Câmara deve votar marco legal do transporte público nas próximas semanas, sinaliza Hugo Motta

Câmara deve votar marco legal do transporte público nas próximas semanas, sinaliza Hugo Motta

Presidente da Câmara indicou avanço do projeto que altera regras do transporte coletivo e da PEC sobre descanso de motoristas profissionais

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, sinalizou que o marco legal do transporte público deverá avançar nas próximas semanas no Congresso Nacional. A indicação foi feita durante reunião com representantes da Confederação Nacional do Transporte (CNT), em meio às discussões sobre projetos considerados prioritários para o setor de mobilidade urbana e transporte rodoviário.

O principal tema em discussão é o Projeto de Lei 3278/21, conhecido como marco legal do transporte público coletivo urbano. A proposta tramita no Congresso desde 2021 e já foi aprovada pelo Senado Federal em 2024. O texto busca atualizar regras da Política Nacional de Mobilidade Urbana e criar mecanismos para ampliar o financiamento do transporte coletivo nos municípios brasileiros.

Segundo informações divulgadas pelo Diário do Transporte, interlocutores ligados à Câmara avaliam que o projeto poderá entrar na pauta de votação ainda neste mês de maio. O presidente da Casa já havia afirmado anteriormente que o tema seria tratado como prioridade legislativa em 2026.

Projeto prevê mudanças nos contratos do transporte coletivo

O marco legal do transporte público propõe alterações nos contratos de concessão e permissão dos serviços de ônibus, trens e metrôs em todo o país. Entre os pontos previstos estão mecanismos de maior segurança jurídica para contratos de operação, ampliação da transparência dos dados do setor e possibilidade de utilização de recursos públicos para financiar sistemas de transporte coletivo.

A proposta também é considerada estratégica dentro das metas do Governo Federal relacionadas à redução de emissões de poluentes nos centros urbanos, incluindo a implementação de ônibus elétricos e outras tecnologias de menor impacto ambiental.

Entidades ligadas à mobilidade urbana, gestores públicos, representantes do setor empresarial e instituições acadêmicas participaram da construção do texto ao longo da tramitação legislativa. A Frente Nacional de Prefeitos e Prefeitas (FNP) tem defendido a aprovação sem novas alterações para evitar atrasos adicionais na implementação das medidas previstas.

O projeto teve a votação adiada em março deste ano após solicitação de ajustes no texto. Na ocasião, Hugo Motta informou que a proposta seria retomada após o período da janela partidária, o que não ocorreu até o momento.

PEC do descanso de motoristas também deve avançar

Além do marco legal do transporte público, Hugo Motta também indicou avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata das condições de descanso para motoristas profissionais de cargas e passageiros.

A PEC 22/2025 foi aprovada pelo Senado Federal em fevereiro deste ano e agora aguarda análise da Câmara dos Deputados. O texto prevê a criação de pontos de parada e descanso em rodovias brasileiras, além de estabelecer a Política Nacional de Apoio à Atividade de Transporte Rodoviário Profissional.

Pela proposta, motoristas profissionais não poderão ser penalizados pelo descumprimento dos períodos obrigatórios de descanso enquanto não houver infraestrutura adequada disponível nas rodovias. O texto também determina atuação conjunta entre poder público e iniciativa privada para implantação de áreas de apoio aos condutores.

A proposta foi aprovada por unanimidade no Senado Federal e teve tramitação acelerada na Casa. O relator da matéria foi o senador Esperidião Amin, enquanto a autoria é do senador Jaime Bagattoli.

Representantes do setor de transporte rodoviário defendem a aprovação da PEC sob o argumento de que a atual legislação impõe exigências relacionadas ao descanso dos motoristas sem que haja oferta suficiente de locais adequados de parada nas estradas brasileiras.

A expectativa de entidades do setor é que tanto o marco legal do transporte público quanto a PEC do descanso de motoristas avancem ainda no primeiro semestre de 2026, antes do período de maior redução das atividades legislativas provocado pelas eleições.

Foto: André Bueno/Câmara de São Paulo/Ilustração / Tânia Rêgo/Agência Brasil

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