Do PORTAL UNIBUS
Foto: João Vital (FETRONOR)
O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste (Fetronor), Eudo Laranjeiras, afirmou que a proposta de redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1 está sendo conduzida de forma equivocada e em momento inadequado. Ele classificou o tema como “muito problemático” e “mal colocado”, destacando que a medida pode agravar a escassez de mão de obra no setor.
De acordo com o dirigente, o transporte enfrenta déficit de profissionais em todo o país, com falta estimada de quase 100 mil motoristas de caminhão e cerca de 20 mil motoristas de ônibus. Segundo Laranjeiras, uma redução abrupta na carga horária poderia provocar paralisações e comprometer a continuidade das operações.
O presidente da Fetronor defendeu que o país deve priorizar o aumento da produtividade antes de adotar mudanças estruturais na jornada de trabalho. Ele lembrou que a escala 5×2 já é utilizada em funções administrativas e pode ser implementada por meio de acordos coletivos, mas sem imposição imediata.
Laranjeiras também ressaltou o desinteresse crescente da nova geração pela profissão. “Há dez anos, 80% dos filhos de caminhoneiros queriam seguir a carreira. Hoje, esse número não chega a 40%”, observou, citando fatores como o risco de assaltos, as condições das estradas e o desgaste físico da atividade.
Para ele, reduzir de 44 para 36 horas semanais seria uma medida “drástica”, com impacto direto nos custos do transporte e reflexos nos preços de produtos e serviços, como o leite, o frete e as passagens de ônibus. O dirigente criticou ainda a pressa do governo em discutir o tema e afirmou que a Confederação Nacional do Transporte (CNT) não foi consultada.
Segundo Laranjeiras, as confederações do setor estão se mobilizando contra o projeto, que classificou como “eleitoreiro”. Ele defendeu que o debate sobre a redução da jornada ocorra fora do ambiente de campanha e com maior amadurecimento técnico e econômico.





