‘Novo’ ônibus da Nordeste está emplacado em Alagoas e levanta questionamentos sobre fiscalização no RN

‘Novo’ ônibus da Nordeste está emplacado em Alagoas e levanta questionamentos sobre fiscalização no RN

Por Thiago Martins – [email protected]
Mobilidade em Pauta

A inclusão de um “novo” ônibus na frota da Viação Nordeste, que passou a operar recentemente na linha intermunicipal entre Natal e Mossoró, abriu um novo capítulo de questionamentos sobre a fiscalização do sistema de transporte no estado.

Isso porque o veículo, embora esteja em operação regular no Rio Grande do Norte, possui emplacamento registrado no município de Dois Riachos, conforme dados consultados por meio do aplicativo Sinesp Cidadão.

A situação levanta dúvidas sobre como o ônibus passou pelo processo de vistoria do Departamento de Estradas de Rodagem do RN (DER/RN), órgão responsável pela regulação e fiscalização do transporte intermunicipal.

Veículo opera normalmente, apesar de registro em outro estado

O ônibus em questão é um modelo Paradiso G7, da Marcopolo, com chassi Scania K360 e ano de fabricação 2013. Ele já está sendo utilizado na operação regular da linha Natal–Mossoró, atendendo, inclusive, ao horário das 13h.

Apesar disso, a identificação da placa – AXQ6G18 – aponta que o veículo não possui registro no Rio Grande do Norte, mas sim em Alagoas.

A operação de veículos registrados em outro estado não é, por si só, automaticamente irregular. No entanto, em sistemas de transporte concedidos e regulados, como o intermunicipal, é comum a exigência de cadastro, vinculação contratual e conformidade documental junto ao órgão gestor local.

Diante disso, o caso levanta um questionamento central: o veículo está devidamente autorizado dentro das normas do sistema estadual?

Fiscalização do DER entra no centro do debate

O episódio ocorre em um momento em que a atuação do DER/RN já está sob pressão.

Recentemente, o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (MPRN) passou a cobrar explicações formais do órgão sobre a redução da frota da Viação Nordeste, em um procedimento que envolve a defesa do consumidor.

Agora, a presença de um veículo com registro em outro estado operando normalmente amplia o debate sobre:

  • critérios de vistoria;
  • controle documental da frota;
  • efetividade da fiscalização do sistema.

‘Novo’ ônibus chega em meio a crise operacional

A incorporação do veículo ocorre em um contexto de forte instabilidade da empresa.

Nos últimos meses, a Viação Nordeste:

  • reduziu significativamente o número de horários;
  • perdeu veículos da operação;
  • passou a operar com frota mínima;
  • enfrenta questionamentos institucionais e jurídicos.

Atualmente, a empresa mantém operação considerada limitada, especialmente na linha Natal–Mossoró, uma das mais importantes do estado.

Histórico recente aumenta preocupação

O caso do ônibus emplacado em Alagoas não é um episódio isolado dentro do contexto da empresa.

A Nordeste já esteve no centro de uma série de problemas recentes, incluindo:

  • processo de caducidade da concessão;
  • suspensão judicial da medida;
  • dificuldades para normalizar a operação;
  • redução da oferta de viagens;
  • denúncias de usuários sobre precarização do serviço.

Esse conjunto de fatores contribui para ampliar a preocupação sobre a regularidade e a qualidade do transporte oferecido.

Transparência e controle passam a ser exigidos

Diante do cenário, cresce a necessidade de esclarecimentos por parte dos órgãos responsáveis.

Entre os principais pontos que passam a ser questionados estão:

  • o processo de autorização do veículo;
  • os critérios adotados nas vistorias;
  • a regularidade documental da frota em operação;
  • a fiscalização efetiva do sistema intermunicipal.
  • Usuário segue no centro da crise

Enquanto o debate avança no campo institucional, os impactos continuam sendo sentidos diretamente pelos passageiros, que enfrentam:

  • redução de horários;
  • menor oferta de viagens;
  • incertezas sobre a operação;
  • questionamentos sobre a qualidade e segurança do serviço.

A situação reforça um cenário já crítico no transporte intermunicipal do Rio Grande do Norte, onde a crise da Viação Nordeste se consolida como um dos principais desafios da mobilidade estadual.

Fotos: Edivan Leal/Cedidas

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