Do PORTAL UNIBUS
Foto: Divulgação (Caio Induscar)
As encarroçadoras brasileiras produziram 6.196 ônibus no primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados pela Associação dos Fabricantes de Ônibus. O volume representa uma retração de 2,1% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram fabricadas 6.328 unidades.
Apesar da queda no acumulado, o desempenho mensal indica recuperação. Em março, foram produzidas 2.673 carrocerias, número superior às 2.429 unidades registradas no mesmo mês do ano passado, sinalizando uma retomada gradual da atividade industrial.
O presidente da Fabus, Ruben Bisi, avalia que o cenário deve ser interpretado de forma positiva, especialmente diante de fatores recentes que tendem a impulsionar a demanda. Entre eles, destaca-se o leilão do programa Caminho da Escola, que prevê a aquisição de 7.470 ônibus escolares — volume equivalente a cerca de 30% do mercado.
Segundo Bisi, embora o processo tenha enfrentado adiamentos por questões tributárias, sua realização abre caminho para novas encomendas. A expectativa é de que parte significativa dessas unidades seja produzida e entregue ainda ao longo de 2026, contribuindo para a sustentação do setor.
Outro fator apontado como relevante é a expectativa de aprovação do marco legal do transporte coletivo público, o PL 3278/2021. A medida deve ampliar a segurança jurídica para investimentos em mobilidade urbana, favorecendo tanto operadores quanto fabricantes.
O desempenho da indústria também é influenciado pelo avanço na produção de chassis. Dados recentes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores apontam crescimento de 5,9% nesse segmento, o que tende a se refletir diretamente na produção de carrocerias nos meses seguintes.
Além disso, iniciativas como a possível ampliação do programa Move Brasil e a expansão de linhas de financiamento por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social são vistas como fatores que podem estimular novos investimentos no setor.
No ranking de produção do trimestre, a liderança ficou com a Caio Induscar, com 1.837 unidades, seguida pela Marcopolo, com 1.055, e pela Volare, com 823. Na sequência aparecem Mascarello (912), Neobus (817), Comil (409), Busscar (208) e Irizar (135).
Considerando apenas o mês de março, a produção foi liderada novamente pela Caio, com 735 unidades, seguida por Marcopolo (517), Neobus (418), Volare (347), Mascarello (330), Comil (189), Busscar (71) e Irizar (66).
A distribuição por segmento mostra predominância dos ônibus urbanos, que responderam por 38,7% da produção no trimestre. Os modelos rodoviários representaram 26%, enquanto os micro-ônibus ficaram com 25,8% e os miniônibus com 9,45%.
Mesmo com a leve retração no início do ano, o setor projeta um cenário de recuperação ao longo de 2026, impulsionado por programas públicos, melhora no ambiente regulatório e retomada gradual dos investimentos em mobilidade.





