Decisão foi tomada em 7 de outubro de 2026 e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a aquisição das quatro empresas que integram o Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande (MS), pelo Grupo HP Mobilidade, de Goiânia (GO).
A decisão foi tomada em 7 de outubro de 2026 e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte. A operação envolve a Viação Cidade Morena, Jaguar Transportes Urbanos, Viação Campo Grande e Viação São Francisco.
Compra do Consórcio Guaicurus avança no Cade
A aprovação do Cade representa uma das etapas necessárias para a transferência do controle das empresas. O órgão federal analisou a operação sob o ponto de vista concorrencial e decidiu pela aprovação sem restrições.
A operação foi registrada no Cade sob o número 08700.009319/2026-62. A Maas Administração e Participações Ltda. aparece como compradora e foi constituída no âmbito do Grupo HP para concentrar as participações societárias nas empresas adquiridas.
O contrato de compra e venda foi firmado em 18 de julho de 2026.
A decisão foi assinada pelo superintendente-geral interino do Cade, Felipe Leitão Valadares Roquete.
Prefeitura de Campo Grande ainda precisa autorizar transferência
A aprovação do Cade não representa, por si só, a conclusão da transferência das empresas.
Como as operadoras estão vinculadas à concessão do transporte coletivo de Campo Grande, a mudança de controle também depende da autorização do poder concedente e do cumprimento das condições estabelecidas pela Prefeitura.
A administração municipal condicionou a entrada do Grupo HP a compromissos relacionados ao transporte público. Entre as medidas estão a renovação da frota, a incorporação de ônibus com ar-condicionado e melhorias nos terminais.
A Prefeitura também cobra um cronograma para a execução dessas medidas.
As exigências foram estabelecidas em um período de intervenção municipal no sistema de transporte coletivo, após problemas relacionados à prestação do serviço e à situação econômico-financeira da concessão.
TCE-MS acompanha transferência do Consórcio Guaicurus
O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) também acompanha a operação.
Em julho de 2026, o conselheiro Waldir Neves Barbosa determinou que a Prefeitura de Campo Grande apresentasse informações sobre as condições estabelecidas para a transferência do controle das empresas.
O tribunal retomou o acompanhamento do Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) firmado em 2020 entre o município, os órgãos responsáveis pelo transporte e o Consórcio Guaicurus.
Entre os pontos analisados estão os compromissos assumidos pelo comprador, os prazos para solucionar problemas na prestação do serviço, os mecanismos de fiscalização e a renovação da frota.
O acompanhamento também envolve a Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos (Agereg), o equilíbrio econômico-financeiro da concessão e as responsabilidades da Prefeitura.
Intervenção apontou problemas na operação dos ônibus
A aquisição ocorre enquanto o sistema de transporte coletivo de Campo Grande passa por uma série de medidas de acompanhamento e intervenção.
Um relatório preliminar referente aos primeiros 90 dias da intervenção registrou que, em 2025, foram realizadas 74,5% das viagens programadas.
O levantamento também apontou idade média de 10,4 anos para a frota e mais de 21 mil autuações relacionadas à operação.
As empresas contestaram parte do procedimento e relacionaram as dificuldades ao desequilíbrio econômico-financeiro do contrato, tema que também está envolvido em disputas judiciais.
A situação da frota e a regularidade das viagens estão entre os pontos que deverão ser considerados na transferência do controle das operadoras.
Grupo HP amplia atuação no transporte coletivo
A aquisição do Consórcio Guaicurus amplia a presença do Grupo HP Mobilidade no setor de transporte urbano.
A empresa tem sede em Goiânia e passa a integrar a operação de Campo Grande por meio da aquisição das quatro empresas que formam o consórcio.
A operação ocorre em meio a uma estratégia de expansão do grupo por meio de novas aquisições e ampliação de operações existentes.
Com a aprovação do Cade, a análise concorrencial da compra foi concluída sem restrições. Permanecem, porém, as providências relacionadas à autorização municipal e às condições estabelecidas para a transferência.
O que muda no transporte de Campo Grande
A mudança empresarial está relacionada a compromissos que envolvem diretamente a operação do transporte coletivo.
Entre os principais pontos estão a renovação dos ônibus, a implantação de veículos com ar-condicionado, melhorias nos terminais e o cumprimento da programação de viagens.
Também permanecem sob acompanhamento as condições de manutenção dos veículos, a disponibilidade da frota e a capacidade de investimento das empresas.
A decisão do Cade, portanto, representa uma etapa da operação de compra e venda, enquanto a transferência do controle das concessionárias depende do cumprimento das condições estabelecidas pelo município e das demais exigências aplicáveis à concessão.
Foto: Divulgação/Prefeitura de Campo Grande
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