MPPE recomenda nova licitação para transporte coletivo de Caruaru em até 180 dias

MPPE recomenda nova licitação para transporte coletivo de Caruaru em até 180 dias

Recomendação prevê manutenção provisória da atual operação e estabelece medidas para frota, garagem e débitos

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) recomendou à Prefeitura de Caruaru e à Autarquia de Mobilidade do município a realização de uma nova licitação para o transporte coletivo de Caruaru, especificamente para a operação do lote L01. O processo deverá ser iniciado em até 30 dias e concluído e homologado no prazo máximo de 180 dias.

Enquanto a nova concorrência não for finalizada, a recomendação prevê que a atual empresa responsável pelo serviço permaneça na operação de maneira provisória e transitória. Esse período não poderá ultrapassar seis meses.

As medidas foram apresentadas pelas Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e do Meio Ambiente de Caruaru, com base no Inquérito Civil nº 01871.000.043/2025, instaurado no início de 2025 após o recebimento de denúncias relacionadas ao serviço de transporte coletivo e às instalações utilizadas pela empresa.

Transporte coletivo de Caruaru terá nova licitação para o lote L01

O lote L01 atende diferentes áreas de Caruaru, incluindo Salgado, Lagoa do Algodão, Rendeiras, Morada Nova, São José, Centro Administrativo, Universitário, Cidade Jardim, Campus da UFPE, Polo Caruaru e Nova Caruaru.

Também fazem parte da área atendida localidades rurais como Patos, Juá, Serra Velha e Gonçalves Ferreira.

De acordo com a recomendação do MPPE, o município deverá adotar as providências administrativas e orçamentárias necessárias para iniciar uma nova Concorrência Pública destinada à escolha da empresa que ficará responsável pela operação do lote.

O prazo para o início dessas medidas é de 30 dias. Já a conclusão e homologação da licitação deverão ocorrer em até 180 dias.

Após esse período, deverá ser encerrada a operação provisória da atual empresa.

Atual operação poderá continuar por até seis meses

Para evitar a interrupção do serviço durante o período de transição, o MPPE recomendou que a atual empresa cessionária continue operando o lote L01 de forma precária e transitória.

A permanência deverá ficar limitada ao período necessário para conclusão do novo processo de contratação e não poderá ultrapassar seis meses.

A recomendação estabelece, portanto, uma operação temporária enquanto o município realiza o procedimento para definir a empresa que assumirá o serviço de forma regular.

MPPE recomenda medidas sobre contrato de concessão

Na área relacionada ao patrimônio público, o Ministério Público recomendou que sejam adotadas providências para declarar a nulidade do 2º e do 3º Termos Aditivos e do Termo de Transferência vinculados ao Contrato de Concessão nº 010/2015.

Os efeitos operacionais dessas medidas deverão ser modulados de forma a permitir a continuidade temporária do transporte coletivo enquanto o novo processo licitatório não for concluído.

A recomendação está relacionada às apurações realizadas no inquérito civil instaurado pelo MPPE.

Frota deverá ser regularizada junto ao Detran

A recomendação também estabelece providências relacionadas aos veículos utilizados no lote L01.

A empresa deverá regularizar, no prazo de até 30 dias, o registro e o licenciamento de toda a frota utilizada na prestação do serviço junto ao Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (DETRAN-PE).

A medida inclui o emplacamento dos veículos em Caruaru, conforme previsto pela legislação municipal.

A regularização deverá abranger os veículos utilizados na operação do lote.

MPPE recomenda retenção de 5% da receita tarifária

Outra medida prevista pelo MPPE envolve a receita obtida com as tarifas cobradas dos passageiros.

A recomendação orienta a retenção imediata de 5% da receita tarifária bruta diária arrecadada nas catracas do lote L01.

O valor deverá ser administrado pela Associação das Empresas de Transporte e posteriormente depositado em conta judicial vinculada ao processo de execução fiscal do Município.

A medida tem como finalidade resguardar o pagamento de débitos referentes ao Imposto Sobre Serviços (ISS) atribuídos à concessionária originária, Capital do Agreste.

Garagem deverá atender exigências ambientais

A situação da garagem utilizada na operação também foi incluída na recomendação do Ministério Público.

A empresa deverá adequar o local às exigências estabelecidas na Licença de Operação CPRH nº 03.25.08.005847-6.

Entre as providências indicadas está a interrupção do lançamento de efluentes sem tratamento no Rio Ipojuca.

O MPPE também recomendou o isolamento da área destinada ao abastecimento dos veículos. Para isso, deverão ser utilizadas canaletas e caixas separadoras de água e óleo.

Município deverá vistoriar garagem em até dez dias

A Prefeitura de Caruaru terá prazo de dez dias para realizar uma vistoria técnica presencial na garagem operacional.

A inspeção deverá envolver a Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão, a Vigilância Sanitária e os órgãos municipais responsáveis pela fiscalização ambiental.

A recomendação também prevê a participação da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH).

Depois da vistoria, os resultados deverão ser encaminhados à 3ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente de Caruaru.

Inquérito civil acompanha situação do transporte coletivo

As medidas recomendadas pelo MPPE têm como base o Inquérito Civil nº 01871.000.043/2025.

O procedimento foi instaurado no início de 2025 para apurar questões relacionadas ao transporte coletivo do lote L01 e às condições das instalações utilizadas pela empresa responsável pela operação.

A recomendação reúne medidas nas áreas de transporte público, patrimônio público, regularização da frota e fiscalização ambiental.

A nova concorrência pública deverá definir a empresa responsável pelo lote após o período de operação provisória previsto na recomendação.

O documento foi assinado pelos promotores de Justiça Marcus Tieppo, da área de Defesa do Patrimônio Público, e Jeanne Bezerra, da área de Defesa do Meio Ambiente.

A recomendação foi publicada no Diário Oficial do Ministério Público de Pernambuco em 10 de setembro de 2026.

Fotos: Bruno Henrique/Ilustração

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