Setor de transporte urbano propõe modelo nacional para ampliar tarifa zero no Brasil

Setor de transporte urbano propõe modelo nacional para ampliar tarifa zero no Brasil

Proposta apresentada pela NTU ao Governo Federal prevê novo modelo de financiamento para ampliar tarifa zero no transporte coletivo urbano

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) apresentou ao Governo Federal uma proposta de modelo para implantação gradual da tarifa zero nacional no transporte coletivo urbano. A apresentação ocorreu durante reuniões realizadas em Brasília com representantes do Ministério das Cidades, Casa Civil e integrantes do Governo Federal ligados à área de mobilidade urbana.

A proposta foi elaborada a partir de estudos técnicos conduzidos pela entidade e prevê a criação de um sistema de financiamento compartilhado para custear parte das operações do transporte coletivo urbano no país. Segundo a NTU, a medida busca ampliar o acesso da população ao transporte público e reduzir a dependência da arrecadação tarifária como principal fonte de custeio do sistema.

De acordo com o modelo apresentado, a implantação da tarifa zero nacional ocorreria de forma gradual, inicialmente direcionada a públicos específicos e cidades com determinadas características operacionais e financeiras. O estudo considera mecanismos de compensação financeira envolvendo União, estados e municípios, além da possibilidade de utilização de receitas extratarifárias.

Proposta prevê fundo nacional para custeio do transporte

Entre os pontos apresentados pela NTU está a criação de um fundo nacional voltado ao financiamento do transporte público coletivo urbano. O objetivo seria estruturar uma política permanente de financiamento do setor, permitindo que parte dos custos operacionais deixasse de ser coberta exclusivamente pelos passageiros pagantes.

Segundo a entidade, o modelo considera experiências já implantadas em cidades brasileiras que adotaram tarifa zero total ou parcial. O estudo aponta que atualmente diversos municípios brasileiros já oferecem gratuidades integrais em linhas urbanas ou em dias específicos da semana, utilizando recursos próprios das administrações municipais.

A proposta entregue ao Governo Federal também prevê a criação de fontes permanentes de financiamento, incluindo recursos oriundos de contribuições específicas ligadas à mobilidade urbana. Entre as possibilidades analisadas estão receitas provenientes de setores diretamente relacionados ao uso do sistema viário urbano.

A NTU informou que o estudo considera ainda a necessidade de modernização do transporte coletivo, incluindo renovação de frota, melhoria operacional e adoção de tecnologias voltadas à eficiência dos sistemas urbanos.

Modelo busca reduzir dependência da tarifa paga pelo passageiro

De acordo com a entidade, o atual modelo de financiamento do transporte coletivo urbano no Brasil mantém elevada dependência da tarifa paga diretamente pelos passageiros. A avaliação apresentada ao Governo Federal aponta que a redução da demanda registrada nos últimos anos impactou a sustentabilidade financeira das operações em diferentes cidades do país.

O documento entregue ao Governo Federal destaca que a criação de mecanismos de financiamento público poderia ampliar a previsibilidade financeira dos sistemas de transporte coletivo urbano. A proposta também relaciona a medida à possibilidade de aumento da demanda de passageiros e à ampliação da oferta de serviços.

Segundo a NTU, o modelo apresentado considera experiências internacionais de subsídio ao transporte público coletivo urbano, incluindo sistemas que utilizam fundos públicos permanentes para custear parte das operações e reduzir tarifas ao usuário.

A entidade afirma que o objetivo da proposta não é extinguir imediatamente a cobrança de tarifa em todos os municípios, mas estabelecer uma política nacional que permita avanço gradual da tarifa zero em sistemas urbanos que apresentem viabilidade operacional e financeira.

Governo Federal analisa propostas para mobilidade urbana

As discussões sobre financiamento do transporte coletivo urbano vêm sendo ampliadas pelo Governo Federal nos últimos meses. O Ministério das Cidades tem debatido alternativas para fortalecimento do setor, incluindo propostas relacionadas à criação de novas fontes de custeio e programas de renovação de frota.

Atualmente, o Governo Federal também conduz ações voltadas à modernização dos sistemas urbanos por meio do Novo PAC, com financiamentos para aquisição de ônibus novos, veículos elétricos e tecnologias para operação do transporte coletivo.

Durante as reuniões em Brasília, representantes da NTU defenderam que a criação de uma política nacional de financiamento do transporte coletivo poderia contribuir para ampliar o acesso da população aos sistemas urbanos e reduzir impactos financeiros sobre passageiros e operadores.

O estudo entregue ao Governo Federal deverá continuar sendo analisado pelas equipes técnicas dos ministérios envolvidos nas discussões sobre mobilidade urbana. A proposta poderá integrar futuros debates relacionados ao financiamento do transporte coletivo urbano e à formulação de políticas públicas para o setor no país.

Foto: Mayara Rodrigues/Rogério Reis/Prefeitura de Maricá/Ilustração

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