Tarifa zero aos fins de semana pode custar R$ 20,8 bilhões por ano, estima NTU

Tarifa zero aos fins de semana pode custar R$ 20,8 bilhões por ano, estima NTU

Estimativa considera os custos atuais de ônibus, trens e metrôs e aumento de 20% na demanda com a gratuidade

A implantação da tarifa zero no transporte público coletivo aos sábados, domingos e feriados em todo o Brasil poderia gerar um custo anual de R$ 20,8 bilhões, segundo estimativa da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).

O cálculo considera as despesas atuais de operação dos sistemas de ônibus urbanos, trens e metrôs durante fins de semana e feriados, além de uma projeção de aumento de 20% na demanda provocada pela gratuidade.

Transporte coletivo já custa R$ 17,3 bilhões aos fins de semana

Segundo a NTU, os sistemas de transporte coletivo registram atualmente despesas de aproximadamente R$ 17,3 bilhões por ano com a operação aos sábados, domingos e feriados. Desse montante, R$ 14,5 bilhões correspondem aos serviços de ônibus urbanos.

A proposta de tarifa zero para esses dias foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A intenção apresentada é encaminhar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para viabilizar a medida.

Para a NTU, a gratuidade pode ampliar o acesso da população ao lazer, à cultura e ao comércio, principalmente entre famílias de menor renda. A entidade, porém, defende que a medida esteja vinculada a uma política permanente de financiamento do transporte público.

NTU defende novas formas de financiamento

De acordo com a associação, cerca de 80% dos custos dos sistemas de transporte coletivo são atualmente cobertos pela arrecadação das tarifas. Na avaliação apresentada pela entidade, essa dependência reduz a capacidade de investimento e mantém sobre os passageiros parte significativa do financiamento do serviço.

A proposta defendida pela NTU prevê uma divisão dos custos entre União, estados, municípios, iniciativa privada e outros setores que se beneficiam do transporte coletivo.

Em agosto de 2026, durante o Seminário Nacional NTU, a entidade apresentou o programa “Transporte para Todos”. O modelo prevê três frentes para garantir recursos permanentes ao sistema: modernização e ampliação do Vale-Transporte do Trabalhador; criação de um Vale-Transporte Social destinado a famílias em situação de vulnerabilidade inscritas no Bolsa Família; e financiamento das gratuidades pelos orçamentos das áreas responsáveis pelos benefícios, como educação, saúde e assistência social.

A proposta busca reduzir a dependência da receita tarifária e ampliar as condições de investimento na operação e na oferta de serviços.

Mudanças na jornada também podem elevar custos

A discussão sobre tarifa zero aos fins de semana ocorre paralelamente ao debate sobre mudanças na jornada de trabalho. A ampliação dos dias de descanso foi associada à proposta apresentada pelo governo federal.

A NTU aponta que alterações nas escalas exigiriam planejamento para garantir a operação dos sistemas durante toda a semana. A entidade também considera a disponibilidade de motoristas qualificados um dos pontos que precisam ser avaliados.

Estudos citados pela associação, elaborados pela WPLEX, indicam que determinadas mudanças nos modelos de jornada podem exigir até 23% mais motoristas. Outro levantamento mencionado pela NTU aponta possibilidade de aumento de aproximadamente 15% nos custos relacionados aos motoristas em um cenário de jornada semanal de 40 horas.

Nesse cenário, a entidade considera que a combinação entre eventual aumento da demanda provocado pela tarifa zero e a reorganização das jornadas poderá exigir recursos adicionais e um período de adaptação para preservar a oferta dos serviços.

A proposta de gratuidade aos sábados, domingos e feriados também amplia a discussão sobre a participação do governo federal no financiamento do transporte coletivo e sobre a necessidade de novas formas de custeio dos sistemas.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil/Ilustração

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