Frota elétrica transportou mais de 2,8 milhões de passageiros em dois anos e evitou a emissão de 1,76 mil toneladas de gases poluentes
A operação de ônibus elétricos em Porto Alegre gerou uma economia aproximada de R$ 2 milhões em gastos com abastecimento desde o início da operação regular da frota, em agosto de 2024. O valor considera apenas a redução das despesas com combustível em comparação com veículos movidos a diesel.
O balanço divulgado pela Prefeitura de Porto Alegre nesta quinta-feira (20) também aponta que os ônibus elétricos evitaram a emissão de aproximadamente 1,76 mil toneladas de gases poluentes durante os dois primeiros anos de operação. O volume corresponde às emissões associadas à queima de 657.428 litros de combustível fóssil.
Atualmente, a capital gaúcha conta com 12 ônibus elétricos em operação, fabricados pelas empresas Eletra e Marcopolo. Entre agosto de 2024 e agosto de 2026, os veículos transportaram mais de 2,8 milhões de passageiros, realizaram cerca de 130 mil viagens e percorreram aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros.
Linhas de ônibus elétricos em Porto Alegre
Três linhas do transporte coletivo de Porto Alegre são operadas integralmente por ônibus elétricos. São elas:
- E178 – Praia de Belas;
- E378 – Integradora;
- E703 – Vila Farrapos.
Além dessas linhas, os veículos elétricos também são utilizados em parte das tabelas horárias das linhas 110 – Restinga Nova via Tristeza e 165 – Cohab.
O balanço considera o período entre 19 de agosto de 2024 e 18 de agosto de 2026. Durante esse intervalo, as três unidades de recarga rápida utilizadas pela operação forneceram 1.686.874 kWh de energia aos ônibus.

O consumo médio registrado foi de 1,29 kWh por quilômetro percorrido, segundo os dados apresentados pela administração municipal.
A economia de aproximadamente R$ 2 milhões considera exclusivamente os gastos relacionados ao abastecimento. O balanço não apresenta os custos totais da operação dos ônibus elétricos nem estabelece uma comparação completa que inclua despesas com aquisição dos veículos, instalação da infraestrutura de recarga e consumo de energia elétrica.
A Prefeitura de Porto Alegre também informa que os ônibus elétricos apresentam custos de manutenção inferiores aos registrados nos veículos movidos a diesel.
Porto Alegre prevê mais 100 ônibus elétricos
A frota de ônibus elétricos de Porto Alegre deverá crescer nos próximos anos. Em 2026, a Prefeitura firmou um financiamento de R$ 447,7 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC), conhecido como Fundo Clima.
Os recursos serão utilizados para a aquisição de 100 novos ônibus elétricos a bateria e dos equipamentos necessários para a recarga dos veículos.
O projeto prevê ônibus articulados de fabricação nacional. A incorporação da nova frota deverá ocorrer de forma gradual, conforme o planejamento das linhas, das garagens e da infraestrutura elétrica necessária para a operação.

Caso os 12 ônibus elétricos que já circulam na cidade sejam mantidos e os 100 novos veículos sejam incorporados, Porto Alegre poderá chegar a 112 ônibus elétricos na frota de transporte público.
A experiência acumulada desde o início da operação, em 2024, também vem sendo utilizada pela administração municipal para avaliar aspectos relacionados à utilização dos veículos. Entre os pontos analisados estão a autonomia, o tempo necessário para recarga, a capacidade da rede elétrica, a estrutura das garagens e as características operacionais das linhas.
Projeto avalia descarbonização do transporte público
Desde 2025, Porto Alegre participa do projeto AcoplaRE, desenvolvido com apoio da agência alemã de cooperação internacional GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit). A iniciativa está relacionada ao planejamento de medidas para reduzir as emissões do transporte público.
Além da eletrificação da frota, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana avalia outras tecnologias voltadas à redução das emissões. Entre as alternativas consideradas estão os biocombustíveis, o hidrogênio e os sistemas híbridos.

A análise de diferentes tecnologias ocorre paralelamente à expansão prevista da frota elétrica e aos estudos sobre a infraestrutura necessária para a operação dos veículos.
Passageiro tem gratuidade na segunda viagem
Nas linhas operadas integralmente por ônibus elétricos, a Prefeitura de Porto Alegre mantém um projeto-piloto que oferece gratuidade na segunda viagem para passageiros que utilizam o Cartão TRI.
Para ter acesso ao benefício, o passageiro precisa embarcar em uma linha diferente até 30 minutos depois do desembarque do ônibus elétrico. A gratuidade é aplicada automaticamente pelo sistema e não desconta créditos do cartão.
O benefício está disponível nas linhas que operam integralmente com os veículos elétricos, dentro das condições estabelecidas pelo projeto-piloto.
Fotos: Alex Rocha/PMPA
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