Pela projeção feita a partir de estudos da Organização das Nações Unidas (Onu), em 13 anos a população da região metropolitana de Natal será de aproximadamente 1,5 milhão de habitantes. Hoje, esse número ainda está 15% menor, ou seja, na casa de 1,3 milhão de pessoas; só o contingente da capital responde, atualmente, por 803.739 moradores.Ainda de acordo com a Onu, de 1990 até 2025, a metrópole terá crescido 123,27%, o que a colocará atrás somente de Florianópolis e Brasília, em inchaço populacional ascendente. Nesse mesmo estudo, revelou-se que cidades como Rio de Janeiro e São Paulo registrarão aumento demográfico menor que centros urbanos mais ‘afastados’, mas ainda assim, aquelas estarão no topo entre as cidades mais populosas do país. Isso demonstra certo esgotamento carioca e paulistano em atender tanta gente.
De outra sorte, não tem como fugir da pergunta: como estaremos vivendo até lá? Pergunta oportuna, aliás, considerando que os próximos gestores municipais dos dez municípios que compõem a Grande Natal acabaram de ser eleitos. Caberá a eles por em prática obras estruturantes básicas, que atendam a população de hoje e ainda possam operar com folga para receber os novos habitantes que virão.
Assim, a temida questão existencial de ‘será que Natal vai receber bem jogos e turistas na Copa do Mundo de 2014?’ pode nem ser tão nebulosa. Pelo contrário, soa até como otimista demais, já que é um evento esporádico. Ao contrário do cotidiano do futuro, quando teremos consequências reais devido a tanta gente vivendo aqui. Se a média de crescimento demográfico daqui para a frente se mantiver na mesma das duas últimas décadas, ou seja, 15%, chegaremos a terceira década deste milênio com o número de 924.382 natalenses. E aí, só muito planejamento para fechar as contas.
O Jornal de Hoje faz um levantamento de como anda o desempenho atual do município nos campos da Saúde, Transporte e Educação. A leitura fica como sugestão para aqueles que querem cobrar de seus governantes e não sabem por onde começar.
Trânsito ganha 30 mil carros por ano: Outro ponto que merece atenção redobrada é o trânsito de Natal. Nos dias atuais, só a frota de carros na capital é de 171.467 unidades. Em média, 30 mil novos desses ‘objetos de desejo’ são vendidos por aqui todos os anos. Segundo informações da indústria automobilística, para cada carro novo que chega às ruas, outras três pessoas adquirem outros usados. O resultado dessa matemática resulta nos engarrafamentos já experimentados pelo natalense em várias vias urbanas. Mas a vendas de veículos ainda se torna mais assustadora, quando se pensa na falta de investimentos no transporte público.
Não há licitação vigente para o setor, que possibilite maior concorrência e disponibilidade de mais ônibus. Por outro lado, os empresários reclamam da falta de subsídios para que o preço das passagens sofra redução. À espera de soluções, estão quase 500 mil usuários de ônibus e trens urbanos. Em 2012, esta fatia da população sofreu com dois grandes eventos relacionados à má-qualidade do transporte. Primeiro, veio a greve dos rodoviários, em maio. Depois, ‘a revolta do busão’, na qual os movimentos estudantis pararam o trânsito da zona Sul de Natal. O que ambas situações deixam bem claro é que a Prefeitura precisa investir em vias e em transporte alternativo. Hoje, são aproximadamente 650 ônibus distribuídos em 90 linhas para atender toda a cidade. O sistema alternativo conta com apenas 120 vans cadastradas.
A boa notícia é que foi divulgado esta semana a empresa vencedora do edital de compras de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT’s). Trata-se da Bom Sinal Indústria e Comércio Ltda, cuja proposta de entrega de 12 VLTs para Natal e oito para João Pessoa foi a vencedora no processo de licitação aberto pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). A má notícia é que, a despeito da readequação da malha férrea natalense que já está em obras, os dois primeiros desses veículos só devem entrar em funcionamento em junho de 2014. E o pior, somente a linha que circula da estação da Ribeira até Extremoz será contemplada inicialmente. Ceará-mirim, que também faz parte desta linha, e a que segue da Ribeira até São José de Mipibú só podem sonhar em receber o VLT por volta de 2016. Não há notícia da expansão da malha férrea na cidade.
Com isso, a nova vedete constatada durante a campanha eleitoral foram promessas de instalação do Bus Rapid Transit (BRT). Em português bem claro, esse é sistema de ônibus biarticulados que recebem de uma única vez até 270 passageiros do sistema convencional e se locomovem em vias ou em faixas exclusivas para eles, situação ainda inexistente em Natal. O sistema foi criado em Curitiba, em 1974, e já foi exportado para cidades como Goiânia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paris, Bogotá (na Colômbia) e Jacarta (na Indonésia), onde a densidade demográfica é muito maior que a nossa. Esses centros, já apresentam resultados significativos no que tange ao transporte de passageiros. Segundo dados técnicos apurados na internet, para cada quilômetro criado para linhas de VLT, os custos vão de 20 e 30 milhões de dólares. Enquanto o BRT pode ser adquirido por valores que variam entre 7 e 15 milhões de dólares.
Com informações: Jornal de Hoje




