Levantamento indica redução da velocidade dos coletivos em relação a 2019; às 17h, média chega a 12,37 km/h às quartas-feiras
A velocidade dos ônibus em São Paulo chega a 12,37 km/h às 17h, no início do horário de pico da tarde, segundo dados da SPTrans. A medição considera o deslocamento dos coletivos no trânsito da capital paulista e aponta que as menores velocidades são registradas durante o período em que os veículos seguem em direção aos bairros.
O levantamento mostra que as quartas-feiras apresentam a menor velocidade média nesse horário, de 12,37 km/h. Às segundas e terças-feiras, o índice chega a 13,08 km/h.
Fora dos períodos de maior movimento, os ônibus atingem velocidades mais altas. A maior média registrada ocorre durante a madrugada, chegando a 28,84 km/h às 2h das segundas-feiras.
Velocidade dos ônibus em São Paulo caiu em relação a 2019
Os dados da SPTrans também mostram diferenças entre as velocidades atuais e as registradas em 2019, antes da pandemia.
No horário de pico da manhã, quando os ônibus seguem em direção ao centro, a velocidade média atual é de 15 km/h. Em 2019, o índice era de 16 km/h.

Nas faixas exclusivas para ônibus, a média passou de 19 km/h em 2019 para 20 km/h atualmente. Já nos corredores, o índice atual é de 20 km/h, contra 22 km/h registrado anteriormente.
No sentido bairro, durante o pico da tarde, a velocidade média atualmente é de 16 km/h. Em 2019, era de 15 km/h.
Nas faixas exclusivas, a média permaneceu em 17 km/h nos dois períodos. Nos corredores, o índice passou de 20 km/h em 2019 para 19 km/h atualmente.
Velocidade varia conforme o tipo de via
A velocidade dos ônibus apresenta diferenças de acordo com o local de circulação. Nas vias de tráfego misto, os coletivos estão sujeitos às condições gerais do trânsito.
Nas faixas exclusivas e nos corredores, os veículos possuem áreas destinadas ao transporte coletivo, o que interfere nos índices registrados pela SPTrans.
A avenida 9 de Julho é citada como exemplo de via que possui trechos com corredores e outros sem estrutura exclusiva para os ônibus.
Em outras cidades, também são registradas velocidades diferentes no transporte coletivo. Em Paris, a média medida nos horários de pico em 2024 foi de 8,85 km/h. Em Barcelona, o índice foi de 10,8 km/h. Em Londres, chegou a 14,76 km/h.
Em Curitiba, a velocidade média operacional do sistema de BRT em faixas prioritárias durante o horário de pico é de 20 km/h. No transporte coletivo em vias de tráfego misto, a média é de 18 km/h. Serviços específicos, como o Ligeirão Pinheirinho-Atuba, podem chegar a aproximadamente 24 km/h.
Prefeitura cita novas faixas e corredores
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e a SPTrans informaram que a administração municipal entregou 54 quilômetros de faixas exclusivas para ônibus e um novo trecho do corredor Itaquera, na zona leste.
Também estão em andamento obras relacionadas aos BRTs Radial Leste e Aricanduva e aos corredores Celso Garcia, Itaquera, Santo Amaro, Amador Bueno da Veiga, Interlagos e Estrada de Itapecerica.
A administração municipal afirma que as intervenções devem contribuir para a velocidade média dos ônibus após a conclusão das obras.
A Prefeitura também informou que São Paulo possui 1.759 ônibus elétricos. A frota com ar-condicionado passou de 6.804 veículos em 2019 para 12.120 atualmente. Segundo a administração, todos os ônibus da frota operacional possuem entradas USB e conexão Wi-Fi.
Número de passageiros caiu após a pandemia
Os dados apresentados também mostram uma redução no número de passageiros transportados pelo sistema municipal de ônibus.
Em julho de 2019, foram transportadas quase 212 milhões de pessoas. Em julho de 2026, o número foi de 166,5 milhões, segundo os dados da SPTrans mencionados no levantamento.

A frota de ônibus também foi reduzida no período. Em 2019, eram 14.151 veículos, enquanto em 2026 o número informado é de 13.573.
A redução da velocidade e a irregularidade na frequência dos ônibus são apontadas no levantamento como fatores relacionados ao funcionamento do transporte coletivo e à escolha dos passageiros por outros meios de deslocamento.
Investigações também atingem empresas de ônibus
Além das questões relacionadas à velocidade e à infraestrutura, empresas que atuam no transporte coletivo da Grande São Paulo são alvo de investigações do Ministério Público e da Polícia Civil.
A Operação Vectura Corrupta apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de ônibus. Segundo a investigação mencionada no material, 12 empresas da Grande São Paulo são apontadas como integrantes de um esquema atribuído ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Uma das empresas citadas é a Transwolff, que atua na zona sul de São Paulo. A companhia nega irregularidades.
A operação realizada no dia 17 resultou na prisão do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União Brasil). Também foram expedidos mandados de prisão contra outras 15 pessoas e realizados mandados de busca e apreensão em 18 endereços.
O sistema municipal de transporte coletivo de São Paulo é dividido em três lotes. O primeiro reúne veículos de maior porte e ligações entre grandes eixos da cidade. O segundo é voltado à articulação regional, com ônibus de médio porte conectando bairros a corredores. O terceiro concentra linhas de bairro.
As empresas investigadas mencionadas no material estão relacionadas ao terceiro lote.
A Prefeitura de São Paulo informou que criou um grupo de trabalho para analisar os elementos apresentados na investigação. A administração também declarou que está analisando contratos, documentos e eventuais vínculos com os fatos investigados e que continuará colaborando com as autoridades responsáveis pelo caso.
Fotos: Paulo Pinto/Agência Brasil/Ilustração André Bueno/Câmara de São Paulo/Ilustração
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