São Paulo reduz ritmo de expansão dos ônibus elétricos por falta de infraestrutura

São Paulo reduz ritmo de expansão dos ônibus elétricos por falta de infraestrutura

Capital paulista tem como meta alcançar 3.300 ônibus elétricos até 2028

A Prefeitura de São Paulo reconheceu dificuldades para ampliar a frota de ônibus elétricos devido a limitações na infraestrutura de recarga e na capacidade de distribuição de energia. O problema levou a uma redução temporária no ritmo de implantação dos veículos, conforme registro de uma reunião sobre políticas climáticas publicado no Diário Oficial em outubro de 2026.

A capital paulista tem como meta alcançar 3.300 ônibus elétricos até 2028. Em 30 de setembro, após a apresentação de 250 novos coletivos, a frota chegou a 2.009 veículos elétricos, incluindo 189 trólebus.

Ônibus elétricos em São Paulo enfrentam limites na recarga

Durante a reunião, Alessandro Bender, coordenador-geral das políticas de mudanças climáticas da cidade, apontou a infraestrutura das garagens como um dos principais obstáculos à expansão da frota.

A recarga simultânea de dezenas ou centenas de ônibus pode exigir uma potência superior à capacidade disponível na rede elétrica de determinadas regiões. Para receber os veículos, as operadoras precisam instalar carregadores, adaptar as redes internas e, conforme a necessidade, implantar transformadores e subestações.

Também podem ser necessárias obras na rede de distribuição de energia. O planejamento da recarga precisa considerar os horários de saída dos coletivos, o tempo de permanência nas garagens e a programação das linhas.

Diante das limitações, a administração municipal passou a avaliar diferentes modalidades de carregamento e alternativas energéticas, entre elas o biometano.

Meta de 3.300 ônibus elétricos até 2028

Com os dados divulgados em 30 de setembro, São Paulo ainda estava abaixo das metas previstas anteriormente. A cidade deveria ter alcançado 2.600 ônibus elétricos até dezembro de 2024. Naquele balanço, faltavam 591 veículos para atingir esse objetivo.

Para chegar aos 3.300 coletivos previstos até 2028, ainda seria necessário incorporar 1.291 unidades. A meta depende não apenas da compra dos ônibus, mas também da adaptação das garagens, da disponibilidade de energia e da manutenção dos investimentos.

A frota municipal supera 13 mil ônibus. Assim, os 2.009 veículos elétricos representavam cerca de 15% do total informado pela Prefeitura.

Financiamento também afeta a eletrificação da frota

Outro fator que influencia o avanço da eletrificação é a situação financeira das empresas de transporte. Os ônibus elétricos têm custo de aquisição superior ao de modelos a diesel de capacidade equivalente, o que torna os financiamentos e as garantias contratuais importantes para viabilizar as encomendas.

Investigações sobre suspeitas de ligação entre empresas do sistema municipal e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) também geraram incertezas sobre financiamentos e contratos. As apurações envolvem empresas como Transwolff, UPBus e Transunião, e eventuais responsabilidades dependem das autoridades competentes.

A Prefeitura informou que pretende preservar a continuidade dos investimentos. Entre as alternativas discutidas está o pagamento direto a fornecedores, como forma de proteger os recursos destinados à aquisição dos veículos.

Biometano aparece entre as alternativas

Além da eletrificação, a Prefeitura considera o biometano como opção para reduzir a dependência do diesel. Produzido a partir da purificação do biogás, o combustível pode ser utilizado em ônibus com motores e sistemas de abastecimento compatíveis.

Sua adoção, porém, exige veículos adequados, estrutura de abastecimento e fornecimento regular. A proposta integra a avaliação de diferentes tecnologias para a mudança da matriz energética do transporte coletivo.

O orçamento municipal proposto para 2027 prevê R$ 500 milhões relacionados ao biometano, além de recursos destinados à eletrificação e à gestão do sistema.

O avanço da frota elétrica depende, portanto, da combinação entre aquisição de veículos, infraestrutura de recarga, financiamento e capacidade de operação das empresas.

Foto: Ciete Silvério/Prefeitura de São Paulo/Ilustração

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