Caio fornecerá 40 veículos e Marcopolo ficará com 60; licitação também prevê 50 carregadores para a frota elétrica
O Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano homologou a licitação para registro de preços de 100 ônibus elétricos e 50 carregadores destinados ao transporte público da Região Metropolitana do Recife, em Pernambuco.
O resultado, publicado no Diário Oficial da União nesta terça-feira (6), totaliza R$ 291.199.900. Desse montante, R$ 284.899.900 correspondem aos ônibus e R$ 6,3 milhões aos equipamentos de recarga.
A compra foi dividida em cinco lotes de ônibus, cada um com 20 veículos, e um sexto lote destinado aos carregadores.
A Caio venceu dois lotes, com 40 ônibus e valor total de R$ 115.699.900. A Marcopolo venceu três lotes, totalizando 60 veículos por R$ 169.200.000.
Caio e Marcopolo dividirão o fornecimento dos ônibus
A distribuição dos 100 ônibus elétricos ficou entre duas fabricantes.
A Caio venceu os lotes 1 e 4, com 20 veículos em cada um. O valor total dos dois lotes chegou a R$ 115,7 milhões.
A Marcopolo ficou com os lotes 2, 3 e 5, também com 20 ônibus em cada lote. Os três contratos somam R$ 169,2 milhões.
A divisão corresponde a 40% dos veículos para a Caio e 60% para a Marcopolo. Os lotes fazem parte da aquisição dos veículos e não representam uma divisão das linhas ou das empresas que posteriormente poderão operar os ônibus.
A Caio participa do fornecimento de ônibus elétricos por meio da carroceria integrada à tecnologia de tração elétrica da Eletra e à plataforma veicular utilizada no projeto. Já a Marcopolo possui o Attivi Integral, modelo elétrico que reúne chassi e carroceria próprios.
Ônibus elétricos terão entre 12 e 13 metros
O edital estabeleceu que os veículos deverão ser ônibus padron, com comprimento entre 12 e 13 metros, novos e com fabricação e montagem nacionais.
Também foram definidos requisitos relacionados ao conteúdo local, vinculados ao Novo PAC e ao credenciamento Finame.
Entre as características previstas estão sistemas de climatização e acessibilidade, além de autonomia mínima de 250 quilômetros e sistema de recarga rápida.

Cada lote terá entrega dividida em duas etapas. Os primeiros dez ônibus deverão ser entregues em até 180 dias, enquanto os outros dez terão prazo de até 270 dias.
Os prazos são contados a partir das respectivas ordens de fornecimento. Portanto, a homologação da licitação não estabelece, por si só, uma data para o início da circulação dos veículos.
Compra de ônibus elétricos ficou abaixo do orçamento
O edital previa orçamento estimado de R$ 310 milhões para a aquisição, sendo R$ 298 milhões destinados aos 100 ônibus e R$ 12 milhões aos 50 carregadores.
O resultado homologado ficou em R$ 291.199.900, uma diferença de R$ 18.800.100 em relação à estimativa inicial, equivalente a aproximadamente 6,06%.
Considerando apenas os ônibus, a licitação tinha estimativa de R$ 59,6 milhões por lote de 20 veículos, ou R$ 2,98 milhões por unidade.

O lote 1, vencido pela Caio, ficou no mesmo valor da estimativa. Nos demais lotes, os preços homologados ficaram abaixo da referência estabelecida no edital.
Nos lotes 3 e 5, vencidos pela Marcopolo, o preço unitário foi de R$ 2.782.500. No lote 2, também vencido pela fabricante, o valor chegou a R$ 2.895.000 por veículo.
No lote 4, da Caio, o preço unitário ficou em R$ 2.804.995.
No conjunto, os cinco lotes de ônibus representaram R$ 284.899.900, contra os R$ 298 milhões previstos inicialmente.
Carregadores tiveram redução no preço
O sexto lote da licitação prevê 50 carregadores. A estimativa inicial era de R$ 240 mil por equipamento.
O preço homologado ficou em R$ 126 mil por carregador. A diferença representa uma redução de 47,5% em relação ao valor estimado.
O lote foi atribuído à Eletra Indústria e Comércio de Medidores Elétricos Ltda. Essa empresa possui razão social distinta da Eletra Industrial Ltda., relacionada à tecnologia de tração utilizada em ônibus elétricos.
A diferença entre as duas empresas consta nos registros oficiais relacionados aos respectivos CNPJs.
Registro de preços prevê compras futuras
A licitação foi realizada para registro de preços. Por isso, a homologação confirma o resultado da concorrência e a atribuição dos lotes às vencedoras, mas não significa que todos os 100 ônibus já tenham recebido ordens de fornecimento.
A aquisição poderá ocorrer conforme as necessidades e os instrumentos de execução definidos pelo Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano.
Também não há, a partir da homologação, uma definição automática das linhas que receberão os veículos.
O edital foi estruturado com cinco lotes de ônibus e um lote de carregadores. A sessão de disputa ocorreu no âmbito da plataforma PE-Integrado, pelo critério de menor preço.
Aquisição está relacionada ao Novo PAC
A compra dos ônibus elétricos está vinculada a recursos federais e ao Novo PAC, no subeixo de renovação de frota para o setor público.
O edital previa recursos relacionados a um termo de compromisso firmado entre a União, o Governo de Pernambuco e a Caixa Econômica Federal.

A previsão financeira do termo indicava R$ 64 milhões no exercício de 2026 e R$ 255.268.652 para os demais anos, com vigência até 6 de maio de 2029. A operacionalização dos recursos ocorre por meio da Caixa, no âmbito do Ministério das Cidades.
O orçamento da licitação, de R$ 310 milhões, e o resultado homologado, de R$ 291,2 milhões, correspondem a etapas distintas do processo de aquisição e não devem ser tratados como investimentos independentes.
Recursos também fazem parte de acordo sobre o metrô
A aquisição dos ônibus elétricos está inserida em uma articulação mais ampla envolvendo a mobilidade de Pernambuco.
Em dezembro de 2025, União e Governo de Pernambuco firmaram um acordo relacionado à transferência de ativos da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) para o Estado e à estruturação da concessão dos serviços de gestão, operação e manutenção da rede metroferroviária.
O acordo previa cerca de R$ 4 bilhões para a requalificação ferroviária e a antecipação de recursos não reembolsáveis para a aquisição dos 100 ônibus elétricos.
Os recursos destinados aos ônibus possuem instrumento financeiro próprio. A homologação da licitação não representa um pagamento às fabricantes dentro de um contrato de operação do metrô.
Para o sistema sobre trilhos, o planejamento divulgado anteriormente incluía a previsão de novos trens e VLTs, além de intervenções em estações e outras medidas de requalificação. Essas previsões fazem parte do planejamento ferroviário e não são comprovadas pela homologação da compra dos ônibus.
Entrega depende das ordens de fornecimento
Embora o projeto tenha considerado anteriormente a possibilidade de chegada dos ônibus ainda em 2026, a homologação não estabelece essa data.
Os prazos de 180 e 270 dias previstos no edital começam a ser contados a partir das respectivas ordens de fornecimento.
Além da entrega dos veículos, a entrada da frota elétrica em operação depende da preparação da infraestrutura necessária para a recarga.
Assim, a homologação define as empresas vencedoras, os quantitativos e os valores registrados, enquanto as datas efetivas de entrega e de operação dependerão da execução das etapas previstas no processo.
Fotos: Matheus Henrique/@bussdanorte / Marcelo Henrique / @mh_busrmr
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