.
“Tive a possibilidade de conhecer esse programa e acabei ganhando muito gosto pelo atletismo de rua. Hoje, além de terapia, o esporte passou a fazer parte do meu cotidiano como a obrigação de me alimentar ou beber água. Não me imagino mais sem minhas corridas, sem esse estilo de vida que levo. É preciso muita força de vontade, basta você querer. Cheguei a um nível muito bom e tenho como meta baixar meu tempo em cada prova que participo”, comenta o maratonista.
Aos 51 anos, com fôlego de adolescente, seu Themilton, faz inveja a muita gente. Participante de luxo do GP Teresina Corrida de Rua, evento que aconteceu no dia 1º de maio em homenagem ao dia do Trabalhador pela quarta vez, ele conta que antes sentia vergonha ao correr nas ruas próximas à sua casa. Segundo o experiente corredor, isso ficou no passado e agora ele quer ser “espelho” para pessoas com idade um pouco mais avançada e que estão desacreditadas sobre a prática do esporte.
“Fazer esporte não é coisa só de gente nova não. Eu nunca havia feito nada e com 44 anos comecei a correr. A corrida de rua mudou a minha vida. Quando eu comecei foi difícil, tinha vergonha. Sempre achava que as pessoas me olhavam e ficavam falando: “Olha lá aquele senhor correndo”. Como se tivesse debochando. Mas não. Quero servir como exemplo e dizer que nunca é tarde para mudar. Nossa saúde deve vir sempre em primeiro lugar”, conta o corredor.
Com informações: Globoesporte.com

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