Sistema Jaé atinge 1 bilhão de viagens no Rio de Janeiro após histórico de transição

Sistema Jaé atinge 1 bilhão de viagens no Rio de Janeiro após histórico de transição

Marca de 1 bilhão de viagens é alcançada após transição com adiamentos e regras de integração nos transportes municipais do Rio

O sistema de bilhetagem Jaé alcançou a marca acumulada de 1 bilhão de viagens registradas nos transportes públicos da cidade do Rio de Janeiro, conforme balanço apresentado pela prefeitura em 20 de agosto de 2026. O montante diz respeito ao volume total de validações efetuadas pelos passageiros e não equivale a um bilhão de indivíduos distintos. Os registros oficiais apontam que a plataforma soma atualmente cerca de 5 milhões de usuários cadastrados.

A consolidação do número ocorre pouco mais de um ano após 2 de agosto de 2025, data em que a tecnologia assumiu a exclusividade nos modos municipais de transporte, englobando ônibus convencionais, BRT, VLT, vans e o transporte comunitário local.

Integração com metrô e exceções do sistema

Apesar da exclusividade municipal, persistem situações em que outros meios de pagamento são exigidos. O cartão Riocard permanece indispensável para beneficiários do Bilhete Único Intermunicipal e nos serviços de jurisdição estadual. No MetrôRio, os validadores do Jaé operam desde agosto de 2025 nas 41 estações do sistema de trens urbanos, mas a concessionária mantém ativos o cartão Giro, pagamentos por aproximação e os descontos tarifários vinculados às diretrizes estaduais.

Dados do município indicam que aproximadamente 30% da base de passageiros utiliza a aplicação para telefones celulares para efetuar a leitura de QR Code nos validadores. A modalidade de recarga via PIX já contabilizou cerca de 2 milhões de transações no aplicativo.

A administração municipal ressalta que o acesso direto aos dados operacionais gerados pela bilhetagem permite monitorar a arrecadação, ajustar a oferta das linhas e fiscalizar a prestação dos serviços das concessionárias de forma centralizada.

Regras do Bilhete Único Carioca e modalidades de integração

O acesso aos benefícios tarifários do município é processado diretamente pelas ferramentas do novo sistema. As regras em vigor estabelecem modalidades distintas para as integrações diárias:

Bilhete Único Carioca (BUC): Permite até três viagens em um intervalo de três horas ao custo fixo de R$ 5,00, desde que um dos trechos seja realizado no BRT. Sem o uso do BRT, a integração fica restrita a dois embarques consecutivos no mesmo sentido.
Bilhete Único Margaridas (BUM): Destinado a passageiros oriundos da Baixada Fluminense que acessam a capital pelo Terminal BRT Metropolitano. O modelo garante até quatro viagens (duas no trajeto de ida e duas no de volta) entre BRT, VLT e ônibus municipais em um período de até 20 horas, também pelo valor fixo de R$ 5,00.

Histórico de licitação e impasses judiciais da bilhetagem

A reformulação do modelo tarifário carioca teve início em 2021, quando o poder público decidiu retirar das empresas privadas de ônibus a gestão da arrecadação. O processo licitatório enfrentou diversos entraves administrativos e judiciais até sua conclusão.

Uma primeira tentativa de concorrência restou sem propostas em dezembro de 2021. Em 2022, novo certame foi suspenso temporariamente pela Justiça. No mesmo período, um acordo celebrado entre município, consórcios e Ministério Público estabeleceu o fim da gestão da bilhetagem pelas empresas de transporte em troca de repasses de subsídios vinculados à quilometragem rodada.

A concorrência foi finalizada no fim de 2022, garantindo ao Consórcio Bilhete Digital a concessão por 12 anos, com outorga de R$ 110 milhões. A ordem de início dos trabalhos ocorreu em janeiro de 2023, prevendo a substituição total dos cartões anteriores até meados de 2024. O cronograma, contudo, passou por quatro adiamentos oficiais devido à baixa adesão inicial de passageiros e entraves operacionais.

Durante a transição, a prefeitura aplicou advertência e multa contratual à concessionária por atrasos na implantação. Além disso, disputas na Justiça entre consórcios concorrentes e fornecedores de tecnologia suspenderam tentativas de alteração no controle societário da empresa operadora.

Consolidação da exclusividade e desdobramentos operacionais

A adesão ao novo padrão acelerou em meados de 2025. Em 5 de julho daquele ano, a migração tornou-se obrigatória para os beneficiários de gratuidades. Em 2 de agosto de 2025, o sistema passou a ser exigido para a totalidade dos passageiros das linhas municipais, elevando o volume diário de validações para mais de 80% do total de viagens da cidade logo nos primeiros dias.

Representantes do setor de transporte coletivo contestaram, ao longo do processo, as justificativas sobre falta de transparência no sistema antigo e pontuaram que a convivência entre duas bilhetagens distintas gera custos adicionais e complexidade para os passageiros que transitam entre a capital e outros municípios da região metropolitana.

Mesmo após a implementação plena, as regras do sistema continuam no centro de disputas judiciais relativas ao cumprimento do acordo firmado sobre subsídios e remuneração da frota por quilômetro rodado. Paralelamente às linhas de transporte, a plataforma do Jaé passou a integrar outros serviços públicos da cidade, como a gestão do estacionamento rotativo e a venda de bilhetes em eventos de grande porte.

Fotos: Marcos de Paula/Iago Campos/Prefeitura do Rio/Ilustração

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