Cartão bancário no transporte do Rio poderá ser usado diretamente nos validadores, mas pagamento não dará direito às integrações tarifárias
A Prefeitura do Rio de Janeiro regulamentou o pagamento de viagens do transporte público municipal diretamente nos validadores por meio de cartões bancários de crédito e débito. A medida estabelece as condições para utilização das duas modalidades e define diferenças entre elas, incluindo a possibilidade de cobrança adicional no crédito.
A regulamentação foi publicada nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026, por meio da Resolução SMTR nº 3.952, de 11 de setembro. A norma determina que a operadora do sistema de bilhetagem digital disponibilize os pagamentos por cartão bancário diretamente nos equipamentos utilizados pelos passageiros.
No cartão de débito, não poderá haver cobrança adicional. Para o cartão de crédito, a Prefeitura autorizou uma cobrança de até R$ 0,30 por viagem, destinada exclusivamente aos custos de intermediação financeira.
A principal diferença para quem utiliza o sistema de transporte está nas integrações. As viagens pagas diretamente com cartão bancário serão consideradas viagens unitárias e não darão direito às integrações previstas no sistema municipal.
Cartão bancário no transporte do Rio não terá integração
O passageiro que utilizar cartão de crédito ou débito diretamente no validador pagará uma viagem individual.
A resolução estabelece que esse tipo de pagamento não permite utilizar as integrações temporais do Bilhete Único Carioca, do Bilhete Único Margaridas ou de outros benefícios de integração regulamentados pela Prefeitura.
A regra é diferente da utilização de um cartão ou conta vinculada ao sistema Jaé, que permite ao usuário utilizar os benefícios tarifários aos quais tenha direito.
Atualmente, o Bilhete Único Carioca permite, dentro das condições estabelecidas, até três viagens em um período de três horas quando uma delas é realizada no BRT, pelo valor de uma tarifa municipal de R$ 5. Sem utilização do BRT, são permitidas duas viagens dentro das regras do benefício.
No Bilhete Único Margaridas, destinado à integração de passageiros que chegam da Baixada Fluminense pelo Terminal BRT Metropolitano Pedro Fernandes, o benefício permite até quatro deslocamentos, sendo duas viagens de ida e duas de volta, envolvendo BRT, VLT e ônibus municipais dentro do período estabelecido, pelo valor de R$ 5.
Essas integrações não estarão disponíveis quando a passagem for paga diretamente com cartão bancário.
Crédito pode ter acréscimo de até R$ 0,30
Outra diferença estabelecida pela resolução está relacionada ao valor cobrado na operação.
No cartão de débito, o passageiro não poderá ser submetido a qualquer cobrança adicional pela utilização do meio de pagamento.
No cartão de crédito, poderá haver acréscimo de até R$ 0,30 sobre a viagem. O valor deverá ser destinado exclusivamente ao custo da intermediação financeira da operação.
A medida estabelece, portanto, condições diferentes para cada modalidade de cartão bancário utilizada diretamente no validador.
O passageiro que escolher o cartão de crédito também deverá considerar que, além do eventual acréscimo, a viagem será individual e não poderá ser combinada com as integrações tarifárias municipais.
Pagamento com cartão já vinha sendo implantado
A regulamentação publicada em setembro formaliza uma modalidade que já vinha sendo implantada nos transportes municipais do Rio de Janeiro.
Em maio de 2026, a Prefeitura anunciou a expansão dos meios eletrônicos de pagamento nos validadores do sistema Jaé. A proposta incluía Pix e cartões de crédito e débito diretamente nas catracas.

Os testes começaram de forma progressiva e foram ampliados para diferentes pontos da rede.
A utilização de meios de pagamento diretamente nos validadores passou a fazer parte de uma transformação mais ampla no sistema de bilhetagem municipal, que também incluiu a retirada do dinheiro em espécie dos ônibus.
Dinheiro deixou de ser aceito nos ônibus em maio
Desde 30 de maio de 2026, o pagamento em dinheiro deixou de ser aceito diretamente dentro dos ônibus municipais do Rio.
A mudança não eliminou a possibilidade de utilização de dinheiro pelos passageiros. A moeda em espécie continuou podendo ser utilizada para aquisição ou recarga do cartão Jaé em pontos físicos, máquinas de autoatendimento e bilheterias.
Na época da alteração, a Prefeitura informou que aproximadamente 95% das passagens já eram pagas por meios que não utilizavam dinheiro em espécie e que o pagamento em dinheiro representava cerca de 5% das viagens.
A administração municipal também relacionou a retirada do dinheiro dos veículos à mudança nas atividades desempenhadas pelos motoristas, que deixaram de exercer a função de recebimento das tarifas.
Posteriormente, a Resolução SMTR nº 3.925, de 9 de junho de 2026, consolidou as regras referentes aos meios eletrônicos de pagamento e à proibição do recebimento de dinheiro nos ônibus.
Bilhetagem eletrônica começou em 2000
A mudança atual ocorre mais de duas décadas depois da implantação legal da bilhetagem eletrônica nos ônibus municipais do Rio.
Em dezembro de 2000, a Lei Municipal nº 3.167 instituiu o Sistema de Bilhetagem Eletrônica nos serviços de transporte público de passageiros por ônibus.
A legislação estabeleceu a utilização de equipamentos eletrônicos para validação das viagens e relacionou o sistema ao controle das gratuidades, além de estabelecer objetivos relacionados à segurança e à rapidez das operações.
Nos anos seguintes, o Riocard passou a fazer parte da rotina dos passageiros do Rio e de outros municípios do estado. O cartão utilizava tecnologia de aproximação e passou a concentrar diferentes formas de pagamento e benefícios tarifários.
Bilhete Único Carioca mudou a forma de integração
Outro marco ocorreu em 2010, com a criação do Bilhete Único Municipal, posteriormente consolidado como Bilhete Único Carioca.
A legislação municipal que instituiu o benefício foi aprovada em julho daquele ano. A utilização começou em novembro de 2010.
O sistema passou a permitir que passageiros utilizassem mais de um transporte municipal dentro de determinado período pagando uma única tarifa, de acordo com as regras estabelecidas.
A integração tarifária passou a ser um dos principais componentes do sistema de bilhetagem do transporte municipal.
Durante anos, cartões vinculados ao sistema de transporte estadual também foram utilizados em diferentes combinações de deslocamentos, inclusive em integrações entre redes municipais e estaduais.
Prefeitura passou a buscar controle sobre a bilhetagem
A transferência do controle da bilhetagem para o poder público foi discutida antes da criação do Jaé.
Em 2018, a Prefeitura do Rio apresentou medidas que previam mudanças na administração da bilhetagem eletrônica e a transferência do controle sobre a arrecadação e os dados para o município.
A proposta incluía a contratação de uma empresa independente para operar e administrar os recursos provenientes da bilhetagem, além da interoperabilidade entre diferentes meios de transporte.
A mudança estrutural, porém, foi retomada posteriormente.
Em 2021, a Prefeitura voltou a apresentar um projeto para implantação de uma nova bilhetagem municipal. O modelo previa que o município tivesse acesso direto aos dados de demanda e à arrecadação tarifária.
Também foram considerados diferentes meios de pagamento, como cartões bancários, QR Code, celular e Pix.
Jaé começou no BRT em 2023
O processo avançou em dezembro de 2022, quando a Prefeitura assinou o contrato de concessão do novo sistema de bilhetagem digital.
O contrato foi firmado com o Consórcio Bilhete Digital, vencedor da licitação com uma outorga de R$ 110 milhões. A concessão foi estabelecida pelo período de 12 anos, com possibilidade de prorrogação por igual período.
A operação passou a ser identificada posteriormente pela CBD Bilhete Digital S.A., responsável pelo sistema Jaé.
O Jaé começou a funcionar em julho de 2023, inicialmente no BRT. A implantação ocorreu de maneira gradual, com instalação de novos validadores e equipamentos de autoatendimento em estações e terminais.
Durante o período de transição, Jaé e Riocard continuaram sendo utilizados simultaneamente.
Jaé se tornou sistema exclusivo da rede municipal
A transição para o Jaé ocorreu ao longo de 2025.
A partir de 5 de julho daquele ano, o sistema passou a ser obrigatório para as gratuidades municipais. Em 2 de agosto, o Jaé se tornou o sistema exclusivo dos passageiros dos transportes sob responsabilidade da Prefeitura, incluindo ônibus municipais, BRT, VLT e vans legalizadas.
O Riocard permaneceu relacionado às operações do sistema estadual e ao Bilhete Único Intermunicipal.
A mudança deu ao município acesso direto aos dados de utilização da rede municipal e à arrecadação relacionada às viagens.
Jaé ultrapassou 1 bilhão de embarques
Em agosto de 2026, o sistema Jaé ultrapassou a marca de 1 bilhão de embarques registrados nos transportes municipais.
O número foi divulgado pela Prefeitura em 20 de agosto, aproximadamente um ano depois de o sistema ter se tornado exclusivo na rede municipal.
A bilhetagem digital passou a registrar os embarques realizados nos diferentes serviços municipais, permitindo ao poder público utilizar os dados para acompanhamento da operação, fiscalização e gestão do transporte.
Cartão bancário amplia formas de pagamento
Com a regulamentação publicada em setembro, o passageiro passa a contar com regras específicas para utilizar cartões bancários diretamente nos validadores.
O cartão de débito poderá ser utilizado sem acréscimo. No crédito, poderá haver cobrança adicional de até R$ 0,30 por viagem.
Em ambos os casos, entretanto, a utilização do cartão bancário será limitada ao pagamento de uma viagem unitária. As integrações previstas pelo Bilhete Único Carioca, pelo Bilhete Único Margaridas e por outros benefícios municipais não serão aplicadas nessas transações.
A resolução também determina que a operadora informe aos passageiros as condições de utilização dos cartões, incluindo os valores eventualmente cobrados e a ausência de integração tarifária para as viagens pagas diretamente por crédito ou débito.
Foto: Marcos de Paula/Prefeitura do Rio/Ilustração / Conrado Portella/Prefeitura do Rio/Ilustração
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