Nova tabela de ônibus elétricos passa a valer para compras realizadas a partir de maio de 2026 no sistema gerenciado pela SPTrans
A Prefeitura de São Paulo oficializou a atualização dos valores de referência utilizados para a aquisição de ônibus elétricos destinados à operação do sistema municipal de transporte coletivo gerenciado pela SPTrans. A nova tabela foi publicada nesta segunda-feira (8) e estabelece os parâmetros financeiros que servirão de base para a remuneração das empresas operadoras na compra dos veículos de emissão zero.
De acordo com as regras contratuais vigentes na capital paulista, a administração municipal subsidia parte da aquisição dos ônibus elétricos por meio do pagamento da diferença entre o valor de um veículo elétrico e o de um modelo equivalente movido a diesel. Os novos valores possuem efeito retroativo e serão aplicados às compras realizadas a partir de maio de 2026.
A atualização contempla diferentes categorias de veículos utilizados no transporte coletivo da cidade, incluindo minis, mídis, básicos, padrons e articulados. Os valores não representam necessariamente os preços praticados no mercado, mas servem como referência para a aplicação das regras previstas nos contratos de concessão do sistema municipal de transporte.
Modelo de remuneração prevê participação da prefeitura na compra dos veículos
Pelo modelo adotado pela cidade de São Paulo, as empresas operadoras arcam com o valor correspondente a um ônibus similar movido a diesel. A diferença entre esse valor e o custo de referência do modelo elétrico é coberta pela prefeitura por meio de mecanismos de subvenção voltados à eletrificação da frota.

Segundo a administração municipal, foram obtidas linhas de crédito próximas de R$ 7 bilhões junto a instituições financeiras nacionais e internacionais para viabilizar o financiamento da transição energética da frota. De acordo com a gestão municipal, esses recursos são destinados especificamente ao processo de eletrificação e não integram os subsídios operacionais utilizados para custear o funcionamento do sistema de transporte coletivo.
A atualização da tabela substitui valores anteriormente utilizados pela prefeitura para calcular a remuneração das empresas. Em comparação com a tabela divulgada em março de 2026, alguns modelos registraram aumento nos valores de referência, enquanto outros apresentaram redução.
Tabela atualiza valores para diferentes categorias de ônibus elétricos
Os novos valores abrangem toda a gama de veículos utilizados na operação do sistema municipal. A estrutura considera o custo de referência dos modelos a diesel, o valor estimado dos equivalentes elétricos e a diferença a ser subsidiada pelo poder público.
Na atualização anterior divulgada pela prefeitura, os veículos elétricos apresentavam valores de referência que variavam de aproximadamente R$ 2,2 milhões para modelos de menor porte até cerca de R$ 4,6 milhões para articulados de 23 metros. Já os modelos a diesel utilizados como parâmetro possuíam valores significativamente inferiores, servindo como base para o cálculo da compensação financeira prevista em contrato.
A política de subvenção foi criada para reduzir o impacto financeiro da substituição dos veículos movidos a combustíveis fósseis por ônibus elétricos, cujo custo de aquisição é superior ao dos modelos convencionais.
Frota elétrica avança abaixo das metas estabelecidas pela prefeitura
Embora a cidade concentre a maior parte da frota de ônibus elétricos do país, o ritmo de expansão permanece abaixo das metas inicialmente previstas pela administração municipal. Segundo dados citados pela prefeitura, São Paulo conta atualmente com cerca de 1,3 mil ônibus elétricos em operação, número que representa aproximadamente 80% da frota elétrica brasileira.

A meta anterior previa a circulação de aproximadamente 2,6 mil ônibus elétricos até dezembro de 2024. Entretanto, a quantidade efetivamente incorporada ao sistema ficou abaixo desse objetivo.
De acordo com a prefeitura, um dos principais fatores que limitam a expansão da frota é a infraestrutura necessária para recarga dos veículos. A disponibilidade de energia e a capacidade de atendimento da rede elétrica são apontadas pela administração municipal como desafios para ampliar a quantidade de ônibus elétricos em circulação.
Prefeitura prevê chegada de mais veículos elétricos ao sistema
No início de junho, o prefeito Ricardo Nunes informou que o sistema municipal deverá receber mais 500 ônibus elétricos ao longo deste mês. A incorporação dos novos veículos faz parte da estratégia de renovação da frota e de cumprimento das metas ambientais estabelecidas para o transporte coletivo da capital paulista.

Desde outubro de 2022, as empresas operadoras do sistema municipal estão impedidas de adquirir novos ônibus movidos exclusivamente a diesel. Como consequência, o avanço da eletrificação tornou-se um dos principais fatores para a renovação da frota da cidade.
Diante das dificuldades para ampliar o número de veículos elétricos no ritmo inicialmente previsto, a prefeitura revisou suas projeções e passou a trabalhar com a meta de incorporar mais 2,2 mil ônibus de menor emissão até 2028. O planejamento considera não apenas os veículos elétricos, mas também a utilização de tecnologias alternativas, como os ônibus movidos a biometano.
Nova tabela terá impacto nas próximas aquisições
Com a publicação da atualização, os novos valores de referência passam a orientar os cálculos de remuneração relacionados às aquisições realizadas pelas concessionárias que operam o sistema da SPTrans. A medida integra a política municipal de eletrificação da frota e de substituição gradual dos veículos convencionais por modelos de menor emissão.
As regras mantêm o modelo de compartilhamento dos custos de aquisição entre o poder público e as empresas operadoras, utilizando como base a diferença de valor entre os ônibus elétricos e os veículos equivalentes movidos a diesel.
Foto: Ciete Silvério/Divulgação/Prefeitura de São Paulo
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