Do PORTAL UNIBUS
Foto: Andreivny Ferreira
A escalada das tensões no Oriente Médio tem pressionado o mercado internacional de petróleo e já provoca reflexos nos preços dos combustíveis no Brasil. Nos primeiros dias de março, os valores médios do diesel registraram alta significativa nos postos do país, segundo levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log.
De acordo com os dados, na comparação entre a última semana de fevereiro e a primeira semana de março, o diesel S-10 apresentou aumento de 7,72%, passando de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro. Já o diesel comum teve alta de 6,10%, saindo de R$ 6,23 para R$ 6,61 por litro.
No mesmo período, a gasolina também registrou elevação, embora em ritmo menor. O combustível avançou 1,24%, passando de R$ 6,44 para R$ 6,52 por litro.
Segundo Vinicios Fernandes, o diesel costuma reagir de forma mais imediata às oscilações no mercado internacional de petróleo, especialmente por ser o principal combustível utilizado no transporte rodoviário de cargas no país.
Ele explica que o Brasil ainda não é autossuficiente na produção de diesel e depende de importações para suprir parte do consumo interno. Atualmente, entre 20% e 30% do combustível utilizado no país vem do exterior, o que torna o mercado doméstico mais sensível a oscilações internacionais e a eventos geopolíticos que afetam rotas estratégicas de transporte de petróleo, como o Estreito de Ormuz.
De acordo com o executivo, quando o preço do petróleo sobe de forma mais intensa, os primeiros impactos costumam aparecer no diesel. Como esse combustível é essencial para o transporte rodoviário de cargas, pressões de custo tendem a se refletir rapidamente ao longo da cadeia logística e de abastecimento.
Nos últimos dias, o preço do barril de petróleo chegou a se aproximar de US$ 120 no mercado internacional, diante de preocupações sobre possíveis impactos na oferta global de energia e na economia mundial.
Mesmo sem anúncio de reajustes oficiais por parte da Petrobras, o levantamento já aponta sinais de maior pressão no abastecimento em alguns pontos da rede de distribuição.
Segundo Fernandes, alguns postos têm relatado dificuldades na reposição de combustível em determinados tanques ou bombas, o que pode indicar um cenário de oferta mais apertada caso as restrições logísticas provocadas pelo conflito se prolonguem.
Apesar disso, o executivo ressalta que ainda é cedo para afirmar que haverá desabastecimento. Ele lembra que a Petrobras costuma avaliar o comportamento do mercado antes de anunciar reajustes nas refinarias.
O levantamento também apontou diferenças regionais nas variações do diesel. A maior alta foi registrada no Nordeste, onde o diesel comum subiu 13,17% e o diesel S-10 avançou 8,79%. A região também apresentou a maior média nacional para o diesel comum, chegando a R$ 7,22 por litro.
No Centro-Oeste, outra região estratégica para o escoamento da produção agrícola, os preços também avançaram, com alta de 7,45% para o diesel comum e 7,11% para o diesel S-10.
Nas demais regiões do país, os aumentos foram mais moderados, mas ainda relevantes. O diesel comum subiu 5,13% no Sul, 3,55% no Norte e 3,40% no Sudeste. Já no caso do diesel S-10, a maior média foi registrada na Região Norte, com R$ 7,00 por litro.
Entre os estados, o maior preço médio do diesel comum foi observado em Roraima, com R$ 7,84 por litro, enquanto o menor valor foi registrado em Pernambuco, com média de R$ 6,23. O maior aumento no período ocorreu no Piauí, onde o combustível subiu 17,45%, alcançando média de R$ 7,74 por litro.
No caso do diesel S-10, o maior preço médio foi registrado no Acre, também com R$ 7,84 por litro, enquanto o menor valor foi identificado no Rio Grande do Sul, com média de R$ 6,26. O maior aumento desse tipo de combustível ocorreu na Bahia, com alta de 11,46%.
Já entre os preços da gasolina, a maior média foi registrada em Rondônia, onde o litro chegou a R$ 7,90. O estado também apresentou a maior alta no período, de 13,18%. O menor valor médio foi observado na Paraíba, com R$ 6,26 por litro.
O IPTL é elaborado com base nos abastecimentos realizados em cerca de 21 mil postos credenciados da Edenred Ticket Log. O levantamento utiliza uma estrutura de análise de dados que consolida o comportamento de preços a partir das transações registradas em mais de 1 milhão de veículos administrados pela empresa, que realiza em média 55 operações por segundo em sua rede.





