Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que a idade média dos ônibus permanece acima dos cinco anos previstos no contrato do transporte coletivo
A frota de ônibus de Campinas está acima do limite de idade média previsto no contrato do transporte coletivo há pelo menos cinco anos. Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que a idade média dos veículos chegou a 7,85 anos em agosto de 2026.
O contrato estabelece que a idade média da frota não deve ultrapassar cinco anos. Também são definidos limites individuais conforme o tipo de veículo.
Os dados foram fornecidos pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec).
Frota de ônibus de Campinas está acima do limite desde 2021
Segundo os dados da Emdec, a idade média dos ônibus permaneceu acima dos cinco anos previstos no contrato durante todo o período analisado.
Em dezembro de 2021, a média era de 6,92 anos. O índice passou para 7,47 anos em 2022 e chegou a 8,02 anos em 2023.
Em 2024, a idade média atingiu 8,19 anos. No ano seguinte, houve redução para 7,50 anos. Em agosto de 2026, porém, a média voltou a subir, chegando a 7,85 anos.
O contrato estabelece limites diferentes para cada categoria de veículo: micro-ônibus e miniônibus podem ter até oito anos, ônibus convencionais até dez anos e veículos articulados e biarticulados até 15 anos.
Veículos de até 19 anos circulam na cidade
Além da média da frota, os dados mostram aumento na idade do veículo mais antigo em circulação.
Em dezembro de 2021, o ônibus mais antigo tinha 15 anos. Em 2022, eram 16 anos. O número chegou a 17 anos em 2023 e permaneceu nessa faixa em 2024.
Em dezembro de 2025, o veículo mais antigo tinha 18 anos. Em agosto de 2026, a idade chegou a 19 anos.
Durante uma reportagem na região do Campo Grande, foi localizado um ônibus fabricado em 2008 que estava fora de operação após apresentar problemas mecânicos. Em 2026, o veículo tinha 18 anos de uso.
O coletivo apresentava bancos rasgados e pontos de infiltração. O problema mecânico estava relacionado ao óleo do motor.
O veículo também não possuía triângulo de sinalização. Para indicar que o ônibus estava parado, o motorista utilizou um pneu.
Passageiros relatam atrasos e lotação
O envelhecimento da frota de ônibus de Campinas ocorre em meio a relatos de passageiros sobre atrasos, lotação e interrupções das viagens por problemas mecânicos.
Usuários também relatam dificuldade para embarcar em determinados horários devido à lotação dos veículos.
Os relatos apontam ainda para o aumento do tempo de deslocamento e para a falta de previsibilidade no serviço.
Em uma das situações relatadas, uma passageira afirmou que precisa esperar por vários veículos da linha BRT-20 até encontrar um ônibus com espaço para embarcar, o que provoca atrasos na chegada ao destino.
Idade dos veículos pode aumentar desgaste
A relação entre a idade dos ônibus e o desgaste dos componentes também foi abordada durante a reportagem.
Segundo o mecânico Ney Anderson Felippe, a utilização de veículos com idade elevada aumenta a possibilidade de problemas relacionados a componentes mecânicos.
Entre os itens citados estão motor, câmbio, diferencial, suspensão, sistema de freios e sistema de direção.
O profissional também relacionou a idade da frota à ocorrência de falhas durante a operação.
Emdec afirma que concessionárias são autuadas
O presidente da Emdec, Vinícius Riverete, reconheceu a existência de veículos acima dos limites estabelecidos contratualmente.
Segundo a empresa, as concessionárias são autuadas quando há veículos nessas condições.
Riverete também afirmou que o município enfrenta dificuldades para substituir parte dos ônibus, principalmente os articulados, devido à disponibilidade de veículos para reposição.
Outro ponto apresentado pela Emdec é que o sistema está no final do contrato atual, enquanto uma nova licitação vem sendo discutida desde 2021.
Cerca de 100 ônibus novos entraram em operação em 2026
A Emdec informou ainda que a renovação da frota de ônibus de Campinas vem ocorrendo de forma gradual.
Segundo o presidente da empresa, cerca de 100 veículos novos começaram a operar em 2026.
A administração municipal também relaciona a renovação ao custo do sistema, já que a aquisição de novos veículos interfere no subsídio necessário para remunerar os operadores.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Campinas/Ilustração/Arquivo
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