Grantour Turismo recebe seu 4º El Buss 340 na renovação de frota com a Busscar

Redução da jornada para 40 horas pode gerar impacto bilionário no setor de transporte, aponta estudo

Do PORTAL UNIBUS
Foto: Divulgação (Busscar)

A redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas pode provocar, no longo prazo, um impacto de R$ 11,88 bilhões no setor de transporte. A estimativa faz parte do estudo técnico “Redução de jornada, mudança de escalas e bem-estar social no setor de transportes”, que analisa os efeitos econômicos e operacionais de alterações no regime de trabalho.

Coordenado pelo sociólogo José Pastore, da Universidade de São Paulo (USP), e pelo economista Paulo Rabello de Castro, o levantamento indica que a mudança, sem redução proporcional de salários, resultaria em um aumento imediato de 10% no valor da hora trabalhada. No setor de transporte, onde 92,5% dos profissionais atuam dentro do limite atual, o impacto direto seria uma elevação de 8,6% nos custos com pessoal.

O presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, afirma que o debate precisa considerar os efeitos práticos da medida. Segundo ele, eventuais mudanças devem ser acompanhadas de ganhos de produtividade para evitar aumento de custos, pressão sobre preços e impactos no emprego.

O estudo também avalia os efeitos da alteração nas escalas de trabalho. No setor de transporte, que opera de forma contínua, 24 horas por dia e sete dias por semana, a reorganização das jornadas exigiria a contratação de aproximadamente 240 mil novos trabalhadores para manter o nível atual de serviço.

No entanto, a ampliação do quadro de funcionários enfrenta um obstáculo já identificado pelo setor: a escassez de mão de obra qualificada. Levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta que 65,1% das empresas têm dificuldade para contratar motoristas. No transporte rodoviário de cargas, 44,6% das empresas possuem vagas abertas, enquanto no segmento de passageiros esse índice chega a 53,4%.

O estudo também destaca que a estrutura do setor é majoritariamente composta por pequenas empresas. Cerca de 90,5% dos empreendimentos possuem até nove empregados, o que limita a capacidade de absorver novos custos. Atualmente, 47,3% do valor adicionado bruto dessas empresas já é destinado ao pagamento de pessoal.

Com margens operacionais reduzidas — o excedente operacional bruto representa cerca de 21% da receita —, o aumento de custos pode levar ao repasse de preços ao consumidor ou até à inviabilização de algumas operações.

Outro ponto de atenção é o risco de aumento da informalidade. Apesar de o setor apresentar elevado nível de formalização, com 92,1% dos trabalhadores com vínculo formal, o custo da contratação no Brasil já equivale a 102,43% do salário nominal. Com a elevação dos custos, há preocupação com um possível incentivo à informalidade.

A análise também aponta desafios estruturais relacionados à produtividade. Dados internacionais indicam que a produtividade média do trabalhador brasileiro é inferior à de economias desenvolvidas e de outros países da América Latina. Para sustentar o nível atual de atividade com jornada reduzida, seria necessário um aumento imediato de produtividade, cenário considerado improvável diante de limitações como infraestrutura e organização do trabalho.

Diante desse contexto, o setor de transporte defende que eventuais mudanças na jornada e nas escalas sejam discutidas por meio de acordos coletivos, levando em conta as especificidades da atividade e buscando preservar a sustentabilidade das empresas e a manutenção dos empregos formais.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.