Veículo de 2013/2014 foi substituído por outro de 2013/2014, mas com fabricação anterior; coletivo também foi remanejado da linha Coophab/Centro e opera com acesso para cadeirantes bloqueado
No Rio Grande do Norte, a linha F1, que liga Parnamirim a Natal pela Rodoviária Nova, passou a operar com um veículo mais antigo após uma mudança na composição da frota do transporte alternativo intermunicipal. O veículo de matrícula 1.E2.22.1 substituiu o Marcopolo Volare WL ON, de 2014/2015, placas QGB0B52, por um Marcopolo Volare W9 ON, de 2013/2014, placas FCB5G59.
Embora o veículo que passou a atender a linha esteja dentro do limite de idade estabelecido pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Rio Grande do Norte (DER/RN), a alteração chama atenção por retirar da operação um veículo mais novo e colocar outro mais antigo no lugar.

A mudança também produziu efeito sobre outra linha do sistema. O veículo de placas FCB5G59 era identificado pela matrícula 1.E2.34 e operava anteriormente a linha L2, entre Coophab e Centro. Com o remanejamento para a F1, a linha L2 perdeu mais um veículo de sua operação.
Linha F1 recebe veículo mais antigo
O veículo que deixou a linha F1 é um Marcopolo Volare WL ON, fabricado em 2014 e modelo 2015, com placas QGB0B52.
No lugar dele passou a operar um Marcopolo Volare W9 ON, fabricado em 2013 e modelo 2014, de placas FCB5G59.

A diferença, portanto, é de um ano de fabricação. Apesar de ambos estarem dentro dos parâmetros de idade permitidos para o transporte alternativo intermunicipal, a substituição ocorre no sentido contrário ao de uma renovação da frota: um veículo mais novo deixa a linha e outro mais antigo assume a operação.
O caso chama atenção porque a mudança não representa apenas uma alteração entre veículos disponíveis no sistema. O coletivo que passou a atender a linha F1 foi retirado de outra operação que também atende passageiros diariamente.
Linha L2 perde veículo com remanejamento
Antes de ser direcionado para a linha F1, o veículo de placas FCB5G59 operava a linha L2, no trecho Coophab/Centro, sob a matrícula 1.E2.34.
Com a transferência, a linha L2 perdeu mais um veículo de sua composição. A alteração reduz a quantidade de veículos disponíveis para o atendimento da população que utiliza o transporte entre a Coophab e a região central.
Assim, enquanto a linha F1 recebeu um veículo mais antigo no lugar de outro mais novo, a linha L2 deixou de contar com o coletivo que anteriormente fazia parte de sua operação.
A mudança coloca em discussão os critérios utilizados para a distribuição dos veículos entre as linhas do transporte alternativo intermunicipal e os efeitos dessas alterações sobre os passageiros.
Veículo opera com acessibilidade bloqueada
Outro ponto relacionado ao veículo de placas FCB5G59 envolve a acessibilidade.
O coletivo já operava na linha L2 com o acesso destinado a pessoas em cadeira de rodas bloqueado. A configuração mantém uma roleta instalada no meio da porta, impedindo o acesso de uma pessoa que utilize cadeira de rodas.

A situação permanece agora na linha F1, o que significa que o veículo segue sendo utilizado no transporte de passageiros mesmo apresentando essa condição de acesso.
O caso levanta um questionamento sobre os procedimentos de vistoria e fiscalização do transporte alternativo intermunicipal: como um veículo nessa condição passou por vistoria e permanece autorizado a operar?
A questão ganha relevância porque, segundo a situação observada, não se trata de uma ocorrência isolada. Há outros veículos em operação que também apresentam configuração semelhante, com a acessibilidade bloqueada.
Veículo está dentro do limite de idade permitido
Em relação à idade, o veículo não está, pelos dados apresentados, fora da regra estabelecida pelo DER/RN.
O órgão permite a operação de veículos com até 13 anos de uso no transporte intermunicipal. O Marcopolo Volare W9 ON de placas FCB5G59, fabricado em 2013 e modelo 2014, permanece dentro desse limite.
Portanto, a questão não está relacionada ao fato de o veículo ser irregular por idade.
O problema está na escolha operacional e nas condições em que o veículo é disponibilizado aos passageiros. Uma linha que contava com um veículo fabricado em 2014 passou a receber um coletivo fabricado em 2013, enquanto o ônibus retirado de sua operação poderia representar uma composição de frota mais recente.
Troca é permitida, mas levanta questionamentos
A possibilidade de utilização do veículo dentro do limite de idade não elimina os questionamentos sobre a qualidade do serviço oferecido aos usuários.
Do ponto de vista formal, o coletivo pode permanecer em circulação por estar dentro do limite estabelecido pelo DER/RN. Do ponto de vista do atendimento ao passageiro, entretanto, a substituição de um veículo mais novo por outro mais antigo levanta dúvidas sobre os critérios adotados para a composição das linhas.
A situação se torna mais relevante quando considerada em conjunto com o remanejamento do veículo da linha L2 e com a condição de acessibilidade apresentada pelo coletivo.
No caso da linha F1, a mudança significa a retirada de um Marcopolo Volare WL ON fabricado em 2014 e a entrada de um Marcopolo Volare W9 ON fabricado em 2013. Na linha L2, o mesmo movimento representa a saída de um veículo que integrava sua frota.
Já para os passageiros com deficiência, permanece uma questão específica: a possibilidade de utilização do transporte por pessoas em cadeira de rodas diante da existência de uma roleta posicionada no meio da porta de acesso.
Fotos: Reprodução/PORTAL UNIBUS / Yuri Samuel da Silva Pereira/Ônibus Brasil/Ilustração
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