Lula chama empresários de ônibus de “sacanas” e cita retirada de frota em diversas cidades no 2º turno, incluindo Salvador, Recife, Maceió e João Pessoa

Lula chama empresários de ônibus de “sacanas” e cita retirada de frota em diversas cidades no 2º turno, incluindo Salvador, Recife, Maceió e João Pessoa

Presidente reeleito afirmou que redução da circulação de ônibus prejudicou eleitores em diferentes municípios e cobrou providências da Justiça Eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, neste domingo (25), a redução da circulação de ônibus registrada em diferentes cidades brasileiras durante o segundo turno das Eleições Gerais de 2026. Em declaração concedida durante o dia de votação, Lula chamou empresários de transporte de “sacanas”, criticou prefeitos e afirmou que pediria providências à Justiça Eleitoral para garantir o direito de voto de eleitores que tivessem sido prejudicados por problemas no transporte.

A manifestação ocorreu antes da decisão que permitiu a extensão do horário de votação até as 19h nos locais onde o processo ainda não havia sido encerrado às 17h. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a medida foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), e aplicada somente às seções em que a votação ainda estava em andamento.

Lula afirmou que a situação daquele domingo era “abominável” e citou cidades de diferentes regiões do país onde, segundo ele, houve retirada de veículos ou redução da oferta de transporte.

“Quase 40% dos ônibus foram tirados de circulação” em São Paulo, afirmou o presidente, que também mencionou Salvador, Petrópolis, Teresina, Feira de Santana, Lauro de Freitas, Recife, Maceió e João Pessoa. Ele citou ainda a interrupção de balsas no Pará. As declarações foram feitas em meio às denúncias apresentadas à Justiça Eleitoral pela campanha do próprio presidente sobre dificuldades de deslocamento em diferentes estados.

Lula chama empresários de ônibus de “sacanas”

Ao falar sobre os problemas relatados, Lula afirmou que eleitores não poderiam deixar de votar por causa da redução da oferta de transporte público.

“Ninguém pode desistir de votar porque algum empresário sacana ou algum prefeito mau-caráter tentou evitar que o povo votasse”, declarou.

O presidente também criticou prefeitos e afirmou que pretendia responsabilizar gestores que, segundo sua avaliação, tivessem contribuído para dificultar o acesso dos eleitores às urnas.

Lula citou nominalmente as administrações municipais de São Paulo, Salvador e Feira de Santana ao falar sobre a situação. Também afirmou que, após as eleições, pediria a prisão dos prefeitos que, segundo ele, tivessem praticado condutas destinadas a impedir ou dificultar o voto.

As declarações ocorreram enquanto a Justiça Eleitoral analisava relatos de problemas no transporte em diferentes pontos do país. A campanha de Lula havia apresentado ao TSE uma ação relatando dificuldades em cidades de pelo menos nove estados, incluindo Bahia, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Pará, Rio de Janeiro e Roraima.

Problemas foram relatados em diferentes cidades

Entre os casos que ganharam maior repercussão esteve o de Salvador, onde o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou investigação sobre a redução da frota de ônibus durante o domingo de votação.

Segundo o TRE-BA, inspeções realizadas em garagens de empresas identificaram veículos retidos durante o período eleitoral. O tribunal determinou o encaminhamento do caso à Procuradoria Regional Eleitoral e à Polícia Federal para apuração de possíveis crimes eleitorais relacionados à redução da frota.

A decisão também tratou da situação do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza. A ordem de prisão em flagrante determinada durante o domingo foi tornada sem efeito nesta segunda-feira (26), após o encerramento da votação. O TRE-BA ressaltou, entretanto, que a revogação não encerra a apuração dos fatos nem representa julgamento sobre eventual existência de crime ou responsabilidade dos envolvidos.

O TSE havia estabelecido para as eleições de 2026 que o poder público deveria assegurar transporte coletivo gratuito nos dias de votação, incluindo serviços urbanos, intermunicipais e metropolitanos, com frequência compatível com a dos dias úteis. A regra também prevê que a redução injustificada da oferta habitual de transporte público pode configurar crime eleitoral.

Pedido de prorrogação do horário de votação

Diante dos relatos, Lula pediu que a Justiça Eleitoral garantisse aos eleitores prejudicados a possibilidade de votar.

“Eu quero pedir que o povo não desista de votar”, afirmou o presidente, ao defender a ampliação do período de votação nos locais afetados.

Pouco depois, o ministro Cristiano Zanin determinou que a votação prosseguisse até as 19h nos locais em que as urnas ainda não haviam sido encerradas às 17h. O TSE esclareceu que a medida não reabriu seções já encerradas: a extensão valeu apenas para os locais onde o processo de votação permanecia em andamento.

A decisão ocorreu no contexto das reclamações apresentadas pelas duas campanhas que disputaram o segundo turno. Segundo informações divulgadas pela imprensa, os relatos sobre problemas de transporte estavam entre os argumentos utilizados para solicitar a extensão do horário.

Lula foi reeleito no segundo turno

A declaração sobre o transporte ocorreu no mesmo dia em que Lula disputava o segundo turno da eleição presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL).

Ao final da apuração, Lula foi reeleito presidente da República para um novo mandato. O resultado encerrou a disputa presidencial de 2026 após o segundo turno realizado neste domingo (25).

A discussão sobre o transporte de eleitores, entretanto, permaneceu entre os principais episódios relacionados à organização da votação em diferentes cidades. No Rio Grande do Norte, segundo a TRANSPASSE e o TRE-RN, o transporte gratuito funcionou sem intercorrências.

Foto: Ricardo Stuckert/Ilustração/Arquivo

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