Curitiba prevê 250 ônibus elétricos em nova concessão de 15 anos

Curitiba prevê 250 ônibus elétricos em nova concessão de 15 anos

Nova licitação do transporte coletivo de Curitiba terá cinco lotes, R$ 3,9 bilhões em investimentos e entrega de propostas em novembro

A Prefeitura de Curitiba e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentaram, nesta terça-feira (25), um balanço dos projetos relacionados ao transporte coletivo da capital paranaense. O encontro ocorreu uma semana após a publicação do edital da nova concessão de ônibus, que terá cinco lotes, contratos com duração de 15 anos e previsão de 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031.

O edital da nova concessão foi publicado em 19 de agosto de 2026. As empresas interessadas deverão apresentar as propostas em 17 de novembro, das 10h às 12h, na sede da B3, em São Paulo. A sessão pública do leilão está prevista para 26 de novembro, às 10h, também na B3.

O novo sistema será chamado de Sistema Integrado de Mobilidade (SIM) e dará continuidade à Rede Integrada de Transporte (RIT). A concessão será dividida em cinco lotes, sendo dois destinados às linhas estruturais e três organizados por regiões da cidade.

Os lotes BRT1 e BRT2 concentrarão linhas como expressos, Linha Direta e Ligeirões. O BRT1 terá 20 linhas, com atendimento predominante na região Sul, enquanto o BRT2 contará com 17 linhas, principalmente nas regiões Norte e Oeste.

Os demais lotes serão regionais. O lote Norte terá 100 linhas, o Sul contará com 92 e o Oeste terá 84. Nesses grupos estarão principalmente linhas alimentadoras e convencionais.

Nova concessão prevê R$ 3,9 bilhões em investimentos

A Prefeitura estima R$ 3,9 bilhões em investimentos durante os 15 anos de contrato. A maior parte dos recursos, equivalente a 96,75%, será destinada à frota. Os 3,25% restantes serão aplicados em infraestrutura de recarga elétrica e novas estações-tubo.

Somente nos cinco primeiros anos, a previsão é de aproximadamente R$ 2,44 bilhões em investimentos. A subvenção municipal estimada chega a R$ 893,6 milhões, principalmente para a aquisição de ônibus elétricos e a implantação dos eletropostos.

O custo global estimado para a prestação dos serviços durante os 15 anos de concessão é de R$ 18,75 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 1,25 bilhão por ano.

Atualmente, Curitiba possui 302 linhas, 22 terminais de integração, 89 quilômetros de vias exclusivas para ônibus e uma frota operacional de 1.207 veículos. Desse total, 154 são ônibus biarticulados. O sistema transporta cerca de 580 mil passageiros nos dias úteis e registra aproximadamente 13,6 milhões de passageiros por mês.

Integração temporal será ampliada

Entre as mudanças previstas para a próxima concessão está a ampliação da integração temporal. A proposta é permitir que passageiros que utilizam o cartão-transporte da Urbs façam conexões entre linhas em diferentes pontos da cidade sem precisar, necessariamente, entrar em terminais ou estações-tubo para evitar o pagamento de uma nova tarifa.

A estimativa apresentada pela Urbs é de uma redução de 4,7 pontos percentuais na quantidade de transbordos realizados pelos passageiros.

O edital também prevê quatro novas linhas conectoras: Tatuquara-Carmo, Pinheirinho-Centenário, Portão-Capão da Imbuia e Santa Felicidade-Bairro Alto. O Circular Centro também deverá retornar com ônibus elétricos.

Outra previsão é a realização de um projeto-piloto de transporte sob demanda. A proposta envolve nove micro-ônibus ou midi-ônibus durante 12 meses, com possibilidade de agendamento por aplicativo e definição dinâmica dos itinerários de acordo com a demanda.

250 ônibus elétricos estão previstos até 2031

A nova concessão estabelece a entrada de 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031. A Prefeitura prevê que 90 veículos elétricos estejam disponíveis já no início da nova operação.

A concentração dos veículos elétricos nas linhas de maior capacidade deve fazer com que aproximadamente um terço dos lugares oferecidos no sistema seja atendido por ônibus desse tipo. Além dos elétricos, o edital prevê a aquisição de 151 ônibus novos movidos a diesel com tecnologia Euro 6.

Todos os ônibus elétricos deverão contar com ar-condicionado. Os novos veículos a diesel também deverão receber climatização, mas a implantação será gradual. A previsão é que metade da frota esteja climatizada em 2031 e que toda a frota alcance essa condição em até 12 anos.

Operação de R$ 380 milhões do BNDES prevê 80 ônibus elétricos

Durante o balanço, a Prefeitura também atualizou as informações sobre uma operação de crédito de R$ 380 milhões com o BNDES. Segundo os dados apresentados em 25 de agosto, o recurso será destinado à aquisição de 80 ônibus elétricos, entre modelos articulados e Padrón, além da implantação de um eletroposto nas proximidades do Terminal Capão da Imbuia. Os veículos deverão atender as linhas Inter 2, Interbairros II e Interbairros I.

O quantitativo representa uma alteração em relação às informações divulgadas anteriormente. Em 2024, o projeto previa 54 ônibus elétricos e dois eletropostos com os mesmos R$ 380 milhões. Em dezembro daquele ano, o BNDES informou a aprovação do financiamento pelo Fundo Clima para essa configuração.

A atualização apresentada pela Prefeitura passou, portanto, de 54 para 80 veículos, mantendo o valor de R$ 380 milhões. O município não detalhou a razão da alteração nem informou uma data definitiva para a licitação, aquisição ou início da operação dos 80 ônibus.

Os 80 veículos vinculados à operação do BNDES não correspondem aos 90 ônibus elétricos previstos para o início da nova concessão nem ao total de 250 elétricos projetado até 2031. São projetos relacionados à eletrificação da frota, mas possuem instrumentos e cronogramas próprios.

Curitiba já possui sete ônibus elétricos

A capital paranaense conta atualmente com sete ônibus 100% elétricos incorporados de forma permanente à operação. Os seis primeiros começaram a circular em julho de 2024 nas linhas Interbairros I, nos sentidos horário e anti-horário.

Esses veículos são do modelo BYD D9W, com 13,2 metros de comprimento, capacidade informada para 90 passageiros e autonomia aproximada de 250 quilômetros. O sétimo ônibus elétrico é um Volvo BZL de 12,6 metros, com capacidade para 85 passageiros, incorporado à linha 863 – Água Verde.

Além dos veículos já incorporados, Curitiba realizou testes com modelos de diferentes fabricantes, incluindo Eletra, Volvo, Marcopolo, BYD, Ankai e Mercedes-Benz. O programa de testes foi prorrogado até 2026.

Um dos veículos avaliados foi o Volvo BZRT biarticulado elétrico, com aproximadamente 27,6 metros de comprimento e possibilidade de receber até oito conjuntos de baterias. O modelo foi utilizado em testes para auxiliar na definição das características da futura frota de alta capacidade e não integra os sete ônibus elétricos incorporados definitivamente ao sistema.

Frota híbrida continua em operação

A eletrificação da frota de Curitiba também inclui veículos híbridos. Em 2012, a cidade incorporou 30 ônibus híbridos Volvo, que combinam motor a combustão e propulsão elétrica.

Na planilha oficial da tarifa técnica referente a março de 2026, a Urbs registrava 27 veículos da categoria Padrón Híbrido na frota operante. O mesmo documento contabilizava sete ônibus elétricos, sendo um eComum e seis ePadrón.

O edital atual concentra os novos investimentos em ônibus elétricos a bateria e veículos a diesel Euro 6. Não há indicação de aquisição de uma nova geração de ônibus híbridos na nova concessão.

Nova concessão começou a ser estruturada em 2023

A modelagem da nova concessão começou em 2023, em parceria com o BNDES. O município optou por desenvolver um novo modelo em vez de simplesmente prorrogar os contratos existentes por mais dez anos. O processo passou por consulta pública, audiências e alterações de cronograma antes da publicação do edital definitivo.

O cronograma inicialmente previsto não foi cumprido. Em abril de 2026, por exemplo, a Prefeitura havia anunciado que o edital seria publicado no dia 27 daquele mês e que o leilão ocorreria em até 90 dias. O documento, entretanto, passou por novos ajustes e somente foi publicado em 19 de agosto.

A legislação sancionada em agosto de 2025 permite que os contratos atuais sejam mantidos por até 24 meses, de forma a evitar a interrupção do serviço durante a transição para a nova concessão e a implantação do novo modelo.

A partir do edital publicado, o próximo marco da licitação será a entrega das propostas em 17 de novembro. O leilão está previsto para 26 de novembro, quando deverá ser definida a disputa pelos cinco lotes da nova concessão do transporte coletivo de Curitiba.

Foto: Daniel Castellano/SECOM / Cesar Brustolin/SECOM / Isabella Mayer/SECOM / Ricardo Marajó/SECOM / Ilustração

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