Setor de transportes e entidades representativas do segmento de combustíveis no Brasil divulgam nota sobre o possível aumento do teor de biodiesel no diesel

Reajuste do diesel provoca alta média de 14,7% em um mês e pressiona custos do transporte

Do PORTAL UNIBUS
Foto: Marcelo Camargo (Agência Brasil)

O reajuste do diesel anunciado pela Petrobras, motivado pela defasagem em relação ao mercado internacional e à variação cambial, resultou em uma alta média de 14,7% no preço do combustível em todo o país no intervalo de um mês. Os dados são do Radar de Preços do Mercado de Combustíveis, ferramenta desenvolvida pela Gestran que acompanha a variação dos valores em tempo real com base em abastecimentos realizados em postos de diferentes regiões.

Na média nacional, o litro do diesel passou de R$ 5,7467 em fevereiro para R$ 6,5940 em março, representando um aumento de R$ 0,85. O levantamento considerou 3,51 milhões de litros de diesel S-10 registrados em 622 postos distribuídos pelo país, com base em transações reais e notas fiscais, o que permite mensurar o impacto direto nas operações de transporte.

A elevação foi percebida em todo o território nacional, com destaque para o Nordeste, que registrou a maior variação percentual, de 15,57%. Entre os estados, Pernambuco apresentou alta de 18,32%, seguido por Tocantins, com 18,30%, e Bahia, com 17,78%. Já a região Norte teve o menor avanço percentual, de 12,20%, influenciada pela estabilidade observada no Amapá, onde o preço médio permaneceu em R$ 6,90.

Nas demais regiões, o comportamento também foi de alta expressiva. O Sul registrou aumento de 15,55%, o Centro-Oeste de 15,13% e o Sudeste de 13,62%. Apesar da tendência uniforme de crescimento, os dados apontam diferenças relevantes entre estados e regiões, o que pode impactar diretamente o planejamento logístico das empresas.

De acordo com o CEO da Gestran, Paulo Raymundi, o impacto é significativo para as operações. Um caminhão semi-pesado com tanque de 300 litros, por exemplo, passou de um custo de abastecimento de R$ 1.724,01 em fevereiro para R$ 1.978,20 em março, uma diferença de R$ 254,19 por operação. Em frotas maiores, o efeito é potencializado. Em um cenário com 20 veículos e dois abastecimentos semanais, o aumento pode ultrapassar R$ 198 mil ao ano.

Os dados também indicam mudanças no comportamento das empresas diante do reajuste. Em estados como São Paulo, Minas Gerais e Pará, houve redução no volume abastecido em março, sugerindo antecipação de compras antes da alta. Por outro lado, Bahia, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul registraram crescimento no volume, o que pode indicar expansão operacional ou novos contratos no período.

A análise regional aponta ainda oportunidades estratégicas para redução de custos. No Nordeste, por exemplo, convivem estados com aumentos elevados e outros com preços mais baixos, como o Maranhão, que registrou o menor valor médio do país em março, de R$ 5,89 por litro. Essa variação interna permite que empresas ajustem rotas e estratégias de abastecimento para otimizar despesas.

No Sul, diferenças entre estados também se destacam. O Paraná apresentou alta de 17,11%, enquanto o Rio Grande do Sul teve avanço de 10,25%, resultando em uma diferença de R$ 0,36 por litro no mesmo período. Esse tipo de discrepância reforça a importância de ferramentas de monitoramento para decisões mais eficientes.

Segundo a Gestran, o uso de tecnologia para acompanhamento em tempo real dos preços permite transformar a variação de mercado em oportunidade de economia. Com acesso a dados detalhados por posto, volume e localização, gestores podem definir estratégias mais precisas de abastecimento, reduzindo custos operacionais em um cenário de forte pressão sobre o setor de transporte.

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