Projetos aprovados no Senado podem impactar debate sobre tarifa zero nacional

Projetos aprovados no Senado podem impactar debate sobre tarifa zero nacional

Governo Federal acompanha tramitação de propostas que ampliam despesas públicas enquanto aguarda decisão sobre o marco legal do transporte público

Três propostas que avançaram no Senado Federal nesta quarta-feira (10) passaram a ser acompanhadas com atenção pelo Governo Federal devido ao impacto fiscal estimado em aproximadamente R$ 270 bilhões em diferentes períodos. Segundo avaliações internas da equipe econômica, o avanço dessas matérias pode influenciar discussões relacionadas ao financiamento de políticas públicas, entre elas iniciativas voltadas ao transporte público e ao debate sobre uma possível tarifa zero nacional.

As propostas foram classificadas por integrantes do governo como “pautas-bomba” em razão dos efeitos projetados sobre as contas públicas. Os projetos tratam da renegociação de dívidas do setor agropecuário, da aposentadoria integral para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias e da criação de um novo piso salarial nacional para médicos e cirurgiões-dentistas.

O tema ganhou relevância também por ocorrer paralelamente às discussões sobre novas formas de financiamento do transporte coletivo no Brasil. Atualmente, estudos e debates relacionados à ampliação das gratuidades nos sistemas de ônibus, trens e metrôs seguem em andamento em diferentes esferas do poder público.

Estimativas discutidas por agentes envolvidos nas análises apontam que a implementação de um modelo de tarifa zero em âmbito nacional poderia demandar recursos entre R$ 75 bilhões e R$ 90 bilhões por ano. Os valores dependeriam de fatores como metodologia de cálculo, abrangência da política pública e definição das fontes de financiamento.

Entre as alternativas debatidas estão a criação de novas fontes de recursos para o setor, reformulações em mecanismos já existentes, ampliação de receitas extratarifárias e participação financeira da União, dos estados e dos municípios no custeio dos sistemas de transporte coletivo.

Segundo informações obtidas junto a integrantes de ministérios envolvidos nas discussões, o tema segue sendo objeto de consultas e análises técnicas dentro do governo. A possibilidade de implantação gradual de um modelo de tarifa zero nacional é associada a discussões sobre mobilidade urbana e acesso ao transporte público.

Enquanto isso, outra pauta relacionada ao setor aguarda definição do Palácio do Planalto. Trata-se do Projeto de Lei nº 3.278/2021, conhecido como Marco Legal do Transporte Público, que já foi aprovado pelo Congresso Nacional após cinco anos de tramitação e segue aguardando sanção presidencial.

A proposta amplia a participação da União no financiamento do transporte público coletivo em conjunto com estados e municípios. Caso seja sancionada integralmente, a implementação das medidas previstas deverá ocorrer no prazo de um ano.

Até recentemente, havia expectativa de que o texto fosse sancionado sem vetos até o dia 10 de junho. No entanto, a decisão ainda não foi publicada. O prazo legal para manifestação presidencial se encerra em 16 de junho.

De acordo com informações obtidas junto a interlocutores envolvidos nas discussões, o Ministério da Fazenda apresentou observações relacionadas à redação de trechos que tratam da utilização da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-Combustíveis) como possível fonte de financiamento para o transporte público.

As observações estariam concentradas na forma como o texto estabelece a previsibilidade da utilização dos recursos da contribuição para custear serviços de mobilidade urbana. O tema integra as análises técnicas realizadas antes da decisão final sobre a sanção do projeto.

Paralelamente às discussões sobre transporte público, os três projetos que avançaram no Senado seguem tramitando no Congresso Nacional. A proposta de renegociação de dívidas de produtores rurais possui impacto estimado de R$ 120 bilhões e retornará à Câmara dos Deputados após alterações realizadas pelos senadores.

A Proposta de Emenda à Constituição que prevê aposentadoria integral e paridade para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias possui impacto estimado de R$ 99 bilhões. O texto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e segue para análise do plenário da Casa.

Já o projeto que estabelece um novo piso salarial nacional para médicos e cirurgiões-dentistas, elevando o valor de R$ 3.636 para R$ 13.662 para jornada semanal de 20 horas, tem impacto fiscal projetado em R$ 47 bilhões. A matéria foi aprovada em turno complementar na Comissão de Assuntos Sociais do Senado e seguirá para análise da Câmara dos Deputados, salvo apresentação de recurso para votação em plenário.

O avanço simultâneo dessas propostas ocorre enquanto o governo acompanha a tramitação do Marco Legal do Transporte Público e as discussões relacionadas às formas de financiamento de políticas voltadas à mobilidade urbana e ao custeio dos sistemas de transporte coletivo em todo o país.

Foto: Reprodução/Prefeitura São Caetano do Sul / Ciete Silvério/Prefeitura de São Paulo

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