Em seis meses, RN teve quase 250 mil passagens gratuitas no transporte intermunicipal e empresas enfrentam impacto milionário

Em seis meses, RN teve quase 250 mil passagens gratuitas no transporte intermunicipal e empresas enfrentam impacto milionário

Um levantamento da Associação das Empresas de Transporte Intermunicipais de Passageiros do Rio Grande do Norte (Transpasse) acende um alerta sobre a sustentabilidade financeira do sistema de transporte intermunicipal potiguar.

Dados compilados pela entidade apontam que, entre 1º de janeiro e 22 de junho de 2026, foram emitidas 249.848 passagens com gratuidades e descontos tarifários previstos em lei, gerando um impacto financeiro superior a R$ 3,29 milhões para as empresas operadoras do transporte intermunicipal no estado.

O levantamento considera benefícios concedidos por meio da gratuidade integral para idosos, desconto de 50% para idosos previsto em lei, meia passagem estudantil, Passe Livre e gratuidades destinadas aos acompanhantes de beneficiários dos programas sociais.

Quase 250 mil passagens emitidas com benefícios tarifários

De acordo com a Transpasse, o volume de passagens emitidas demonstra a importância social dos benefícios garantidos por lei, mas também evidencia o peso financeiro que essas políticas representam para as empresas responsáveis pela operação do sistema.

No período analisado, o impacto total alcançou R$ 3.290.315,20, valor absorvido integralmente pelas operadoras, já que atualmente não existe um mecanismo permanente de compensação financeira por parte do poder público.

Expresso Cabral concentra maior impacto financeiro

Entre as empresas operadoras, a Expresso Cabral registrou o maior volume de passagens emitidas com benefícios tarifários, totalizando 124.019 passagens, o que corresponde a um impacto financeiro de R$ 1.788.094,00.

Na sequência aparecem:

Viação Riograndense: 104.337 passagens emitidas e impacto de R$ 933.527,00;
Auto Viação Jardinense: 18.058 passagens emitidas e impacto de R$ 506.835,00;
Empresa Alves: 3.434 passagens emitidas e impacto de R$ 61.859,20.

Somadas, as quatro operadoras emitiram quase 250 mil passagens com gratuidades ou descontos tarifários em pouco menos de seis meses.

Setor defende política de compensação financeira

A divulgação dos números ocorre em um momento de discussões sobre o futuro do transporte intermunicipal no Rio Grande do Norte.

Nos últimos meses, documentos oficiais do Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte (DER/RN) passaram a reconhecer as dificuldades econômicas enfrentadas pelo setor, citando o crescimento das gratuidades, o aumento dos custos operacionais e os desafios para renovação da frota.

Segundo a Transpasse, o debate não envolve a retirada dos benefícios sociais, mas sim a criação de uma política pública capaz de garantir o equilíbrio econômico do sistema.

Para Wellington Oliveira, diretor de Comunicação da entidade, a discussão precisa avançar para que o transporte continue oferecendo qualidade à população.

“As gratuidades representam um importante instrumento de inclusão social e fazem parte das políticas públicas voltadas à garantia do direito de ir e vir. O desafio está em assegurar que esses benefícios tenham uma fonte de custeio. Hoje, as empresas absorvem integralmente esse impacto financeiro, o que reduz a capacidade de investimento, dificulta a renovação da frota e compromete a sustentabilidade do sistema. O debate sobre mecanismos de compensação financeira é fundamental para garantir que o transporte intermunicipal continue atendendo a população com qualidade e segurança”, afirmou Wellington Oliveira.

Debate sobre subsídios avança no país

A discussão não é exclusiva do Rio Grande do Norte. Em diversos estados e capitais brasileiras, mecanismos de subsídio direto ao transporte público vêm sendo adotados como forma de equilibrar as contas do sistema.

Após a pandemia, o setor enfrentou redução de demanda e aumento de custos operacionais, o que intensificou o debate sobre financiamento público do transporte coletivo.

Modelos de fundos de compensação tarifária e subsídios diretos têm sido alternativas para evitar reajustes elevados nas tarifas e garantir investimentos em qualidade, acessibilidade e renovação da frota.

Sustentabilidade do sistema em debate no RN

No Rio Grande do Norte, o tema ganha ainda mais relevância diante das discussões sobre a futura licitação do transporte intermunicipal e dos debates envolvendo a modernização do sistema sob responsabilidade do DER/RN.

Os números divulgados pela Transpasse reforçam um desafio estrutural: equilibrar a manutenção dos benefícios sociais com a sustentabilidade econômica do serviço.

Com mais de R$ 3,2 milhões absorvidos pelas empresas em apenas seis meses, o setor defende que a criação de uma política de financiamento deixou de ser uma pauta futura e passou a ser uma necessidade imediata.

Fotos: Arquivo/PORTAL UNIBUS

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