Goiânia recebe primeiros ônibus articulados a biometano do Brasil e amplia frota sustentável no BRT

Ônibus a biometano avançam no Brasil e despertam interesse de capitais para descarbonização

Do PORTAL UNIBUS
Foto: Divulgação (Marcopolo / Secco Comunicação)

A adoção de ônibus movidos a biometano no transporte urbano de Goiânia tem ampliado o interesse de outras cidades brasileiras na tecnologia. Segundo o diretor de vendas da Scania, Alex Nucci, o projeto passou a ser observado por diferentes capitais que avaliam alternativas para reduzir as emissões no transporte público.

De acordo com o executivo, além da capital goiana, cidades como São Paulo, Curitiba, Ribeirão Preto e Rio de Janeiro já iniciaram conversas com a fabricante para o desenvolvimento de projetos semelhantes. No caso do Rio, o interesse está associado à disponibilidade de biometano na região de Seropédica.

Ainda sem volumes definidos, a expectativa é que 2026 seja um período de estruturação dos projetos, com possibilidade de maior escala a partir de 2027. A avaliação da montadora é que o biometano tende a se consolidar como uma alternativa complementar à eletrificação no transporte urbano.

O avanço atual é resultado de uma trajetória iniciada em 2014, quando a Scania trouxe ao Brasil os primeiros veículos para demonstração. Em 2016, foi lançado o primeiro ônibus a gás produzido no país, seguido pela introdução de caminhões movidos ao combustível em 2018. A partir de 2019, a tecnologia começou a ganhar escala, com testes e operações em cidades como Curitiba e Londrina.

A entrada em operação dos ônibus em Goiânia é considerada pela empresa como um marco na consolidação dessa trajetória, indicando maior maturidade do mercado e avanço na estruturação do ecossistema necessário para a tecnologia.

Na avaliação do fabricante, o gás, especialmente o biometano, apresenta potencial de expansão mais rápida do que o modelo elétrico, principalmente por demandar menor complexidade de infraestrutura e investimento inicial. Em regiões onde já existe rede de gás ou produção local, a implantação tende a ser mais ágil.

A Scania compara o momento atual dos ônibus a gás com a evolução observada no segmento de caminhões, cuja adoção cresceu após um período inicial de maturação. Desde 2019, mais de 2 mil caminhões a gás foram comercializados no Brasil, com expectativa de novas unidades ao longo de 2026.

A operação brasileira tem papel estratégico para a companhia, sendo atualmente o principal polo de produção de motores a gás da marca. Os investimentos em tecnologia e sustentabilidade seguem dentro dos ciclos industriais globais da empresa, que preveem cerca de R$ 2 bilhões entre 2025 e 2028.

Do ponto de vista operacional, os veículos a gás têm apresentado avanços em autonomia e desempenho. Em ônibus urbanos, a capacidade já supera a demanda diária de operação, garantindo viabilidade para uso em linhas regulares.

Apesar disso, ainda existem desafios, como limites regulatórios para armazenamento de combustível e o custo dos componentes, especialmente cilindros mais leves e eficientes.

Em termos econômicos, o biometano se posiciona entre o diesel e o elétrico. Segundo a montadora, o custo total de operação precisa se manter próximo ao diesel para garantir competitividade, já que o investimento inicial e a manutenção tendem a ser superiores.

A expectativa da Scania é de crescimento gradual do mercado de veículos a gás no Brasil, somando caminhões e ônibus, com projeção de alcançar cerca de 3 mil unidades comercializadas em 2026.

Para o setor, o avanço do biometano representa mais uma alternativa na transição energética do transporte, ampliando as opções tecnológicas disponíveis para reduzir emissões e melhorar a sustentabilidade das operações urbanas.

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