Veículos Azure A13 BR Plus têm capacidade para 87 passageiros, piso baixo integral e baterias CATL de 382 kWh; entrega e início da operação não foram informados
A empresa Rápido D’Oeste, concessionária do transporte público em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, concluiu a aquisição de duas unidades do ônibus elétrico Higer Azure A13 BR Plus. A negociação foi formalizada em reunião que contou com a presença de executivos da fabricante chinesa de veículos e de representantes da empresa pública responsável pelo gerenciamento da mobilidade urbana no município.
O encontro para a assinatura do acordo ocorreu no escritório comercial da Higer em São Paulo. Estiveram presentes o diretor da fabricante para a América Latina, Marcelo Barella; o diretor da concessionária Rápido D’Oeste, Roque Felício Neto; e o diretor-superintendente da RP Mobi, Marcelo Galli. A RP Mobi é a empresa estatal responsável por supervisionar e planejar as diretrizes do trânsito e dos transportes coletivos no município paulista.
No anúncio oficial relativo ao fechamento do negócio, a fabricante não detalhou prazos para a entrega física dos veículos nem a data exata em que as duas unidades começarão a operar no sistema de transporte de passageiros em Ribeirão Preto.
Especificações técnicas dos ônibus elétricos em Ribeirão Preto
Os veículos do modelo Azure A13 BR Plus adquiridos pela concessionária possuem 12,9 metros de comprimento e estão configurados com três portas para embarque e desembarque no lado direito da carroceria. A capacidade total homologada é de 87 passageiros, com disposição interna para 31 passageiros sentados e 56 em pé.

O modelo faz parte da linha de ônibus urbanos Azure A13 BR, projetada pela montadora chinesa para atender às exigências dos sistemas de transporte coletivo do mercado brasileiro. A opção Plus traz capacidade ampliada em comparação com a versão Padron da mesma série, que possui lotação máxima de 80 passageiros. A diferença de ocupação entre as versões resulta da distribuição dos assentos e do aproveitamento do salão de passageiros.
A construção dos veículos utiliza estrutura monobloco, na qual o chassi e a carroceria integram um único conjunto estrutural. Esse formato arquitetônico permite o reposicionamento dos componentes elétricos e o aproveitamento do espaço interno sem a necessidade de um chassi tradicional independente.
Sistema de baterias e autonomia do veículo elétrico
Os dois ônibus destinados a Ribeirão Preto serão equipados com conjuntos de baterias CATL BC5 com capacidade de armazenamento de 382 kWh. A garantia informada para o conjunto de baterias nessa configuração é de dez anos. O sistema de tração é integralmente elétrico e não depende de motores a combustão auxiliar.
A fabricação do modelo conta com componentes mecânicos e elétricos fornecidos por empresas globais do setor automotivo, como ZF, Bosch, Dana, Valeo e Wabco.

Em relação ao desempenho operacional, a autonomia dos ônibus varia conforme fatores práticos de utilização nas vias urbanas, incluindo a quantidade média de passageiros a bordo, a velocidade das viagens, o perfil topográfico dos itinerários, o uso contínuo do ar-condicionado e a quantidade de paradas por quilômetro. O índice de referência de 270 quilômetros divulgado pela marca para a versão Padron não é necessariamente idêntico para a versão Plus.
Os ônibus contam ainda com sistema de frenagem regenerativa. Essa tecnologia converte a energia cinética gerada durante as desacelerações e frenagens em energia elétrica, reaproveitando-a para o recarregamento parcial das baterias nas rotas urbanas.
Acessibilidade e piso baixo no transporte municipal
A configuração do modelo Azure A13 BR Plus apresenta piso baixo integral em toda a extensão do salão interno de passageiros, eliminando degraus de acesso nas portas de entrada e saída. A solução técnica facilita a circulação de passageiros e reduz em até 15% o tempo de embarque e desembarque nas paradas, a depender da demanda e da linha de operação.
Os veículos possuem equipamentos voltados ao uso diário dos usuários, tais como:
- Sistema de ar-condicionado com saídas de ar direcionadas por assento.
- Conectores USB para carregamento de aparelhos eletrônicos distribuídos pelo salão, inclusive na área de passageiros em pé.
- Projeto de iluminação interna com lâmpadas em LED.
- Vidros das janelas com tratamento de proteção contra radiação ultravioleta.
- Corrimãos estruturais e elementos padronizados de acessibilidade.
O catálogo da linha Azure inclui opções como sistema de ajoelhamento pneumático da suspensão, que rebaixa o nível do veículo em relação à calçada nas paradas, e rampas móveis de acesso. Os ônibus contam também com sistemas eletrônicos de assistência à frenagem e estabilidade, como ABS, EBS e ESC, conforme a especificação contratada.
Estratégia da fabricante para o mercado brasileiro de ônibus
A venda das unidades para a Rápido D’Oeste integra os planos de expansão comercial da Higer no segmento de ônibus elétricos no Brasil. Além das negociações em municípios do interior, a montadora busca apresentar a versão Azure A13 BR Plus à SPTrans, gestora do sistema de transporte público da cidade de São Paulo, local que reúne a maior frota urbana de ônibus elétricos do país, totalizando mais de 1,7 mil veículos operacionais.


O portfólio da marca voltado ao mercado nacional abrange modelos urbanos, articulados, rodoviários e veículos com células de combustível a hidrogênio. Entre as opções apresentadas para sistemas de alta capacidade está o modelo articulado E18EV, com capacidade declarada para 135 passageiros (30 sentados e 105 em pé), bateria CATL BC5 de 642 kWh e autonomia média estimada em 300 quilômetros. A recarga desse modelo é feita por duas tomadas CCS2 de até 220 kW, permitindo carregar de 20% a 100% em menos de duas horas e meia. A empresa prevê ainda o desenvolvimento de uma versão biarticulada com capacidade para até 250 passageiros.
Para sustentar a atuação comercial no país, a empresa mantém escritório executivo em São Paulo e um centro logístico e técnico na cidade de Piracicaba, no interior paulista. O espaço em Piracicaba foi estruturado para treinamento profissional, suporte de engenharia, nacionalização de autopeças e distribuição de componentes de reposição para o Brasil e América Latina. O planejamento de longo prazo da montadora prevê também estudos para a instalação de uma unidade fabril no território brasileiro.
Foto: Duarte Nogueira / Patrick Mouzer/Ilustração / Floripa Ônibus/Ilustração
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