Governo deve enviar PEC para financiar tarifa zero ainda esta semana

Governo deve enviar PEC para financiar tarifa zero ainda esta semana

Proposta pretende permitir que parte das emendas impositivas seja destinada ao transporte público gratuito aos fins de semana e feriados

O governo federal pretende enviar ao Congresso Nacional nesta semana uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para permitir que parte das emendas parlamentares impositivas seja utilizada no financiamento da tarifa zero no transporte público aos fins de semana e feriados.

A informação foi divulgada pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. Segundo ele, o texto da PEC já está pronto e deverá ser discutido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes do envio ao Congresso.

A proposta não cria diretamente a tarifa zero nem estabelece as regras para o funcionamento do benefício. O objetivo da mudança constitucional é permitir uma fonte específica de financiamento para a política.

O detalhamento da iniciativa, incluindo as regras para acesso e funcionamento, deverá ser estabelecido posteriormente por meio de medida provisória (MP), após o período eleitoral.

PEC trata apenas do financiamento da tarifa zero

A estratégia do governo foi dividida em duas etapas. A primeira consiste na alteração constitucional para permitir a utilização de parte das emendas parlamentares no financiamento do programa.

A segunda etapa deverá estabelecer as regras da própria política de tarifa zero por meio de medida provisória.

A separação ocorre em razão das restrições impostas pela legislação eleitoral para a criação de determinados benefícios durante o período de eleições.

A estimativa apresentada para o custo da política fica entre R$ 8 bilhões e R$ 12 bilhões.

Emendas impositivas somam R$ 44,8 bilhões

As emendas impositivas individuais e de bancada previstas no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 somam R$ 44,8 bilhões.

Desse montante, aproximadamente R$ 14 bilhões em emendas individuais têm destinação obrigatória para a área da saúde.

O governo utiliza essa vinculação como referência para discutir o modelo de financiamento da tarifa zero. A proposta deverá preservar os recursos destinados à saúde, deixando cerca de R$ 30 bilhões em emendas potencialmente disponíveis para outras finalidades.

O percentual que poderá ser direcionado ao transporte público gratuito ainda será negociado com o Congresso Nacional.

Governo deverá apresentar proposta ao Congresso

De acordo com o ministro do Planejamento, o governo pretende apresentar uma proposta inicial para a discussão com os parlamentares, sem definir previamente o percentual que deverá ser destinado à tarifa zero.

A negociação deverá ocorrer com um Congresso que terá nova composição a partir de 2027.

A proposta faz parte de uma discussão mais ampla sobre o papel das emendas parlamentares no Orçamento da União. Lula já afirmou que pretende discutir, em eventual novo mandato, o tamanho dos recursos destinados às emendas.

Emendas de comissão também devem entrar no debate

Além das emendas individuais e de bancada, o governo e o Congresso deverão discutir as emendas de comissão.

Essa modalidade não está incluída nos R$ 44,8 bilhões previstos para as emendas impositivas no PLOA de 2027. Isso ocorre porque as emendas de comissão não têm execução obrigatória e sua inclusão no Orçamento depende de decisão do Congresso.

Caso os parlamentares decidam incluir esses recursos, será necessário abrir espaço adicional no Orçamento e respeitar as regras fiscais.

A legislação estabelece um limite para as emendas de comissão tendo como referência o valor das emendas impositivas. Neste ano, aproximadamente R$ 12 bilhões foram destinados às emendas de comissão. O valor serve como referência para o limite da modalidade, com atualização pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Tarifa zero deverá ser regulamentada posteriormente

A PEC em preparação, portanto, não estabelece quais cidades terão direito ao benefício, como será feita a operação do transporte gratuito ou quais critérios serão utilizados para sua aplicação.

Essas definições deverão constar da medida provisória prevista pelo governo após o período eleitoral.

A discussão no Congresso deverá definir também qual parcela das emendas impositivas poderá ser utilizada para financiar a política de tarifa zero nos fins de semana e feriados.

Foto: Ciete Silvério/Prefeitura de São Paulo/Ilustração

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