Transporte público de Aracaju vive nova crise após troca da VRS pela Boa Vista

Transporte público de Aracaju vive nova crise após troca da VRS pela Boa Vista

A substituição da VRS pela Boa Vista, os desligamentos de motoristas, as reclamações sobre a operação e a possível saída da Modelo movimentam o transporte público de Aracaju

O transporte público de Aracaju passou por uma mudança na operação que desencadeou uma série de acontecimentos envolvendo empresas, trabalhadores e usuários. A substituição da VRS pela Boa Vista, determinada em caráter emergencial pela Prefeitura de Aracaju, foi seguida por desligamentos de motoristas, relatos de atrasos e manifestações de funcionários que afirmam não querer deixar a antiga operadora.

A alteração ocorreu na quinta-feira (20), quando mais de 100 ônibus da VRS deixaram de circular e foram substituídos por veículos da Boa Vista. A mudança foi anunciada pela Prefeitura de Aracaju como parte de uma reestruturação do sistema e teve como justificativa problemas relacionados à operação da VRS e às condições de seus veículos.

A decisão foi atribuída pela gestão municipal ao Decreto nº 8.042/2025, assinado pela prefeita Emília Corrêa. A norma estabelece regras relacionadas à idade da frota utilizada no transporte coletivo municipal. Segundo as informações divulgadas pela Prefeitura, ônibus movidos a combustão com mais de 12 anos não podem circular, enquanto veículos elétricos possuem limite de 15 anos de uso.

VRS é substituída pela Boa Vista

A mudança colocou a Boa Vista em uma posição central na operação do sistema de transporte coletivo da capital sergipana. Segundo as informações divulgadas pela Prefeitura, a empresa chegou ao sistema com uma frota de 110 veículos, todos climatizados.

Desse total, 67 veículos são novos, enquanto os demais possuem até quatro anos de uso. A substituição foi apresentada pela gestão municipal como uma medida necessária para modificar a operação e melhorar as condições do serviço oferecido aos passageiros.

As operações da Boa Vista começaram na sexta-feira (20), após a retirada dos veículos da VRS. A alteração, porém, não encerrou a discussão em torno da operação do sistema.

A VRS contesta a forma como ocorreu a substituição e, conforme relatos divulgados nas redes sociais e na imprensa sergipana, afirma que não teria sido comunicada previamente pela Prefeitura de Aracaju sobre a retirada da empresa do sistema.

Do outro lado, a administração municipal sustenta que a medida foi necessária diante dos problemas identificados na operação e das reclamações apresentadas por usuários.

Trabalhadores da VRS resistem à mudança

A substituição das empresas também atingiu diretamente os trabalhadores. Funcionários da VRS demonstraram resistência em migrar para a Boa Vista, apesar de a nova operadora ter manifestado interesse na contratação da mão de obra da empresa que deixou o sistema.

Segundo relatos dos trabalhadores, a VRS vinha cumprindo os pagamentos dos salários e mantinha uma relação considerada adequada com seus funcionários. Parte dos profissionais afirma ter sido surpreendida pela decisão de retirada da empresa e não pretende deixar a antiga empregadora para ingressar imediatamente na nova operadora.

A situação ganhou outro capítulo durante o sábado (22), quando passageiros relataram atrasos e demora na circulação dos ônibus. De acordo com a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), motoristas contratados pela Boa Vista solicitaram desligamento para retornar à VRS.

A quantidade de profissionais que deixaram a Boa Vista não foi informada pela SMTT. O impacto, entretanto, foi percebido pelos usuários, que registraram reclamações sobre a demora dos ônibus.

A Prefeitura de Aracaju havia orientado que os trabalhadores da antiga operadora tivessem prioridade na contratação pela Boa Vista durante o processo de transição. Mesmo assim, a movimentação entre os funcionários abriu uma nova frente de discussão dentro do sistema.

SMTT acompanha transição entre empresas

Diante dos problemas registrados após a mudança, a SMTT informou que acompanha a operação e atua junto à Boa Vista para tentar reduzir os impactos provocados pela transição.

O órgão afirmou que adota medidas para garantir a regularidade e a continuidade do serviço aos passageiros.

A situação ocorre poucos dias depois da mudança de mais de 100 veículos da VRS pela nova frota da Boa Vista. Com isso, a transição passou a envolver não apenas a substituição dos ônibus, mas também a composição das equipes responsáveis pela operação.

O cenário também ampliou o debate entre usuários, trabalhadores e empresas sobre os critérios utilizados para definir quais operadoras permanecem no sistema de transporte coletivo da Grande Aracaju.

Mudança divide opiniões entre usuários

A chegada dos ônibus da Boa Vista também provocou manifestações diferentes entre os passageiros. Parte dos usuários avaliou positivamente a nova frota apresentada pela empresa, enquanto outros aspectos da substituição passaram a ser discutidos nas redes sociais.

Entre os principais pontos estão as condições dos veículos, a continuidade das linhas, a contratação dos trabalhadores e a forma como a Prefeitura conduziu a retirada da VRS.

A discussão envolve ainda a situação dos profissionais que trabalhavam na empresa substituída. Enquanto a Prefeitura defende a necessidade da mudança, trabalhadores da VRS afirmam que não pretendem abandonar a empresa e questionam os motivos que levaram à sua retirada.

A situação, portanto, deixou de envolver somente uma troca de operadora e passou a atingir diferentes áreas do sistema, incluindo a operação dos ônibus, a manutenção dos empregos e as condições de trabalho dos rodoviários.

Modelo também pode deixar o sistema

Além da VRS e da Boa Vista, outra empresa passou a integrar o cenário de mudanças no transporte coletivo de Aracaju. A Viação Modelo deverá deixar de atuar no sistema, segundo declaração do superintendente da SMTT, Nelson Felipe.

De acordo com o superintendente, a decisão segue uma determinação da prefeita Emília Corrêa. A empresa teria recebido um prazo de um mês para adequar seus serviços às exigências estabelecidas pela Prefeitura.

Nelson Felipe afirmou que VRS e Progresso já vinham recebendo reclamações de usuários e que a Modelo também passou a apresentar problemas relacionados à operação.

A eventual saída da Modelo amplia a quantidade de empresas envolvidas nas mudanças do sistema. A Progresso já deixou de atuar, a VRS foi substituída pela Boa Vista e a Modelo está sob prazo para realizar adequações.

Trabalhadores da Modelo também relatam pendências

A situação da Modelo envolve ainda reivindicações trabalhistas. A empresa é alvo de críticas de funcionários e do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Aracaju e Região (Sinttra).

Segundo as informações apresentadas pela entidade, foram realizadas reuniões com trabalhadores para tratar de questões relacionadas a FGTS, salários, férias, plano de saúde, rescisões e alimentação.

A possibilidade de saída da Modelo, assim como ocorreu com a VRS, também levanta preocupação em relação aos trabalhadores que atualmente estão vinculados à empresa.

Com a possibilidade de novas alterações, o quadro do transporte coletivo da Grande Aracaju passa a envolver diferentes processos simultâneos: a entrada da Boa Vista, a retirada da VRS, a situação da Modelo, os efeitos sobre os trabalhadores e a necessidade de manutenção da operação para os passageiros.

Fotos: Reprodução/Ônibus_se/Ilustração / Anderson Monteiro/Ilustração

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