Flixbus entra na mira do Cade após denúncia da ANTT sobre práticas no setor de ônibus

Flixbus entra na mira do Cade após denúncia da ANTT sobre práticas no setor de ônibus

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu investigação para apurar denúncia apresentada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) envolvendo a atuação da Flixbus no mercado de transporte rodoviário de passageiros. O processo administrativo busca verificar possíveis práticas no modelo de operação adotado pela empresa no país.

De acordo com informações do caso, a denúncia da ANTT aponta para indícios relacionados à forma como a Flixbus estrutura suas atividades no Brasil, especialmente no que diz respeito à relação com empresas operadoras. A investigação também envolve questionamentos levantados por entidades do setor, como a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati).

Denúncia envolve modelo de parceria com operadoras

O foco da análise está no modelo de negócios utilizado pela Flixbus, que opera por meio de parcerias com empresas de transporte já estabelecidas. Nesse formato, a empresa atua na intermediação de serviços, incluindo venda de passagens, definição de rotas e estratégias comerciais, enquanto as operadoras parceiras realizam a execução do transporte.

Segundo a denúncia apresentada à autoridade antitruste, esse modelo pode configurar irregularidades no contexto da legislação vigente do transporte rodoviário interestadual. A apuração considera se há elementos que caracterizem práticas incompatíveis com as normas do setor ou com regras de concorrência.

Abrati aponta possível arrendamento disfarçado

A Abrati sustenta que o modelo adotado pela Flixbus pode se aproximar de um formato de arrendamento disfarçado de linhas, o que é vedado pela regulamentação atual. A entidade argumenta que a estrutura de operação poderia transferir controle comercial e operacional sem observar os critérios estabelecidos para concessões e autorizações no transporte rodoviário.

Esse ponto é um dos elementos que estão sendo analisados no processo conduzido pelo Cade, que deverá avaliar se há impacto concorrencial ou descumprimento de regras aplicáveis ao setor.

Cade analisa possíveis impactos concorrenciais

A investigação conduzida pelo Cade tem como objetivo verificar se a atuação da Flixbus pode afetar a concorrência no mercado de transporte rodoviário de passageiros. O órgão avalia se o modelo adotado cria condições que possam prejudicar o equilíbrio competitivo entre as empresas que operam no setor.

O processo inclui a análise de documentos, informações prestadas pelas partes envolvidas e manifestações de entidades representativas. A apuração segue os trâmites previstos para casos dessa natureza e não implica, neste momento, conclusão sobre eventual irregularidade.

ANTT acompanha desdobramentos do caso

A ANTT, responsável pela regulação do transporte rodoviário interestadual, acompanha o andamento da investigação e mantém sua atuação no âmbito regulatório. A agência tem competência para fiscalizar e normatizar o setor, além de adotar medidas administrativas quando necessário.

O caso segue em análise no Cade, que deverá decidir, ao final do processo, sobre a existência ou não de infrações à ordem econômica relacionadas aos fatos apresentados na denúncia.

Foto: Gabriel Leal/Brasil Bus Photo

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